*Por Cintia Ferreira
Um vídeo registrado no Hospital de Base do Distrito Federal, mostra pacientes deitados no chão, cobertos por lençóis, em meio à superlotação e à falta de leitos na unidade. As imagens também mostram outro paciente aguardando atendimento em uma cadeira de rodas.
O registro foi feito por uma colaboradora do hospital, que relatou ter se deparado com a situação ao chegar para o plantão.
Em nota, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) confirmou que as imagens correspondem à data citada e informou que, naquele dia, o pronto-socorro da unidade registrava 214 pacientes internados simultaneamente. Segundo o órgão, o cenário foi provocado pela alta demanda por atendimentos.
A gestão afirmou ainda que, após tomar conhecimento da situação, houve intervenção imediata das equipes. De acordo com o instituto, os pacientes foram acolhidos e direcionados para atendimento adequado, seguindo os protocolos estabelecidos.
O IgesDF destacou também que mantém monitoramento contínuo dos fluxos assistenciais, com atuação permanente das equipes para reorganização dos espaços e garantia da segurança dos pacientes.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam, no entanto, que manter pacientes no chão contraria normas sanitárias e protocolos básicos de segurança. Diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) estabelecem critérios rigorosos de higiene, controle de infecções e assistência adequada, que não incluem esse tipo de prática.
O contato direto com o piso hospitalar aumenta o risco de infecções e pode agravar o estado clínico dos pacientes. Ambientes de saúde exigem superfícies com alto padrão sanitário, como pisos impermeáveis e de fácil desinfecção, justamente para reduzir riscos de contaminação.
A situação gerou revolta entre moradores e usuários do sistema público de saúde, que relataram problemas semelhantes em outras unidades. “O salário é mínimo, o imposto é máximo, e o respeito, a dignidade é zero”, afirmou um internauta.
Outra usuária disse que o problema não é pontual. “Isso não aconteceu só em um dia por alta demanda. Todo dia tem pessoas nos corredores, no chão, em cadeiras, internadas”, relatou.
Há também relatos de dificuldades em outras unidades de saúde do DF. “Todos os hospitais estão na mesma situação. Meu marido está no HRT e lá não está diferente, nem medicação tem. Aparelho para medir glicemia eu levei de casa, é um absurdo”, disse outra pessoa.
As denúncias reforçam críticas sobre a capacidade de atendimento da rede pública de saúde no Distrito Federal e reacendem o debate sobre estrutura, gestão e investimento no sistema.
