Família afirma que aluno envolvido em agressão sofria bullying e ofensas racistas há anos

A família do aluno do 8º ano do Colégio Militar Dom Pedro II, apontado como responsável por agredir um colega do 7º ano, afirma que o adolescente sofria bullying recorrente havia anos e que foi alvo de ofensas racistas, comentários sobre o corpo e provocações relacionadas à ascendência japonesa. A agressão ocorreu na terça-feira (4), dentro da unidade, após uma partida de handebol e novas provocações no vestiário. Segundo a defesa, o estudante tentou se afastar dos colegas, mas teria sido atingido por bolinhas de papel molhadas e sujas antes do confronto.

De acordo com a nota divulgada pela defesa da família, o adolescente sofria episódios recorrentes de exclusão e importunação por parte de colegas. O histórico escolar, segundo os advogados, registraria situações anteriores envolvendo ofensas relacionadas ao nome, à ascendência japonesa e ao fato de o estudante ser negro, além de comentários depreciativos sobre o corpo.

No dia da agressão, ainda segundo a família, as provocações começaram após uma derrota em uma partida de handebol. Os comentários teriam continuado durante o retorno ao colégio e se intensificado no vestiário.

A defesa afirma que o adolescente entrou em um dos boxes do banheiro para se afastar dos colegas e tentar interromper as provocações. Mesmo assim, teria sido alvo de sucessivos arremessos de bolinhas de papel molhadas e sujas, uma delas atingindo seu olho.

Segundo a família, a agressão ocorreu nesse contexto e não teria havido intenção de causar lesões. O confronto teria terminado por iniciativa do próprio adolescente, antes da intervenção dos monitores. Depois, ainda de acordo com a defesa, ele procurou o colega para saber como estava e pediu desculpas ao perceber que o menino aparentava estar bem. “A família lamenta o ocorrido e deseja pronta recuperação ao colega envolvido. Ao mesmo tempo, destaca que o que aconteceu faz parte de um processo muito maior, que precisa ser apurado considerando também tudo o que ocorreu anteriormente”, informou a defesa.

Aluno agredido sofreu fraturas

O estudante do 7º ano foi agredido com socos no rosto e precisou ser levado de ambulância para atendimento médico. Exames apontaram fratura multifragmentada do osso nasal esquerdo, desvio do septo nasal para a esquerda e pansinusopatia, sem sinais de processo inflamatório agudo.

Segundo relatos, a briga começou depois de uma brincadeira com bolinhas de papel no vestiário. O aluno teria perseguido o colega, derrubado o menino no chão e, em seguida, desferido diversos socos no rosto. Dois monitores teriam intervindo e interrompido a agressão.

A vítima relatou a pessoas próximas que não reagiu porque sabia que o outro estudante era filho de um oficial de alta patente do Corpo de Bombeiros e temia sofrer consequências dentro do colégio.

O aluno agressor, de 13 anos, pratica judô, segundo a família. Ele ficará afastado das atividades físicas por 21 dias.

Comandante foi afastado

O pai do adolescente, que exercia a função de comandante do Corpo de Alunos do Colégio Militar Dom Pedro II, foi afastado da função após o episódio. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), o militar foi exonerado da função e transferido para o Grupamento de Aviação Operacional.

A defesa afirma que o próprio comandante solicitou voluntariamente o afastamento das atividades relacionadas ao caso para preservar a lisura da apuração.

Em nota, o CBMDF informou que o colégio prestou socorro ao estudante ferido, manteve contato com os responsáveis pelos alunos envolvidos e instaurou os procedimentos necessários para esclarecer o episódio.

O colégio também informou que uma reunião do Conselho Escolar foi realizada no dia 12 de agosto como parte do processo de apuração. O órgão afirmou ainda que o caso está sendo tratado com atenção e responsabilidade, respeitando o direito à privacidade e à proteção dos estudantes envolvidos.

Investigação

O caso foi registrado na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) 1. A vítima também passou por exame no Instituto de Medicina Legal (IML) no mesmo dia da agressão.

As circunstâncias que antecederam o confronto, incluindo as alegações de bullying e ofensas racistas relatadas pela família do adolescente apontado como agressor, deverão ser consideradas na apuração do caso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *