A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado encerrou os trabalhos nesta terça-feira (14) com a rejeição do relatório final por 6 votos a 4. O parecer, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), previa o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República, mas não obteve apoio da maioria do colegiado.
Com a decisão, a CPI chega ao fim sem um relatório final aprovado — o que esvazia formalmente o envio das conclusões às autoridades competentes.
O documento de cerca de 220 páginas pedia o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade.
A reta final da CPI foi marcada pela concentração das investigações no chamado caso do Banco Master, que passou a ser o eixo central dos trabalhos. O relatório também apontava conexões entre o crime organizado e o sistema financeiro, indicando que facções e milícias utilizam instituições e mecanismos formais para lavagem de dinheiro e movimentações bilionárias.
Além disso, havia suspeitas envolvendo operadores financeiros ligados ao banco e possíveis vínculos com esquemas internacionais de tráfico e ocultação de recursos ilícitos.
Os trabalhos da comissão foram marcados por embates com o STF e decisões judiciais que, segundo parlamentares, limitaram medidas como quebras de sigilo e convocações obrigatórias.
Também houve tentativa frustrada de prorrogação da CPI por mais 60 dias, o que acabou mantendo o encerramento no prazo original, mesmo com investigações em andamento.
Diagnóstico do crime organizado
Apesar da rejeição, o relatório traçou um panorama da criminalidade no país, indicando que organizações criminosas operam com alto grau de sofisticação e integração com atividades econômicas formais.
O documento destacou que a lavagem de dinheiro é o principal mecanismo de sustentação dessas organizações, com uso de setores como mercado imobiliário, combustíveis, ouro e plataformas digitais.
Também foram apontados o uso de fintechs, criptomoedas e fundos de investimento para ocultação de recursos ilícitos.
Sem a aprovação do parecer, as conclusões e pedidos de indiciamento não serão formalmente encaminhados como posição oficial da CPI ao Ministério Público ou a outros órgãos.
A comissão foi instalada em novembro de 2025 para investigar facções, milícias e esquemas de lavagem de dinheiro, e encerra os trabalhos sob questionamentos sobre a efetividade dos resultados alcançados.
