O Bloco Quizomba desfilou na terça-feira (17) no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, arrastando uma multidão com os temas ‘Verde que te Quero Ver’, focado na conscientização ambiental, e o combate ao feminicídio.
O fundador e mestre de bateria, André Schmidt, explicou que o bloco busca alertar sobre a importância de pensar no futuro do planeta e na recuperação dos biomas. ‘Nossa ideia é de levar para a avenida a necessidade de pensar o futuro do planeta’, disse ele.
Sobre o tema do feminicídio, o bloco firmou parceria com o Levante Mulheres Vivas, movimento contra a violência às mulheres. Schmidt destacou: ‘O carnaval é um teatro a céu aberto e como todo teatro a gente tem momentos de reflexão, ainda mais aqui no Brasil que o feminicídio só aumenta. Nós, homens, temos que nos conscientizar, temos que falar com outros homens, que têm que apoiar a pauta feminista’.
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que, em 2025, a Justiça brasileira julgou em média 42 casos de feminicídio por dia, totalizando 15.453 julgamentos, o que representa um aumento de 17% em relação ao ano anterior. No mesmo período, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, equivalente a 70 por hora.
A bateria do bloco, composta por 160 integrantes formados na oficina de percussão do Quizomba no Circo Voador, é plural e mistura ritmos como samba, axé, marchinha, samba reggae, rock e pop rock. Criado em 2001 a partir de uma reunião de amigos com o objetivo de levar a diversidade musical brasileira às ruas, o bloco foi precursor da revitalização do carnaval carioca.
Participantes como a publicitária Patrícia Lima, que toca tamborim e se juntou ao bloco há três anos atraída pelo repertório diversificado, e a professora Andreia Martins, de Juiz de Fora, que veio pela primeira vez para o carnaval no Rio, elogiaram os temas. Lima destacou o repertório com MPB, samba-enredo e rock, enquanto Martins enfatizou a importância da preservação ambiental e da ancestralidade reforçada pelos tambores.
