A situação do Banco de Brasília (BRB) ganhou novos contornos após o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmar que não cabe ao Tesouro Nacional socorrer a instituição. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na segunda-feira (5), o ministro disse que a responsabilidade sobre o banco é do Governo do Distrito Federal (GDF). “Esse é um debate que não pode ser empurrado para o governo federal como se tem pretendido fazer pelo GDF. O BRB é um problema do GDF. Não podemos pegar dinheiro público para cobrir um rombo de um caso que, no mínimo, está mal explicado”, declarou.
Durigan também mencionou a possibilidade de uso do Fundo Constitucional do Distrito Federal como garantia para operações de crédito. No entanto, especialistas apontam limitações. Segundo o economista Cesar Bergo, o fundo pertence ao DF e é destinado a áreas como segurança e educação, não podendo ser usado diretamente para cobrir prejuízos do banco.
Apesar disso, ele explica que os recursos podem servir como base para uma “engenharia financeira”, funcionando apenas como garantia para eventuais empréstimos ao governo local.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que o Banco Central pode intervir no BRB. A medida permitiria a nomeação de um interventor para assumir o controle administrativo da instituição, afastando a atual diretoria e conduzindo um processo de reorganização.
De acordo com Bergo, a intervenção é adotada quando o regulador entende que o banco ainda tem condições de continuar operando, mas enfrenta problemas de gestão. “É uma tentativa de recuperar a saúde financeira da instituição. A propriedade continua sendo do GDF, mas o controle passa para o interventor”, explica.
A medida é vista como um sinal de falhas administrativas, mas também como alternativa menos drástica do que a liquidação do banco. Durante a intervenção, o funcionamento da instituição segue normalmente, sem impacto direto para clientes, servidores ou aposentados que recebem pelo BRB.
Internamente, no entanto, o processo pode gerar desmotivação entre funcionários e exigir mudanças profundas na governança e nos controles.
Possível privatização
Outra possibilidade em discussão é a privatização do banco. Nesse caso, haveria mudança estrutural, com a entrada de novos controladores e alteração na gestão. Diferentemente da intervenção, a privatização pode trazer impactos mais amplos no funcionamento da instituição.
Segundo relatos, dirigentes do BRB já foram alertados pelo presidente do Banco Central sobre os riscos de intervenção, diante de problemas como falta de transparência e atraso na divulgação de informações financeiras.
Prazo curto
O Banco de Brasília tem até 30 de maio de 2026 para fazer um aporte de R$ 8 milhões no caixa da instituição. Por isso, a preocupação é grande com o prazo de conseguir esses valores, nos próximos 25 dias.
