Eixão da Diversidade leva arte e pertencimento à população LGBTQIAPN+

Brasília recebe, neste domingo (6), a segunda edição do Eixão da Diversidade, iniciativa que propõe transformar uma das principais áreas de convivência da capital em espaço de expressão artística, reflexão e encontro da população LGBTQIAPN+. Das 10h às 17h30, o Eixão do Lazer, na altura da 205 Norte, será ocupado por uma programação gratuita que combina apresentações musicais, performances drag, poesia, debates e empreendedorismo.

Entre as atrações estão o cortejo percussivo Capivareta Repercussiva, o grupo Canto das Pretas, a cantora Hanna Amim e a DJ Ipê Ferraz. A programação também conta com as performances de Pérola Negra, Larissa West e Luwi Bloom, apresentadas por Victor Baliane. A artista Kika de Moraes participa com intervenções poéticas ao longo da pista do Eixão, por meio da personagem Miss Bijú.

Idealizado e produzido pela Coletiva Corpas no Mundo, grupo independente formado por artistas e ativistas LGBTQIAPN+ do Distrito Federal, o projeto chega à segunda edição após uma primeira experiência construída sem recursos, a partir de articulações, parcerias, apoios e doações. Para a diretora geral, Mafê Oliveira, a realização inicial serviu como ponto de partida para uma reformulação que permitiu ampliar a estrutura e profissionalizar diferentes etapas da produção.

“A primeira edição mostrou a potência do Eixão da Diversidade e foi realizada sem recursos, a partir de articulações, parcerias, apoios e doações. Mesmo nessas condições, o projeto já nasceu com uma programação artística forte e uma roda de conversa muito consistente”, afirma.

Segundo ela, a nova edição parte de uma avaliação dessa experiência para consolidar o projeto em bases mais estruturadas. A mudança envolve desde a organização das funções até a contratação de profissionais para diferentes áreas, com o objetivo de oferecer condições mais adequadas à dimensão da iniciativa.

“Hoje temos uma equipe de profissionais contratados para diferentes funções, responsabilidades bem definidas e uma estrutura mais adequada ao porte do evento. O recurso permite ampliar a estrutura, remunerar o trabalho e incorporar profissionais ao processo, preservando a essência do Eixão e dando melhores condições para aquilo que o projeto se propõe a realizar”, explica Mafê.

Cultura como forma de ocupar a cidade

A escolha do Eixão do Lazer como cenário da iniciativa amplia o sentido da programação para além do entretenimento. A proposta é fazer da ocupação artística também uma afirmação de pertencimento e participação na vida urbana. Para Mafê, a dimensão simbólica da ação está relacionada à própria configuração de Brasília e à maneira como a capital organiza seus espaços de circulação e convivência.

“Significa afirmar presença e pertencimento. Brasília é uma cidade profundamente marcada por seus espaços monumentais e pela ideia de poder, então ocupar uma de suas principais vias com corpos, identidades e expressões LGBTQIAPN+ é também dizer: nós estamos aqui, fazemos parte desta cidade e também a produzimos”, pontua.

Nesse sentido, o Eixão da Diversidade articula a presença física no espaço público com diferentes formas de produção cultural. Música, performance e poesia dividem espaço com momentos dedicados à discussão de direitos e reconhecimento, criando uma programação que pretende aproximar celebração e reflexão.

O conceito de direito à cidade aparece justamente nessa relação entre ocupar e participar. A proposta considera o espaço público não apenas como local de passagem, mas como ambiente de convivência, produção cultural e construção de vínculos. Para a diretora, essa dimensão é trabalhada tanto pelas manifestações artísticas quanto pelos encontros voltados ao diálogo.

“Quando ocupamos o espaço público, estamos falando do direito de estar, circular, permanecer, produzir e participar da cidade, de acessar seus espaços, suas trocas e tudo o que a vida urbana possibilita”, afirma.

