Uma menina de 11 anos está internada em estado grave em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Distrito Federal após ser picada por um escorpião enquanto se preparava para ir à escola. O caso aconteceu no Riacho Fundo I e mobiliza familiares, amigos e correntes de oração pela recuperação da criança.
Segundo a família, Valentina Nobre Lima foi atacada pelo animal ao calçar um dos tênis na manhã da última sexta-feira (12). A intensidade da dor fez com que a menina demorasse a retirar o calçado e, durante o desespero, acabou sofrendo outras duas picadas do mesmo escorpião.
Desde então, a criança permanece internada em estado grave na UTI do Hospital Santa Lúcia.
De acordo com relatos da família, o acidente ocorreu momentos antes de Valentina sair para a escola. Ao sentir as primeiras ferroadas, a menina gritou por socorro e recebeu ajuda da mãe, que identificou a presença do escorpião dentro do tênis.
A irmã da criança, Eduarda Nobre, afirma que os familiares agiram rapidamente em busca de atendimento médico, mas enfrentaram dificuldades durante o percurso. Segundo ela, a mãe levou a filha inicialmente ao grupamento do Corpo de Bombeiros do Núcleo Bandeirante. “Nem tiraram ela do carro, literalmente um descaso”, relatou.
Após a tentativa de atendimento, a família seguiu para o Hospital Regional do Guará (HRGu), onde Valentina recebeu seis ampolas de soro antiescorpiônico.
Ainda segundo a família, após a aplicação do soro, a menina estava consciente e com quadro considerado estável. No entanto, os médicos recomendaram a internação em uma Unidade de Terapia Intensiva para monitoramento devido aos riscos associados ao envenenamento por escorpião em crianças.
Como não havia leitos disponíveis no hospital, os parentes optaram por transferir Valentina para uma unidade particular. A transferência, porém, demorou várias horas para ocorrer.
De acordo com o relato da irmã, a menina chegou a ser colocada em uma ambulância, mas precisou deixar o veículo após a equipe médica decidir priorizar outra criança considerada mais grave.
Com isso, Valentina só conseguiu chegar ao hospital particular por volta das 21h, quase oito horas após a indicação de internação em UTI.
Poucas horas depois, já durante os procedimentos médicos na nova unidade, o quadro clínico se agravou significativamente. Segundo a família, a criança sofreu três paradas cardíacas durante o processo de intubação, na madrugada de sábado. A equipe médica conseguiu reanimá-la, mas ela permanece internada em estado grave desde então.
Família denuncia demora e cobra explicações
Familiares afirmam que a demora na transferência pode ter contribuído para o agravamento do quadro clínico e cobram esclarecimentos sobre a condução do atendimento.
Na tarde desta terça-feira (16), parentes e amigos organizaram momentos de oração e mobilização nas redes sociais em apoio à recuperação da menina. O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal foi procurado para comentar as acusações feitas pela família, mas não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem.
O que diz a Secretaria de Saúde
Em nota, sem comentar detalhes específicos do caso, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que as transferências de pacientes são realizadas com base em protocolos assistenciais e critérios técnicos de regulação.
Segundo a pasta, a prioridade é definida conforme a gravidade clínica de cada paciente. “As transferências de pacientes seguem protocolos assistenciais e critérios técnicos de regulação, com avaliação contínua das condições clínicas e da urgência de cada caso. Dessa forma, os casos classificados como mais graves têm prioridade no encaminhamento e na utilização dos recursos de transporte e assistência especializada”, informou a secretaria.
