O Espaço Cultural Renato Russo recebe, neste fim de semana, a quarta edição da Mostra de Cultura Ballroom, que celebra a força e a diversidade da cena ballroom do Distrito Federal. Com entrada gratuita, a programação começa na sexta-feira (30) e segue até sábado (31), reunindo apresentações performáticas, debate e um grande baile aberto ao público.
Na sexta, às 19h30, o espaço cultural sedia a roda de conversa “Memória, Identidade e Mudança Social”, com a participação da artista baiana Puma Camillê, reconhecida nacionalmente por sua contribuição à cultura ballroom no Brasil. O encontro propõe reflexões sobre trajetória, resistência e transformação social a partir das vivências da cena ballroom.
Já no sábado, a partir das 19h, acontece o Ball All Black Ball, reunindo 11 casas de voguing do DF em apresentações distribuídas em seis categorias: OTA runway, beginners performance, old way, face OTA, soft & cunt versus dramatics e house leaders performance. Seguindo a tradição dos bailes ballroom, artistas representam suas casas em performances que combinam dança, desfile e dublagem, avaliadas por um corpo de jurados.
O baile contará com apresentação de Simone Demoqueen e discotecagem da DJ Úrsula Zion Rattura. Participam desta edição as casas Casa de Laffond, Casa de Abloh, Casa de Ratturas, Casa de Onija, House Of HandsUp, Casa dy Luxúria, House Of Cabal, Casa de Arapô, House Of Mamba Negra, COB TV e Chanter’s.
A Mostra de Cultura Ballroom tem como objetivo ampliar a visibilidade das casas de voguing do Distrito Federal e criar um espaço de circulação para artistas performáticos, fortalecendo a cena local e aproximando novos públicos. O projeto integra o Distrito Criativo, iniciativa realizada pelo Distrito Drag em parceria com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF).
Uma cultura de resistência
Surgida nos anos 1970, em Nova Iorque, a cultura ballroom nasceu como uma forma de resistência da população LGBTQIA+ frente à marginalização social. Os bailes aconteciam em guetos e rapidamente se consolidaram como espaços de afirmação identitária, expressão artística e pertencimento.
Com o passar das décadas, a cultura ballroom se expandiu para diversos países, tornando-se um importante movimento cultural protagonizado, sobretudo, por pessoas trans, negras, periféricas e de origem latina. As casas, formadas por grupos que muitas vezes compartilhavam moradia e apoio mútuo, funcionavam como redes de acolhimento e sobrevivência. Nos ballrooms, essas comunidades encontraram um ambiente seguro para celebrar suas existências, disputar performances e criar novas linguagens artísticas.

Serviço
Mostra de Cultura Ballroom
Quando: 30 e 31 de janeiro
Onde: Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul)
Roda de conversa, 30 de janeiro, às 19h30
Baile voguing, 31 de janeiro, às 19h
Entrada gratuita
