CLDF recebe 1ª Feira Vegana do Distrito Federal com foco em economia sustentável
Iniciativa reúne empreendedores locais para promover o consumo consciente, a gastronomia vegetal e incentivar estilos de vida livres de exploração animal
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) organizou, nesta terça-feira (5), a 1ª Feira Vegana do DF, evento destinado a fomentar o empreendedorismo local e a conscientização sobre o consumo sustentável. Localizada na Galeria do Espelho d’Água por iniciativa do deputado Ricardo Vale (PT), em parceria com a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e a União Planetária, a feira reuniu 13 expositores de produtos livres de origem animal.
“Com a realização da Feira Vegana, a CLDF promove o incentivo à alimentação de base vegetal e cria oportunidades para que pequenos comerciantes disponibilizem seus produtos. A iniciativa fomenta, simultaneamente, a economia sustentável e a adoção de hábitos de vida mais saudáveis pela população do Distrito Federal”, explica Ricardo Vale.
Para Mila Monteiro de Barros, coordenadora da SVB Brasília, a feira é uma oportunidade para mostrar que o veganismo vai além de frutas e legumes in natura. “A gente está vendo aqui uma série de outros produtos com aparência e paladar extremamente apetitosos, muito bem-preparados. Estamos aqui para mostrar que ser vegano é uma delícia”, afirmou Mila. Ela ainda destacou pesquisas recentes apontando que 74% dos brasileiros teriam interesse em experimentar essa alimentação se ela fosse mais acessível. “Estamos aqui também para romper uma barreira e mostrar que o estilo de vida vegano é, sim, acessível”, complementou.
Ela ressaltou que iniciativas legislativas são fundamentais para superar obstáculos legais, como a obrigatoriedade de certas proteínas animais nas escolas. Ela destacou o projeto do deputado Ricardo Vale, que permite a solicitação da merenda vegana por declaração dos pais, eliminando a necessidade de laudos médicos e facilitando a manutenção desse estilo de vida para os alunos no DF.
Outro mito combatido no evento é o de que a dieta vegetal seria necessariamente cara. Alife Campos, da Norte Vegano, adapta pratos tradicionais da região Norte para versões vegetais com preços acessíveis. Um exemplo é o uso de castanha de caju e levedura nutricional para criar um requeijão artesanal. “A gente pensou em fazer produtos com custos mais acessíveis. Produtos artesanais com bastante qualidade”, ressaltou Alife.

Gastronomia funcional e artesanal
O setor de bebidas e alimentos fermentados também marcou presença. Carlos Anderson Vieira, da Quintessência Kombucha, viu sua produção saltar de 9 para 250 litros mensais, refletindo o crescimento do interesse por bebidas que substituem refrigerantes. “A kombucha é uma bebida funcional com efeitos probióticos, ela organiza a microbiota do sistema digestivo e do intestino”, explicou o empreendedor, que utiliza sucos 100% integrais e nada de origem animal.
Para Carlos, a iniciativa da Câmara Legislativa de abrir suas portas para a exposição de produtos veganos ajuda a fortalecer o mercado e os produtores locais. “Um dos desafios é conscientizar as pessoas de que elas precisam cuidar melhor de sua saúde e seu bem-estar, deixar de consumir produtos nocivos à sua saúde, como refrigerantes e sucos industrializados. Nesse sentido, a iniciativa da feira é muito valiosa”, completou.
Na linha dos queijos vegetais, a empresa Nosso Tofu, representada por Dulce Coelho e Ana Paula Silveira, produz tofu artesanalmente há dois anos. Além do tofu, elas oferecem pastas, bolinhos e até feijoada vegana sob encomenda. Ana Paula destaca a versatilidade do grão: “A soja não tem tanto sabor, ela é neutra. Mas se a pessoa souber temperar, fica muito saboroso”, declarou.
Beleza e moda com propósito
O veganismo na feira não se limitou à alimentação. Natália Renovato, da Cuidados do Cerrado, produz cosméticos naturais e artesanais há cinco anos. Ela enfatiza a importância de produtos livres de testes em animais e químicos nocivos. Seu shampoo sólido, por exemplo, dispensa embalagens plásticas e rende o dobro da versão líquida.
“Hoje tem muitos cosméticos que você pode olhar o rótulo e buscar se, de fato, há o selo de vegano, porque existe uma leva gigante de produtos testados em animais. Do batom até a base, o shampoo, muita coisa passa por testes e a gente, inocentemente, usa sem entender. É preciso se conscientizar para abraçar essa causa e trocar químicos nocivos por alternativas naturais”, explicou a empreendedora.
No vestuário, Luz Weber apresentou bolsas e acessórios produzidos com algodão, jeans reaproveitado e resíduos da indústria têxtil. Ela explicou que o veganismo na moda significa banir o uso de itens de origem animal das peças de vestuário, como o couro, a lã e a seda. “O veganismo é um estilo de vida, uma mudança completa de hábitos de como a gente enxerga a realidade que a gente vive. A mudança deriva da consciência que tenho de que precisamos todos viver bem no planeta que temos”, definiu a artesã.

Ética e saúde: a virada de chave
A motivação ética é o motor de muitos participantes. Suzana Coelho, vegana há 15 anos, conta que sua transição começou pelo afeto aos seus animais de estimação. Ao observar o amor que sentia por seus pets, ela passou a questionar por que não estendia esse mesmo olhar de compaixão aos outros animais utilizados pela indústria. Para ela, o veganismo é uma percepção profunda da exploração animal em diversos setores, indo além do prato para alcançar também a indústria de vestuário.
Além da questão animal, ela relata benefícios diretos à saúde: “Em questão de saúde, eu melhorei muito. Quando eu comia carne, vivia com anemia. Hoje em dia não tenho mais”, contou.
Com Informações da Câmara Legislativa DF
