Presidente do BC recebe comando do BRB em meio à espera por pacote de R$ 6,6 bilhões

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, recebeu nesta segunda-feira (27) o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, em uma reunião reservada realizada na sede da autoridade monetária. O encontro acontece em meio à expectativa pela conclusão das etapas necessárias para viabilizar um pacote financeiro de R$ 6,6 bilhões destinado ao banco.

Também participaram da reunião o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, e a diretora de Controle e Riscos do BRB, Ana Paula Teixeira de Sousa. Segundo a agenda oficial de Galípolo, a pauta tratou de “assuntos institucionais”. O BRB não divulgou informações sobre o conteúdo da conversa.

A presença da diretora responsável pela área de Controle e Riscos ocorre em um momento em que a instituição enfrenta desafios relacionados à sua reestruturação após a crise envolvendo o Banco Master. A área é responsável pelo monitoramento de riscos operacionais, prevenção de fraudes e acompanhamento de situações que possam afetar a estabilidade da instituição.

Pacote financeiro depende de novas etapas

No fim de junho, o Governo do Distrito Federal (GDF), controlador do BRB, firmou um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar uma operação de R$ 6,6 bilhões destinada a cobrir parte das perdas atribuídas às operações realizadas com o Banco Master.

Além desse valor, o governo distrital deverá aportar R$ 2,2 bilhões em recursos próprios, após promover ajustes fiscais e reduzir investimentos.

Apesar da homologação do acordo, a operação ainda depende da assinatura dos contratos com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), da formalização das contragarantias à União e da conclusão das auditorias independentes sobre as demonstrações financeiras da instituição.

Entraves nas negociações

As negociações para a liberação dos recursos seguem em andamento. Bancos privados que participam da operação defendem que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil ofereçam garantias adicionais, o que faria as instituições federais assumirem parte do risco em caso de eventual inadimplência do BRB.

Paralelamente, o banco busca melhorar sua liquidez. No último dia 17, a instituição cancelou um acordo estimado em R$ 15 bilhões com a gestora Quadra Capital.

A operação previa a transferência de ativos ligados ao Banco Master, pagamento parcial à vista e a criação de um fundo de investimento. Segundo a proposta, o BRB substituiria ativos considerados de baixa liquidez, como imóveis, por recursos com maior disponibilidade financeira.

Balanço de 2025 segue pendente

Outro fator que mantém o processo em compasso de espera é a divulgação das demonstrações financeiras do BRB referentes ao exercício de 2025.

A apresentação do balanço é uma das exigências para a conclusão da operação financeira e depende da finalização das auditorias independentes. Enquanto os demonstrativos não são publicados, o banco permanece sujeito a sanções aplicadas pelo Banco Central, entre elas multas.

Reuniões com autoridades

Esta foi a segunda reunião recente entre representantes do GDF e a direção do Banco Central. No último dia 14, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), também se reuniu com Gabriel Galípolo e com o presidente do BRB. Na ocasião, a governadora afirmou que o encontro teve caráter técnico e não detalhou os assuntos discutidos.

Também nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o patrimônio do BRB foi comprometido por operações envolvendo ativos do Banco Master. Segundo o ministro, a instituição adquiriu carteiras de baixa qualidade que resultaram em perdas bilionárias. Ao comentar o caso, Durigan declarou que o banco “basicamente passou R$ 12 bilhões para o Master e recebeu guardanapo, papel que não valia nada”, em referência aos ativos recebidos na operação.

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