Casos de passageiros indisciplinados crescem 66% no Brasil; veja o que não fazer

Assim como vem crescendo o número de passageiros em voos no Brasil, os problemas também ficam mais frequentes Foto: Agência Brasil As compan…

Assim como vem crescendo o número de passageiros em voos no Brasil, os problemas também ficam mais frequentes


Foto: Agência Brasil

As companhias aéreas Azul, Gol e Latam, juntas, registraram aumento de 66% de casos envolvendo passageiros indisciplinados. São situações que podem ir das mais simples, como não usar o cinto de segurança, às mais graves, caso de agressões físicas e tentativas de fumar a bordo. Em 2025, foram 1.764 episódios, enquanto 2024 teve 1.059 registros, segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Assim como vem crescendo o número de passageiros em voos no Brasil, os problemas também ficam mais frequentes. Mas o que chama atenção da Abear são os casos graves, que aumentaram 30%, saindo de 222 casos em 2024 para 288 no ano passado. Em busca de frear esses problemas, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) tem uma proposta normativa para tornar mais rígido o tratamento de passageiros indisciplinados.

“A gente está falando de agressão física, verbal ou qualquer coisa que a tripulação pode entender que é um fato que vai atrapalhar a condução do voo com segurança. É preciso interromper a atividade e chamar a autoridade policial para realizar os procedimentos legais. Esses casos têm nos preocupado bastante e é por isso que apoiamos a implementação da no fly list no Brasil”, disse o diretor de Segurança e Operações da Abear, Raul de Souza.

Traduzido para o português, a Lista de Proibição de Voo é um mecanismo já utilizado na aviação nos Estados Unidos e na Europa que impede um passageiro de voar por um tempo determinado como consequência de má conduta grave. Entre as consequências previstas na Consulta Pública nº 09/2024, da Anac, está a recusa de embarque e até responsabilização criminal. Por enquanto, é apenas uma proposta, que precisa passar pela aprovação da Diretoria Colegiada da Anac.

“A gente vê isso refletido em outros mercados: depois da entrada de uma normativa desse tipo, o número de casos diminuiu. É importante entender que essas situações atrapalham todo mundo. A partir de um momento que uma aeronave tem um problema e a autoridade policial é chamada, gera atrasos nos horários e outros passageiros podem perder a conexão por conta de uma pessoa que não soube se comportar”, reforçou o diretor.

No ano passado, um passageiro acionou a escorregadeira do avião, medida utilizada para casos de emergências, e atrasou em quatro horas a decolagem. Segundo o diretor da Abear, ainda é muito comum situações de pessoas que tentam fumar durante o voo ou estão descontentes com atrasos por conta de influências meteorológicas e acabam reagindo de forma imprudente.

Até mesmo uma brincadeira que o passageiro julga inocente pode causar consequências graves. “Já aconteceu de alguém entrar no banheiro do avião e escrever no espelho, com um batom, que o voo estava sob algum risco. Quando o comissário de bordo vê isso, ele precisa interromper a operação e todo o processo de fiscalização e inspeção é feito. Isso atrasa tudo, é um comportamento indesejado porque um passageiro atrapalha a coletividade”, finalizou.

Em outra situação de 2025, um voo que seguia para Santiago do Chile precisou fazer uma parada em Brasília para tirar do avião um passageiro que ouvia música alta e andava pelo corredor de forma constante. Não é só nas aeronaves, a má conduta ocorre em terra também. Em dezembro, um homem embriagado depredou parte da área de embarque no Aeroporto do Recife.

O que é considerado indisciplina?

A aviação divide os comportamentos indisciplinados em três categorias, dos mais leves aos mais graves:

Categoria 1: São transtornos menores que a tripulação geralmente consegue controlar, pode gerar atrasos nos processos de check-in ou embarque e afetar a segurança e higiene da aeronave.

Exemplos: elevar o tom da voz; postura hostil; recusa inicial em cumprir instruções; interferência no trabalho da tribulação.

Categoria 2: Situações mais desafiadoras, que a tripulação precisa recorrer a ajuda como o supervisor do aeroporto ou de segurança para conter o passageiro.

Exemplos: agressões verbais; incitações de outros passageiros; recusa persistente em cumprir as normas de segurança.

Categoria 3: Comportamento agressivo e violento que afeta consideravelmente a segurança ou a higiene da aeronave. Pode necessitar de intervenção policial.

Exemplos: agressões físicas; ameaças e intimidações; tentativas de fumar a bordo; falsas ameaças de bomba.

Estadão Conteúdo

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