Ações do BRB acumulam queda de mais de 63% desde escândalo do Banco Master; especialista alerta para riscos

As ações do Banco de Brasília (BRB) acumulam desvalorização superior a 63% desde o início da crise envolvendo o Banco Master. O recuo reflete a perda de confiança do mercado após as investigações sobre operações financeiras entre as duas instituições e aumenta a cautela entre investidores.

Em 17 de novembro de 2025, um dia antes da deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, cada ação do BRB era negociada a R$ 8,15. Atualmente, segundo a cotação divulgada pela Bolsa de Valores do Brasil, a B3, os papéis são negociados a R$ 3,02. Especialistas financeiros analisam que os “ativos estão derretendo”.

Para especialistas do mercado financeiro, o cenário ainda é de elevada incerteza. Em entrevista ao Jornal Opção Brasília/ Entorno, uma analista de investimentos afirmou que, neste momento, não recomenda a compra das ações do BRB devido ao alto risco envolvido.

Segundo ela, o comportamento futuro dos papéis depende diretamente da evolução das investigações e das medidas adotadas para reestruturar a instituição. “A ação pode até gerar retorno no futuro, mas também pode registrar perdas ainda maiores. Hoje, ninguém consegue prever qual será o desfecho das investigações. Por isso, não recomendo nenhuma movimentação nesse ativo neste momento”, afirmou.

A especialista ressalta, no entanto, que investidores com recursos aplicados em produtos bancários protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) não precisam resgatar seus investimentos apenas por causa da crise.

Mesmo com a intervenção da governadora do Distrito Federal Celina Leão (PP), em buscar recursos e empréstimos, a imagem do Banco BRB não melhora e não reflete em confiança para o investidor.

Entenda o Caso Master

A crise teve início em março de 2025, quando o Governo do Distrito Federal anunciou a intenção de adquirir parte do Banco Master por R$ 2 bilhões. A operação acabou rejeitada pelo Banco Central seis meses depois.

Em novembro do mesmo ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar a negociação de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro do Banco Master para o BRB. No mesmo dia, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo.

Em abril deste ano, Paulo Henrique Costa foi preso preventivamente. O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, também foi preso, enquanto o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira.

Segundo as investigações, as operações afetaram os índices de capitalização do BRB, obrigando o banco a apresentar um plano de recuperação ao Banco Central.

Como parte desse processo, o Governo do Distrito Federal firmou um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), autorizando a contratação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com garantia de um consórcio de bancos e contragarantia de recursos dos fundos de participação.

Embora a operação já tenha sido aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), a liberação dos recursos ainda depende da aprovação das instâncias internas do FGC.

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