O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe/DF) promoveu, na última quarta-feira, 5 de agosto, a quinta edição do Seminário Gestores. Já consolidado como o principal encontro anual de formação e atualização para líderes educacionais do setor privado no DF, o evento contou com apoio do Sebrae no DF e reuniu, durante todo o dia, diretores e gestores escolares no auditório da sede do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), na Asa Norte.
Com o tema “Entre algoritmos e emoções, os desafios da gestão educacional”, a programação foi pensada para apoiar gestores e mantenedores diante das transformações tecnológicas, econômicas e humanas que atravessam o cotidiano das instituições de ensino. A proposta do Sinepe/DF foi criar um ambiente de reflexão, networking e troca de experiências capaz de contribuir para o aprimoramento da educação privada no Distrito Federal.
Ao abrir oficialmente a programação do seminário, a presidente do Sinepe/DF, Ana Elisa Dumont, propôs uma reflexão crítica sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) no cotidiano escolar. A dirigente destacou que, embora as novas tecnologias estejam redefinindo as formas de ensinar e administrar, o grande desafio da gestão atual é equilibrar a eficiência técnica com o fortalecimento de pilares essencialmente humanos, como a ética, a empatia e a capacidade de diálogo.
Em seu discurso, a presidente ressaltou que a essência da educação deve permanecer centrada nas pessoas, sendo impossível substituir a liderança e a formação humana por qualquer ferramenta de automação. “A tecnologia continuará a evoluir, mas o olhar de um educador, a sensibilidade de um gestor e o compromisso de uma escola com a formação humana continuarão sendo a maior força transformadora da educação”, salientou Ana Elisa.
Logo após, a diretora técnica do Sebrae no DF, Diná Ferraz, falou ao público e recordou os 30 anos de experiência como docente para comentar sobre as dores e os desafios dos gestores presentes. Ela destacou que a educação deve ser encarada como uma missão que, atualmente, navega por águas turbulentas devido à necessidade urgente de romper com modelos tradicionais. “A aula hoje não pode mais ser um monólogo, um simples repasse de conhecimentos; ela precisa ser tecnológica para estimular o nosso alunado a interagir e se interessar pelo conhecimento”, afirmou.

Diante desse cenário, Diná refletiu sobre o papel do Sebrae no DF e posicionou a instituição como um braço direito para a melhoria da gestão das escolas e da qualidade de ensino ofertada em todo o território brasiliense. “A educação é uma missão. E nunca essa missão foi desempenhada em um mar tão revolto como agora, porque a gente precisa mudar a estrutura de ensino diante do avanço das tecnologias. O papel do Sebrae nessa missão é dar todo apoio e suporte às escolas com instrumentos para ajudar na gestão e consultorias, tornando-as empresas cada vez melhores, mais organizadas e estruturadas”, pontuou a dirigente do Sebrae no DF.
Também presente ao evento, a Secretária de Estado de Educação do DF, Iêdes Soares Braga, comentou sobre a importância de enxergar a educação brasiliense como um sistema único, no qual as redes pública e privada, embora distintas, convergem na missão de preparar os jovens para o futuro. “A rede pública e a rede privada têm responsabilidades próprias e identidades distintas, mas compartilham a mesma missão, garantir que nossas crianças e nossos jovens tenham acesso a uma educação cada vez melhor. Esse é um propósito de todos nós”, explicou.

Iêdes ainda aproveitou a oportunidade para destacar que desafios como a IA e a saúde emocional dos estudantes não podem ser enfrentados de forma isolada e defendeu a criação de pontes em vez de fronteiras entre as instituições. Segundo ela, o fortalecimento do ensino no DF depende da cooperação mútua e do apoio de parceiros estratégicos, como o Sebrae no DF, para que as escolas tenham suporte técnico e gerencial diante das novas competências exigidas pelo mercado de trabalho.
A programação do seminário seguiu com uma apresentação do advogado, palestrante e comunicador especializado em oratória e comunicação de alto impacto, Samer Agi. Reconhecido pela abordagem prática e envolvente, ele abriu as discussões o dia provocando os gestores a refletirem sobre a qualidade da comunicação em uma era de interações aceleradas.
Agi destacou que a assertividade e a persuasão são frutos diretos da competência e da autoconfiança do líder. Para ele, o gestor que domina sua área de atuação naturalmente projeta credibilidade, tornando-se o próprio exemplo para seus liderados. “As pessoas vão acreditar em você porque quando você acredita no que você faz, você se torna muito persuasivo”, sustentou.

Além da comunicação, Samer trouxe uma reflexão vital sobre a responsabilidade do líder como fonte de energia para a instituição e também ressaltou que a escola é um organismo vivo cuja força e capacidade de florescer dependem diretamente da intensidade e da clareza de quem a conduz. “Desejo que você seja um líder inspirador, que as pessoas não tenham medo de dizer a verdade para você. Que você seja uma espécie de semente e que, lançada ali na sua instituição, você seja capaz de florescer, crescer, dar frutos”, complementou.
Em seguida, pós-doutor em Administração pela Universidade de São Paulo (USP) e em Inteligência Artificial pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), André Barcaui subiu ao palco para falar acerca das reflexões e estratégias relacionadas aos desafios de administrar instituições em um cenário cada vez mais influenciado pela tecnologia, pela IA e pelas relações humanas.
A apresentação de Barcaui dialogou diretamente com o tema central do seminário. Ele trouxe uma visão pragmática e estratégica sobre a implementação da IA nas escolas, alertando que a tecnologia deve ser a última etapa de um planejamento que começa pela definição de políticas e processos.

Barcaui ressaltou que antes de adotar qualquer “ferramenta da moda”, as instituições de ensino precisam focar no letramento digital de toda a comunidade acadêmica. Para o especialista, compreender os limites e as possibilidades da IA é essencial para que professores e gestores possam aplicar a inovação de forma segura e assim otimizar a rotina administrativa e pedagógica sem perder o controle financeiro ou de governança.
A programação contou ainda com a participação de Gilvan Bueno, um dos principais nomes da educação financeira no país. O especialista, que acumula passagens por instituições como Geração Futuro, Banco Itaú, BTG Pactual e atualmente é comentarista econômico da CNN e professor da FGV Educação Executiva, levou ao público reflexões sobre o ambiente econômico e contribuiu para a discussão de caminhos que auxiliem as instituições de ensino a planejar, investir e tomar decisões com mais segurança.

O palco do seminário ainda recebeu uma palestra conduzida por três especialistas, Alan Jhones, Bruno Lyra e Guilherme Goulart, que formam o BTO³. Eles são autores do livro Ensinar Bem Não Basta e apresentadores do podcast O Boss Tá On!, uma das produções de educação de maior alcance em Minas Gerais. O trio já entrevistou algumas das principais referências do setor educacional brasileiro e, durante o evento, abordou temas como liderança, inovação, tecnologia e crescimento sustentável, traduzindo-os em ferramentas aplicáveis ao cotidiano de gestores educacionais.
Créditos das Notícias Sebrae DF
