Artesãos, manualistas, empreendedores da economia criativa e de outros setores distintos da economia estiveram presentes ao Sebraelab, no Parque Tecnológico de Brasília (BioTIC), para a terceira edição do Lab Day em 2026.O encontro, promovido pelo Sebrae no Distrito Federal na noite da última terça-feira, 31 de março, buscou fortalecer todo o ecossistema criativo local por meio de uma programação estratégica focada na inovação e em ampliar o acesso desses profissionais a novos mercados.
Durante a abertura, o gerente de Negócios em Rede do Sebrae no DF, Carlos Cardoso, destacou a capital federal como um caldeirão cultural que une raízes de todo o país para criar uma identidade própria. “É uma imensa satisfação trabalhar com a arte, com o profissional artesão e o manualista. Vocês resgatam o que há de mais profundo em nossas raízes. Brasília é formada por diversos Brasis e é dessa diversidade cultural que nasce a nossa própria iconografia”, afirmou.
Carlos reforçou que o suporte do Sebraelab está de portas abertas. Ele destacou que o time de especialistas em startups, sustentabilidade e tecnologia atua diretamente para converter o talento individual em negócios competitivos, escaláveis e prontos para o mercado.
Na sequência, a programação do evento reservou um espaço para uma breve apresentação das estratégias de fomento do Sebrae no DF. O gestor do projeto Brasília Feito à Mão, Felipe Fernandes, detalhou os quatro eixos de atuação da instituição, voltados a transformar o talento criativo em negócios sustentáveis e lucrativos. Ele também falou sobre as janelas de mercado para 2026 que o Sebrae irá apoiar, incluindo a participação em feiras nacionais e edição da CASACOR Brasília.
Felipe aproveitou a oportunidade e ressaltou que o posicionamento de mercado exige hoje um olhar atento à sustentabilidade, já que 75% dos consumidores brasileiros de artesanato valorizam a produção consciente. Nesse cenário, ele apresentou a cartilha ABC do Artesanato Circular, uma iniciativa do Sebrae lançada recentemente no Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), no Rio de Janeiro. O material funciona como um guia prático para artesãos que buscam integrar os princípios da economia circular em seus negócios, transformando resíduos em produtos de alto valor agregado.

Outra oportunidade destacada por Felipe foram as inscrições para as edições de 2026 do Prêmio Brasília de Artesanato e do Prêmio Brasília Manualistas. As iniciativas, direcionadas a profissionais do Distrito Federal, buscam difundir a produção autoral do território brasiliense, incentivar a inovação técnica e reafirmar o valor cultural dessas peças dentro da economia criativa local.
Os interessados têm até o dia 5 de junho para se candidatar às premiações. Para o Prêmio de Artesanato, os candidatos devem acessar o site oficial (www.premiobrasiliadeartesanato.com.br). Já para o Prêmio Manualistas, a inscrição deve ser feita exclusivamente pelo portal: www.premiobrasiliamanualistas.com.br.
Por fim, Felipe reforçou ao público a proposta do Lab Day vai além do networking, funcionando como uma ferramenta estratégica para profissionalizar a imagem do artesanato brasiliense frente às exigências digitais. “O Lab Day é o momento ideal para romper barreiras e gerar conexões. Queremos que o artesão, o manualista e o designer não se conectem apenas entre si, mas que interajam com o universo das startups e da tecnologia para encontrar soluções práticas para seus negócios”, pontuou.
“Além disso, trouxemos um olhar especial para a presença digital. Muitos possuem produtos belíssimos, mas enfrentam dificuldades em apresentar essa qualidade em fotos e vídeos. Nossa missão aqui é estimular essa busca por referências visuais e técnicas de iluminação, garantindo que o artesanato do DF tenha a estética e a competitividade que o mercado atual exige”, completou Felipe.
A exemplo das edições anteriores, a programação do Lab Day abriu espaço para um momento de pitches, com o propósito de funcionar como uma vitrine estratégica para donos de pequenos negócios locais.

Participaram desta edição representantes da A Porta 614, agência especializada em estratégias de branding para pequenos empreendimentos, e da Flor de Algodão, marca de moda ecológica e autoral que utiliza o algodão colorido desenvolvido pela Embrapa para criar peças atemporais e de baixo impacto ambiental. Também marcaram presença a Poupinvista, consultoria focada em educação financeira e mudança de comportamento; a Agência Magnum, referência em marketing 360º com foco em tráfego pago e gestão de redes sociais no Entorno e no Distrito Federal; e a DropSusten, uma startup que atua como uma plataforma que conecta fabricantes brasileiros de itens ecológicos ao consumidor final e ao varejo, abrangendo setores como cosméticos, eletrônicos e vestuário.
A programação do evento reservou, ainda, um espaço de destaque para o compartilhamento de trajetórias reais, momento no qual empreendedoras detalharam a transição do fazer artesanal para a gestão de negócios competitivos. Fundadora da Luli Acessórios, Camila Pinangé relatou sua jornada de seis anos marcada pela busca de equilíbrio entre a vida familiar e a sustentabilidade financeira. Ela enfatizou que o sucesso no artesanato não deve ser medido apenas pelo volume de vendas, mas pela capacidade de agregar valor às peças. Camila explicou que, ao investir em acabamento impecável e em vitrines estratégicas como a CASACOR, conseguiu elevar suas margens de lucro mesmo produzindo em menor escala.

A empresária reforçou a importância da experimentação constante e da paciência para compreender o comportamento do público, destacando que o artesão precisa estar disposto a ajustar rotas e buscar referências de qualidade para diferenciar seu produto no mercado.
Já a designer de interiores Acsa Duarte compartilhou como reinventou sua atuação profissional. Para ela, a clareza sobre o perfil do cliente é o primeiro passo para o êxito, seguido rigorosamente pela excelência técnica e pelo investimento em fotografia profissional.
Acsa defendeu que o ambiente digital deve ser encarado com o mesmo rigor de uma loja física, exigindo constância, autenticidade e humanização para gerar confiança no consumidor remoto. Ela pontuou que uma imagem bem iluminada e composta é capaz de valorizar o produto por si só, mas ressaltou que a sustentabilidade do negócio depende de uma precificação justa e de técnicas de venda que permitam flexibilidade nas negociações, transformando o talento manual em uma empresa estruturada e lucrativa.
O encerramento da terceira edição do Lab Day foi marcado por uma oficina de fotografia e vídeo, seguida de uma dinâmica de networking tecnológico voltada para os empreendedores presentes.

A estratégia de conexão foi iniciada ainda no credenciamento, momento em que cada participante forneceu dados como nome, profissão e contato, que foram compilados por uma plataforma para a geração de QR Codes exclusivos e que foram impressos nos crachás do evento.
O método permitiu que, ao apontar a câmera de seus smartphones para os códigos, os empreendedores presentes ao Sebraelab estabelecessem novos contatos em poucos segundos e com apenas um clique. Desse modo, foram a criadas centenas de conexões estratégicas.
A próxima edição do Lab Day está prevista para ocorrer no dia 28 de abril, a partir das 18h, novamente no Sebraelab. O encontro será dedicado a explorar os pilares da sustentabilidade e do impacto social no mundo dos negócios.
Créditos das Notícias Sebrae DF
