A manhã desta quarta-feira, 4 de março, no Movimente 2026, em Brasília, reuniu especialistas e lideranças femininas para discutir temas como educação dos filhos, políticas públicas voltadas à autonomia das mulheres e a capacidade de adaptação como estratégia para a vida pessoal e profissional.
A educadora e influenciadora digital Ivana Jauregui abriu a programação com a palestra “Como fazer que seu filho te obedeça”. Criadora do Método Mãe Plena, ela defendeu que educar com respeito não significa ausência de autoridade.
Segundo Ivana, o excesso de liberdade pode gerar insegurança nas crianças. “Limite dá segurança. Excesso de liberdade causa caos”, afirmou. Para ela, educar com respeito não significa abrir mão de regras e orientações claras no processo de criação.
Entre as estratégias apresentadas, Ivana explicou a chamada “técnica dos 10 minutos”. Após dar uma orientação clara, os pais devem manter a decisão com firmeza, acolhendo os sentimentos da criança, mas sem recuar. “Acolha, valide e dê a ordem novamente. No início será preciso repetir, mas manter a decisão ajuda a mudar comportamentos. A criança aprende que você não volta atrás”, explicou.
A palestrante também chamou atenção para o risco de projetar frustrações pessoais na criação dos filhos. “Magoadas pelos autoritarismos que vivemos, muitas vezes queremos dar aos filhos aquilo que não tivemos. Mas eles não precisam viver nossos sonhos. Precisamos cuidar da nossa criança ferida, não transferir isso para eles”, ressaltou.
Assistência social e educação como garantias de direitos
O segundo painel, “Assistência Social e educação como garantias de direitos”, reuniu a primeira-dama do Distrito Federal, Mayara Noronha Rocha, a secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marr, e a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá. O debate abordou políticas públicas voltadas à proteção social e à autonomia das mulheres.
Mayara Noronha Rocha destacou que muitas mulheres em situação de violência ainda enfrentam dificuldades para acessar os mecanismos de proteção do Estado. Entre as iniciativas citadas estão a gratuidade no transporte público para que vítimas possam buscar atendimento e cursos de capacitação com bolsas de auxílio.

“Ter autonomia financeira impede que a mulher se submeta à violência e aos abusos. Dignidade é ter autonomia, poder de escolha e a possibilidade de empreender com apoio”, afirmou.
Ana Paula Marr ressaltou que o debate sobre empreendedorismo precisa considerar as condições básicas de sobrevivência de muitas famílias. “É impossível falar de empreender para alguém que, às vezes, não tem o que comer em casa. O Estado precisa garantir o mínimo para que essa mulher possa buscar independência”, disse.
Já Hélvia Paranaguá destacou a importância da ocupação de espaços de liderança pelas mulheres. “A educação é uma área majoritariamente feminina, mas a secretaria era composta, em sua maioria, por homens. Precisamos ocupar esses espaços”, afirmou. Ela também ressaltou a importância da creche e da escola para que mães possam trabalhar ou empreender.
Durante o painel, foi citado como exemplo o caso do Centro de Ensino Médio 111, do Recanto das Emas, selecionado como finalista do Prêmio Zayed de Sustentabilidade. As estudantes Micaelly Mesquita e Pollyana Feitosa representaram o Brasil em Dubai com projetos voltados à ciência e sustentabilidade.
Adaptabilidade como estratégia de sucesso

Encerrando a programação da manhã, a psicóloga, humorista e influenciadora Lorrane Silva, conhecida como Pequena Lô, apresentou a palestra “Adaptabilidade como Estratégia de Sucesso”. Com mais de 10 milhões de seguidores nas redes sociais, ela compartilhou sua trajetória e falou sobre inclusão, representatividade da pessoa com deficiência e construção da autoestima.
Segundo a influenciadora, a capacidade de adaptação faz parte da trajetória de qualquer pessoa que busca construir novos caminhos. “Acredito que todos passamos a vida inteira nos adaptando, especialmente quando falamos de empreender, seja na vida pessoal ou profissional. A vida me trouxe desafios e eu precisei me adaptar para chegar até aqui. Parei de andar aos 11 anos e tive que escolher entre me lamentar ou me adaptar. Ali fiz a minha primeira grande adaptação”, contou.
Pequena Lô também destacou que passou a reconhecer sua própria trajetória como empreendimento. “Eu sou uma empresa. Quando me tornei conhecida e comecei a receber propostas de marcas, entendi que era empreendedora. Passei a compreender a importância de investir em mim e no meu próprio mercado de trabalho”, concluiu.
Créditos das Notícias Sebrae DF
