O senador Izalci Lucas (PL) voltou a criticar o acordo firmado para viabilizar o socorro financeiro ao Banco de Brasília (BRB) e alertou para os impactos que a operação poderá trazer aos cofres públicos do Distrito Federal. Segundo o parlamentar, o empréstimo contratado para capitalizar a instituição fará com que a população arque com os custos do prejuízo estimado em R$ 8,8 bilhões.
Para Izalci, a medida compromete o orçamento das próximas administrações e reduz a capacidade de investimento do governo em áreas consideradas prioritárias, como saúde, educação e segurança pública. “O banco foi salvo, mas quem está pagando essa conta é a população. O GDF contraiu um empréstimo e vai capitalizar o BRB para cobrir esse prejuízo. Isso inviabiliza qualquer gestão futura e prejudica áreas que já estão em situação caótica, como a saúde”, afirmou o senador.
O parlamentar também questionou os efeitos fiscais do acordo e argumentou que a operação transfere para os próximos governos uma dívida de longo prazo. Segundo ele, as restrições impostas ao Distrito Federal podem dificultar a realização de concursos públicos, reajustes salariais e novos investimentos em serviços essenciais.
Durante audiência pública realizada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na última terça-feira (9), quando o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, prestou esclarecimentos aos parlamentares, Izalci defendeu que o foco das autoridades deve estar na recuperação dos recursos perdidos e na responsabilização dos envolvidos nas irregularidades. “O que nós não gostaríamos é que essa conta fosse paga pelo contribuinte. É preciso correr atrás de quem roubou, responsabilizar os maus gestores, porque foi uma fraude intencional. Eles sabiam o que estavam fazendo”, declarou.
O senador também cobrou medidas judiciais mais rápidas para garantir o ressarcimento dos prejuízos. Segundo ele, ainda não houve bloqueio de bens ou ações efetivas contra os responsáveis pelas operações investigadas. “Perguntei se já houve busca e apreensão ou bloqueio de bens de alguém, e ainda não houve. Isso já deveria ter acontecido há muito tempo, porque, daqui a pouco, eles vendem tudo, e não vai sobrar nada para ressarcir o Estado”, afirmou.
As declarações ocorrem em meio às discussões sobre o plano de recuperação financeira do BRB, que prevê aporte de recursos públicos para fortalecer a instituição após a identificação de perdas bilionárias relacionadas a operações investigadas por órgãos de controle e fiscalização.
