Por Cintia Ferreira
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta semana a Operação Estige e prendeu três homens suspeitos de integrar um esquema de furto de combustíveis diretamente de um oleoduto da Petrobras que abastece o Distrito Federal.
A ação foi conduzida pela 19ª Delegacia de Polícia (P Norte) e revelou uma estrutura clandestina montada às margens da DF-180 para retirar gasolina e óleo diesel da tubulação que liga Paulínia, em São Paulo, ao Distrito Federal, passando pelo Triângulo Mineiro e por Goiás.
De acordo com as investigações, os suspeitos alugaram um imóvel comercial há cerca de três meses e, a partir do local, escavaram um túnel com aproximadamente 2,5 metros de profundidade, um metro de largura e cinco metros de comprimento até alcançar o oleoduto. A estrutura permitia o desvio ilegal dos combustíveis sem chamar a atenção das autoridades.
Além do prejuízo econômico, a atividade representava um grave risco à população da região. Segundo a Polícia Civil, uma eventual explosão provocada pela intervenção irregular na tubulação poderia atingir um raio de até três quilômetros, colocando em perigo moradores e propriedades próximas. A ação também teria causado impactos ambientais que serão apurados durante as investigações.
As apurações apontam que somente nesta semana o grupo teria furtado entre 90 mil e 100 mil litros de combustíveis. Um dos presos já possuía antecedentes criminais pelo mesmo tipo de delito, registrado há cerca de dois anos. A polícia também investiga possíveis ligações dos envolvidos com organizações criminosas.
Os três suspeitos foram autuados pelos crimes de furto qualificado mediante rompimento de obstáculo e concurso de pessoas, associação criminosa, crime ambiental e crime contra a incolumidade pública. Somadas, as penas podem ultrapassar 20 anos de prisão.
A Operação Estige segue em andamento. Agora, os investigadores buscam identificar os receptadores dos combustíveis desviados e outros possíveis integrantes do esquema criminoso.
O nome da operação faz referência ao rio Estige, da mitologia grega, associado ao submundo. Segundo a PCDF, a escolha simboliza o fluxo subterrâneo do combustível e o caráter clandestino da atividade criminosa descoberta pelas equipes policiais.
