Por Cintia Ferreira
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), reuniu-se na tarde desta terça-feira (14) com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em Brasília, para discutir a implementação do acordo que prevê um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Banco de Brasília (BRB). O encontro ocorreu na sede do Banco Central e teve como objetivo acompanhar a evolução das medidas adotadas após a sanção da lei que autoriza a operação, considerada necessária para fortalecer a instituição financeira diante dos impactos provocados por operações investigadas com o Banco Master.
De acordo com interlocutores do Governo do Distrito Federal (GDF), a reunião teve caráter técnico e tratou do andamento do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Celina Leão chegou ao Banco Central e deixou o local cerca de uma hora depois, sem conceder entrevistas.
O GDF é o acionista controlador do BRB e utiliza o banco para operacionalizar mais de 30 programas sociais, além da folha de pagamento dos servidores públicos e de linhas de crédito habitacional. Por esse motivo, o Executivo distrital afirma acompanhar as medidas para garantir a estabilidade da instituição e o cumprimento das normas do sistema financeiro nacional.
A atual crise do BRB está relacionada a operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que, segundo informações do próprio banco, somaram cerca de R$ 30 bilhões. As transações passaram a ser investigadas após a Polícia Federal deflagrar, em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo parte dessas negociações.
Em abril deste ano, uma nova fase da investigação resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. De acordo com a Polícia Federal, ele teria autorizado operações com o Banco Master sem garantias suficientes e em desacordo com práticas adequadas de governança.
Conforme estimativas do BRB, cerca de R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos do Banco Master correspondem a ativos considerados inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. O banco informou que pretende recuperar aproximadamente R$ 2,2 bilhões por meio de outras medidas financeiras, enquanto o restante, equivalente a R$ 6,6 bilhões, seria coberto pelo empréstimo previsto no acordo firmado entre o GDF e a União e homologado pelo STF.
