Secretário de economia garante que “Tesouro substitui a Quadra”

O secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino José de Oliveira, afirmou que o encerramento das negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e a gestora Quadra Capital não compromete o processo de recuperação financeira da instituição. Segundo ele, o Governo do Distrito Federal (GDF) dispõe atualmente de liquidez suficiente para substituir os recursos que seriam obtidos por meio da operação.

Nesta sexta-feira (17), o BRB informou, em nota, que as tratativas com a Quadra Capital foram encerradas de forma consensual após o fim do prazo previsto para as negociações. O banco atribuiu a decisão a divergências sobre os parâmetros econômicos e financeiros considerados adequados para a operação e informou que passará a administrar diretamente os ativos e buscar sua recolocação no mercado.

A proposta previa que a Quadra Capital estruturasse um fundo de investimento para adquirir e administrar cerca de R$ 15 bilhões em ativos do BRB. O pagamento seria de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões à vista, enquanto o restante seria convertido em cotas subordinadas do fundo, com monetização ao longo do tempo.

Segundo Valdivino, a negociação fazia parte das estratégias para ampliar a liquidez do banco, mas a melhora das contas públicas do Distrito Federal alterou o cenário. “Hoje, já temos liquidez no GDF. Então, se a operação com a Quadra não ocorrer, ela não será um fator muito negativo para o banco, porque nós já substituímos essa liquidez com a liquidez do Tesouro do GDF”, afirmou.

O secretário explicou que o BRB enfrentava dois desafios principais: reforçar a liquidez para as operações do dia a dia e recompor seu patrimônio após as provisões relacionadas aos ativos do Banco Master. “O BRB tinha dois problemas: um era a liquidez diária do banco, que estava muito baixa quando nós assumimos. O segundo era a capitalização, porque ele teve que fazer provisão dos ativos do Master, o que alterou o patrimônio do banco”, disse.

De acordo com Valdivino, a recomposição do capital da instituição ocorrerá por meio da operação de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que está em fase final de conclusão.

Segundo ele, a etapa de aprovação pelo sindicato dos bancos já foi concluída e restam apenas reuniões técnicas para a assinatura do contrato. “A operação com o FGC está concluída na parte do aval do sindicato dos bancos. Devemos ter uma reunião com o Banco do Brasil e, depois, a última reunião com o FGC para acertar os termos do contrato”, afirmou.

O secretário acrescentou que, após a assinatura do acordo, a liberação dos recursos deverá ocorrer de forma praticamente imediata. “O Fundo Garantidor coloca o dinheiro na conta do GDF e o GDF imediatamente faz a subscrição de capital do banco. É uma coisa imediata, em 24 horas, no máximo”, declarou.

Segundo Valdivino, a conclusão da operação dependerá apenas da publicação de um decreto autorizando a transferência dos recursos do governo para o BRB.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *