O Eixo Monumental foi das Montadas nesse domingo

Os leques dos foliões batiam o ritmo das músicas no Bloco das Montadas, na plataforma Carnaval Monumental, que ocupou a área externa do Museu Nacional da República no domingo carnavalesco. A celebração da diversidade foi organizada pelo coletivo Distrito Drag, com atrações temáticas do “Nosso Pop”. Entre os shows que passaram por ali, estavam nomes como Gretchen, Lia Clark, Ane Êoketu, Igor Mirái, Pri Arêba, DJ Patty Peronti e a Banda das Montadas.

A Banda das Montadas foi criada especialmente para o evento e trouxe nos vocais as drag queens K-Halla, Lee Brandão e Licorina Impéria. A rainha do bloco de 2026 foi a drag Adora Black. Para que a programação pudesse acontecer, o coletivo contou com fomento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF).

Ruth Venceremos, uma das organizadoras, celebrou a consolidação de Brasília como uma potência e referência na capital. Ela lembrou que o movimento das montadas teve o lançamento recente de um livro que registra a trajetória do grupo e a ocupação do espaço público com representatividade, respeito e alegria. “Estamos muito felizes. São as nossas pessoas ocupando este espaço e fortalecendo a nossa identidade. Brasília tem Carnaval, tem espaço para todo mundo e viva essa matriz carnavalesca tão importante”, declarou.

Foto: Amanda Karolyne/Jornal de Brasília

Ela lembrou que a estrutura na Plataforma Monumental conta com apoio e acolhimento para os foliões no “Espaço Acolher”, equipado com psicólogos e assistentes sociais para atender vítimas de violência, além de áreas exclusivas de acessibilidade. “Temos uma equipe preparada para mostrar que a nossa folia é feita com respeito e muita segurança”, frisou. A programação no local segue intensa, recebendo blocos como o “Na Batida do Morro” na segunda-feira de Carnaval e encerrando a terça-feira com as “Filhas de Gaga” e, depois, a “Nave Pirata”.

Aniversariante na avenida de Carnaval, a bióloga Gabriela Toledo, 44 anos, servidora da Secretaria de Saúde, escolheu o Bloco das Montadas para comemorar mais um “giro ao redor do sol” ao lado da família e de amigos. Acompanhada dos filhos e da sobrinha de sete anos, ela destacou a diversidade e o ambiente acolhedor da festa brasiliense: “É um bloco ótimo para a família. É seguro, diverso e respeita as pessoas. É muito maravilhoso”, ressaltou. Gabriela e a família estavam fantasiados de “Galinhas Livres” e compartilharam a alegria do momento.

Mesmo nascendo em época de Carnaval, Gabriela confessou que não foi sempre que foi às ruas para curtir a folia. Mas a bióloga mudou de opinião ao descobrir os blocos de rua da capital há três anos. “Eu era uma pessoa que não gostava de Carnaval, mas descobri o que é curtir em Brasília, nos bloquinhos. A gente já termina o ano pensando na fantasia que vai usar no próximo”, contou.

Sabendo a importância dessa celebração cultural, o bailarino, coreógrafo e professor Paulo Ruma, 31 anos, marcou presença no Bloco das Montadas. Ele nasceu em Goiânia, mas conta que se apaixonou pela folia de rua quando se mudou para a capital federal em 2017. O artista considera que o Bloco das Montadas vai além do entretenimento, sendo um espaço fundamental de representatividade e afirmação política. “É uma alegria imensa ver tantas pessoas sendo felizes, existindo e pertencendo. Além de ser incrível, é um movimento muito político”, afirmou.

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Paulo Ruma (calça verde) e amigos no Bloco das Montadas. – Foto: Amanda Karolyne/Jornal de Brasília

Além disso, toda a movimentação da folia nas ruas gera outra movimentação na economia criativa, o que, para ele, é importante para a geração de oportunidades dentro da comunidade. “Esse bloco gera trabalho e economia, o que é muito significativo para nós. É um momento que celebra a diversidade no seu modo total, permitindo que artistas e ambulantes LGBT ocupem esse lugar de trabalho, que sabemos que é tão difícil”, completou.

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