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Foto: Divulgação

A programação formativa é concentrada em duas rodas de conversa que têm como eixo o tema “Quem somos quando somos vistos? Direitos da personalidade, reconhecimento e presença LGBTQIAPN+ na cidade”. A primeira reúne Ruth Venceremos, Madu Krasny e Andrey Lemos, com facilitação de Mafê Oliveira e Leilla Portela. O segundo encontro conta com Kiki Kleim, Symmy Larrat e Mukaíla Manika.

Para Mafê, a combinação entre diferentes linguagens é parte central da proposta. “A programação artística reúne música, performances drag e poesia, trazendo diferentes expressões e artistas LGBTQIAPN+ para ocupar esse espaço com sua arte. Além das atrações artísticas, as rodas de conversa trazem uma dimensão formativa”, destaca.

Entre celebração, formação e geração de renda

A segunda edição também incorpora uma feira de empreendedorismo, ampliando a programação para uma dimensão econômica. A intenção é aproximar a circulação cultural da possibilidade de geração de renda e valorização do trabalho realizado por profissionais e empreendedores da comunidade.

Para a diretora de comunicação, Leilla Portela, essa estrutura também evidencia o impacto da produção cultural LGBTQIAPN+ no Distrito Federal. “Representa a prova concreta de que a cultura LGBTQIAPN+ não é apenas entretenimento, mas uma cadeia produtiva sólida, capaz de gerar oportunidades, empregar profissionais do setor, movimentar a economia criativa local e formar público”, afirma.

Mafê também destaca o efeito da profissionalização sobre a própria cadeia cultural envolvida na realização do evento. A ampliação dos recursos possibilita remunerar profissionais e reunir diferentes experiências em torno da produção, fortalecendo uma rede que envolve artistas, produtoras, técnicas, comunicadoras e outras trabalhadoras da cultura.

“Existe uma rede que se fortalece nesse processo: artistas, produtoras, técnicas, comunicadoras e outras profissionais LGBTQIAPN+. O Eixão da Diversidade é resultado dessa soma de experiências, articulações e saberes”, ressalta.

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Larissa West. Foto: Divulgação

Independência e construção coletiva

A realização do evento por uma coletiva independente impõe desafios relacionados à dimensão da produção. A organização de uma programação extensa em um espaço público exige articulação entre diferentes profissionais, agendas e estruturas, além da definição de uma curadoria capaz de representar a proposta do projeto.

Para Mafê, a diversidade da cena cultural brasiliense é, simultaneamente, um desafio e uma das forças da iniciativa. A necessidade de selecionar atrações entre tantos artistas e profissionais que poderiam integrar a programação exige escolhas, mas também revela a amplitude da produção cultural existente na cidade.

A diretora ressalta ainda que a realização de um evento desse porte depende da integração entre as diferentes áreas envolvidas. “Existe um trabalho enorme de articulação para fazer todas essas pessoas, estruturas e ações funcionarem juntas no mesmo espaço e no mesmo dia”, acrescenta.

A ação também foi estruturada em alinhamento com a Política Distrital de Equidade de Gênero. Para ampliar o acesso à programação, o evento terá intérpretes de Libras e audiodescrição simultânea, garantindo recursos de acessibilidade durante as atividades.

Com entrada gratuita e classificação indicativa livre, o Eixão da Diversidade ocupa o domingo brasiliense com uma programação que aproxima festa e formação, expressão artística e debate público. Ao levar essas atividades para uma das principais áreas de convivência da capital, a iniciativa transforma a ocupação do espaço em parte do próprio discurso cultural: estar na cidade, produzir nela e participar de sua vida pública também são formas de construir pertencimento.

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Miss Bijuú. Foto: Divulgação

Serviço
Eixão da Diversidade
Data: 6 de setembro de 2026 (domingo), das 10h às 17h30
Local: Eixão do Lazer – Eixão Norte, altura da quadra 205 Norte
Ingressos: entrada gratuita
Classificação indicativa: livre

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