A Justiça de Goiás determinou a instauração de um inquérito policial para apurar suspeitas de crimes tributários, falsidade ideológica e estelionato envolvendo o deputado estadual André Luiz Gomes Gontijo, conhecido como André do Premium (UB), e empresas ligadas ao grupo Atacadão Premium. A decisão é de 5 de agosto de 2026 e atende a pedido do Ministério Público de Goiás (MP-GO).
O caso tramita no processo nº 5034125-72.2026.8.09.0000, na 3ª Vara das Garantias de Goiânia. Segundo os autos, o procedimento começou a partir de uma denúncia anônima encaminhada ao MP-GO, que apontava supostas irregularidades na estrutura societária de empresas ligadas ao Atacadão Premium e possíveis débitos tributários superiores a R$ 9 milhões.
A denúncia também questionava mudanças no quadro societário e nos endereços registrados das empresas. Segundo o relato encaminhado ao Ministério Público, o Atacadão Premium teria passado por alterações de CNPJ e de proprietários, com a manutenção do nome empresarial, do endereço comercial e da atividade econômica. Os documentos anexados ao processo confirmam que a empresa foi constituída em 2022 por Shaiane Ferreira Ferraz e posteriormente passou para Giulene Pereira da Silva.
Polícia havia arquivado apuração
Antes da decisão judicial, a Polícia Civil de Goiás havia determinado o arquivamento da Verificação de Procedência das Informações por considerar que não havia elementos mínimos para a abertura de um inquérito.
Durante a apuração, André Luiz Gomes Gontijo foi ouvido e negou qualquer irregularidade. Segundo o depoimento registrado nos autos, ele afirmou que havia se afastado da administração direta do supermercado para se dedicar à atividade política e que não houve sonegação de impostos, fraude ou outro crime. Ele também declarou que as obrigações tributárias, trabalhistas e previdenciárias haviam sido quitadas.
O Ministério Público, no entanto, considerou necessária a realização de novas diligências para esclarecer a materialidade e a autoria de possíveis crimes, especialmente falsidade ideológica.
Como André é deputado estadual, o procedimento chegou inicialmente ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Goiás. O colegiado, porém, entendeu que os fatos investigados estariam relacionados à atuação empresarial do parlamentar, e não ao exercício do mandato.
Com isso, o processo foi encaminhado para a primeira instância e posteriormente distribuído à 3ª Vara das Garantias de Goiânia.
CIRA apontou necessidade de aprofundar investigação
O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Goiás (CIRA-GO), ligado ao Ministério Público, passou a atuar no caso. O órgão pediu que as informações fossem encaminhadas à Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT), com a instauração de inquérito policial e realização de diligências complementares.
Em relatório, o CIRA informou que realizou pesquisas para verificar a existência de eventual grupo econômico e possíveis crimes contra a ordem tributária relacionados a empresas ligadas a André do Premium. O levantamento identificou que o deputado integrou anteriormente o quadro societário da empresa Premium Comércio de Alimentos Ltda., entre 2015 e abril de 2022.
O Ministério Público também destacou nos autos a necessidade de esclarecer a existência e o valor de eventual débito tributário definitivamente constituído. O processo menciona a cifra de R$ 9 milhões como valor apontado na denúncia, mas a documentação ressalta que ainda são necessárias diligências para confirmar a situação tributária.
Justiça determina abertura de inquérito
Na decisão mais recente localizada no processo, assinada em 5 de agosto, o juiz André Nacagami determinou que a DOT instaure o inquérito e realize as diligências solicitadas pelo Ministério Público.
A delegacia terá prazo de 30 dias para concluir as providências determinadas e encaminhar o procedimento ao Judiciário. Depois disso, o Ministério Público deverá se manifestar sobre os próximos passos.
A investigação, portanto, ainda está em fase inicial. O processo não registra condenação contra André Luiz Gomes Gontijo, e as acusações descritas nos autos são objeto de apuração.
A equipe de reportagem do Jornal Opção Brasília/ Entorno vem tentando falar com o deputado André do Premium desde a última sexta-feira (21), porém o parlamentar não atende nossas ligações. O espaço continua aberto para eventuais esclarecimentos.
