Agentes de Vigilância Ambiental em Saúde são homenageados pela CLDF
Cerimônia destacou os bons resultados do Projeto Wolbito, que utiliza mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia para impedir a transmissão de Dengue, Zika e Chikungunya
Servidores fundamentais na prevenção de doenças e no controle de riscos ambientais e de vetores que afetam a saúde da população, os Agentes de Vigilância Ambiental em Saúde do DF (AVAS) foram homenageados no Plenário da Câmara Legislativa nesta quinta-feira (19). A solenidade foi conduzida pelo deputado Jorge Vianna (PSD) e contou com a participação de representantes da categoria, da Secretaria de Saúde do DF e do Ministério da Saúde.
Durante a cerimônia, Vianna destacou dados significativos sobre a atuação recente dos AVAS no combate às arboviroses, doenças virais transmitidas principalmente por artrópodes (mosquitos e carrapatos). Segundo o parlamentar, em 2025 houve redução de 96% dos casos prováveis de dengue em comparação com 2024.
Para o distrital, o resultado é fruto de um conjunto de ações integradas, o que inclui a estratégia inovadora do Projeto Wolbito, conduzido pela Vigilância Ambiental. Vianna defendeu o fortalecimento das políticas de prevenção, com mais inteligência sanitária e maior valorização da categoria profissional.
“Hoje é dia de exaltar o que vocês [AVAS] fazem pela sociedade. Queremos despertar em vocês o orgulho pelo trabalho que realizam e, ao mesmo tempo, conscientizar a população sobre a importância dessa categoria na saúde coletiva”, afirmou.
O deputado também aproveitou a solenidade para declarar apoio ao desmembramento das carreiras de Agentes de Vigilância Ambiental em Saúde (AVAS) e Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Segundo ele, carreiras separadas teriam mais condições de negociar melhorias específicas. “Na minha opinião, já passou da hora de vocês terem uma carreira própria”, pontuou.
O subsecretário de Vigilância à Saúde, Rodrigo de Assis, lembrou que, além do combate ao mosquito transmissor da dengue, Zika e Chikungunya, os agentes atuam no controle de doenças relacionadas ao ambiente e a outros vetores, como leishmaniose, doença do carrapato e febre amarela.
“O trabalho de prevenção é silencioso e, muitas vezes, invisível. Mas basta uma falha para que a sociedade perceba o quanto ele é essencial”, declarou Rodrigo.
O Projeto Wolbito
Implementado no Distrito Federal entre setembro de 2025 e março deste ano, o Projeto Wolbito utiliza uma tecnologia inovadora no combate à dengue e a outras arboviroses. A iniciativa consiste na criação e liberação controlada do mosquito Aedes aegypti infectado com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento e a transmissão dos vírus no organismo do inseto. A estratégia é considerada segura e não oferece riscos à saúde humana ou animal.
No DF, a ação foi viabilizada por meio de uma biofábrica instalada pela Secretaria de Saúde, responsável pela produção em larga escala dos Wolbitos, liberados em regiões com maior incidência da doença. Ao se reproduzirem com os mosquitos locais, eles disseminam a bactéria para as próximas gerações, reduzindo gradualmente a capacidade de transmissão dos vírus.
O projeto integra uma política de prevenção sustentável implementada pelo Ministério da Saúde e executada pela Secretaria de Saúde do DF, com atuação direta dos AVAS.
“Hoje celebramos mais do que um projeto: celebramos o resultado de um esforço coletivo. É um momento de reconhecer quem fez isso dar certo, com cuidado, consistência e compromisso com algo maior”, destacou Andrea Ferreira Leite, representante do Projeto Wolbito no DF.
O chefe do Núcleo de Controle Químico e Biológico da SES-DF, Anderson Morais Leocádio, apresentou números que demonstram a magnitude da iniciativa. Segundo ele, foram liberados 45 milhões de mosquitos no DF e outros 17 milhões em cidades do entorno, totalizando mais de 60 milhões de wolbitos ao longo das 26 semanas do programa.
O impacto foi imediato: 60% dos mosquitos coletados posteriormente já apresentavam a bactéria Wolbachia. Além disso, houve redução de 67% nos casos prováveis de dengue e eliminação de casos confirmados em algumas regiões. “O projeto foi bastante ambicioso e já alcançamos resultados expressivos”, afirmou.
Representando a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Jorge Carlos Santos Costa explicou que, no Brasil, a tecnologia foi desenvolvida pelo pesquisador Luciano Moreira, da Fiocruz Minas Gerais. Para ele, o método é um exemplo concreto de como a ciência pode ser transformada em solução prática para a saúde pública.
“No DF, mais de 560 mil habitantes serão protegidos contra dengue, Zika e Chikungunya. Isso não seria possível sem o trabalho essencial dos agentes de vigilância ambiental”, destacou.
Representantes do projeto destacaram que já existem tratativas junto ao Ministério da Saúde para uma segunda fase do programa. Ao final da cerimônia, o deputado Jorge Vianna entregou moções de louvor aos agentes de vigilância ambiental em reconhecimento à dedicação e ao compromisso com a saúde pública.
Com Informações da Câmara Legislativa DF
