Estudantes da UFG criam plataforma com IA para ajudar prefeituras a tomar decisões e melhorar serviços públicos

Dhiego Emmanuel de Souza Andrade, Leonardo Marianos dos Santos, Caio Rosa Santos, Gabriel Eduardo e Maryanna Victoria, estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG), campus de Cidade Ocidental, resolveram colocar a mão na massa e os ensinamentos adquiridos em sala de aula e estão desenvolvendo uma plataforma digital que promete auxiliar prefeituras na tomada de decisões e na gestão de serviços públicos. Da vivência do curso de Inteligência Artificial para Políticas Públicas nasceu a UrbanAI, a ferramenta utiliza inteligência artificial (IA) para cruzar dados e indicar, de forma mais técnica, onde investir recursos e como priorizar demandas da população.

A ideia surgiu a partir da vivência prática de um dos integrantes do grupo na gestão pública. Segundo Gabriel Eduardo, decisões sobre obras e serviços muitas vezes são tomadas sem base técnica, o que pode gerar distorções no desenvolvimento das cidades. “Às vezes você precisa decidir onde construir uma escola ou uma creche e isso acaba sendo feito sem análise de dados. Isso sempre me incomodou. A proposta é ajudar o gestor a tomar decisões mais qualificadas, mostrando caminhos possíveis”, explica.

A plataforma foi pensada para funcionar como um sistema integrado de apoio à gestão municipal. O primeiro módulo já desenvolvido foca justamente na definição de locais ideais para instalação de equipamentos públicos, como escolas, unidades de saúde e centros de assistência social, considerando fatores como densidade populacional e vulnerabilidade social.

Além disso, o projeto prevê outros três módulos. Um deles é voltado ao desenvolvimento econômico, com análise de abertura e fechamento de empresas e identificação de áreas com potencial para novos negócios. Outro permite a participação direta da população, que poderá registrar problemas urbanos — como buracos, postes com lâmpadas queimadas, fios soltos ou mato alto — por meio de chatbot com geolocalização.

O quarto módulo é focado em comunicação ativa com o cidadão. A proposta é que o sistema envie notificações automáticas, como lembretes de vacinação infantil ou orientações sobre serviços públicos próximos à residência. “Queremos criar um canal direto entre prefeitura e população. A pessoa pode avisar sobre um problema pelo celular, e o gestor consegue visualizar tudo organizado. Ao mesmo tempo, o cidadão recebe informações importantes no dia a dia”, detalha Leonardo Marianos.

O projeto começou há cerca de seis meses e já conta com um protótipo funcional, desenvolvido ao longo das disciplinas do curso. A equipe reúne estudantes com diferentes formações e experiências, incluindo áreas como gestão pública, economia, dados e desenvolvimento de software.

Segundo os alunos, o maior desafio tem sido integrar bases de dados públicos, que no Brasil ainda são dispersas e pouco conectadas entre si. A proposta é reunir informações de áreas como saúde, educação, economia e segurança em um único ambiente. “O objetivo é transformar uma grande quantidade de dados em informações claras para o gestor. A gente quer sair do nível macro e chegar até o nível dos bairros, indicando, por exemplo, onde há mais idosos ou onde falta infraestrutura”, afirma.

A plataforma é pensada, principalmente, para cidades de pequeno e médio porte, com cerca de 600 mil habitantes, que geralmente não possuem ferramentas tecnológicas avançadas para planejamento urbano.

Leonardo pensa em sanar problemas comuns de infraestrutura dos municípios. Foto: Graciliano Cândido/ Jornal Opção

Apesar do avanço, o grupo ainda busca apoio financeiro para ampliar a infraestrutura tecnológica, especialmente para armazenamento e processamento de dados. A estimativa inicial é de investimento entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. “É uma ideia ambiciosa, mas com potencial de impacto real. Se a gente conseguir melhorar a gestão em uma cidade, isso já vira referência para outras”, avalia Leonardo.

A Prefeitura de Cidade Ocidental já demonstrou interesse no projeto, especialmente no módulo econômico, e deve ser a primeira a testar a ferramenta. A ideia dos estudantes é implementar o sistema inicialmente no município de forma gratuita, como projeto piloto, antes de expandir para outras cidades.

A expectativa da equipe é concluir o módulo econômico nos próximos dias e iniciar as primeiras apresentações formais para gestores públicos.

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