Bloco Deficiente é a Mãe promove carnaval inclusivo em Brasília

No carnaval de Brasília, barreiras como a falta de rampas, calçadas irregulares e piso tátil, além da escassez de transporte público acessível e intérpretes de Libras, frequentemente limitam a participação de pessoas com deficiência (PCD) em eventos. Para combater o capacitismo, a historiadora Lurdinha Danezy Piantino fundou há 14 anos, em conjunto com pais e representantes de entidades, o bloco de carnaval ‘Deficiente é a Mãe’. A iniciativa visa promover a inclusão, garantindo que PCDs ocupem espaços culturais como o carnaval.

Lurdinha, mãe de Lúcio Piantino, de 30 anos, conhecido como a drag queen Úrsula Up, a primeira com síndrome de Down no Brasil, enfatiza a importância da presença de PCDs em eventos festivos. Úrsula, que também atua como ator, artista plástico, dançarino e palhaço, vê os blocos como essenciais para a inclusão. Outro fundador, o servidor público aposentado Luiz Maurício Santos, cadeirante há 28 anos devido a um acidente de moto, destaca as dificuldades com recursos e burocracia, mas incentiva mais PCDs a participarem para superar o preconceito.

O jovem Francisco Boing Marinucci, de 22 anos, com Transtorno do Espectro Autista (TEA), frequenta o bloco com a mãe, Raquel Boing Marinucci. Ela considera o ambiente mais seguro e inclusivo para adultos com deficiência intelectual. Em 2026, planejam fantasias inspiradas no Sítio do Picapau Amarelo. Thiago Vieira, auxiliar de biblioteca com baixa visão, participa com sua cão-guia Nina, valorizando eventos que o fazem se sentir seguro e esperando maior conscientização social.

Carlos Augusto Lopes de Sousa, secretário escolar cadeirante há 37 anos devido a um desabamento, celebra a inclusão no bloco. Ele se mostra otimista com a pesquisa da professora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, sobre o composto polilaminina, que mostrou resultados promissores na regeneração de lesões medulares e aguarda aprovação da Anvisa para estudos clínicos.

De acordo com o IBGE, o Brasil tem 18,6 milhões de pessoas com deficiência a partir de 2 anos, representando 8,9% da população nessa faixa etária, com a deficiência visual sendo a mais comum, afetando cerca de 3,1%.

Com informações da Agência Brasil

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