Teleconsulta nas UPAs do DF supera 23 mil atendimentos em um ano

Teleconsulta nas UPAs do DF supera 23 mil atendimentos em um ano Serviço pioneiro no país amplia acesso ao SUS, reduz o tempo de espera e mu…


Teleconsulta nas UPAs do DF supera 23 mil atendimentos em um ano
Serviço pioneiro no país amplia acesso ao SUS, reduz o tempo de espera e muda a dinâmica de atendimento nas unidades administradas pelo IgesDF
Há um ano, o Distrito Federal passava a contar com uma experiência inédita na saúde pública brasileira: a primeira teleconsulta implantada dentro de uma unidade de pronto atendimento (UPA). O serviço, iniciado em maio de 2025 na UPA de Vicente Pires, transformou a dinâmica de atendimento nas unidades administradas pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) e já soma 23.477 atendimentos realizados.

Criada para atender pacientes classificados com menor gravidade, a estratégia ajudou a reduzir o tempo de espera nas UPAs e permitiu que as equipes presenciais concentrassem esforços nos casos mais urgentes. Do total de consultas realizadas neste primeiro ano, apenas 12,3% precisaram ser convertidas para atendimento presencial, geralmente em situações que exigiam exame físico complementar.

Os resultados refletem a expansão gradual do serviço ao longo dos últimos 12 meses. Depois da implantação pioneira em Vicente Pires, todas as outras unidades já contam com a teleconsulta: Gama, Ceilândia I e II, Samambaia, São Sebastião, Planaltina, Sobradinho, Brazlândia, Paranoá, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo II e Recanto das Emas. Nesse período, a média mensal de atendimentos saltou de 456, em maio de 2025, para 2.853 em abril deste ano.

Além das consultas médicas, o serviço também realizou 13.746 prescrições de medicamentos, 7.133 solicitações de exames laboratoriais e 3.159 exames de imagem. Entre os atendimentos feitos remotamente, 422 foram pediátricos, nas quatro UPAs que contam com a especialidade: Sobradinho, São Sebastião, Recanto das Emas e Ceilândia 1.

Criada para atender pacientes classificados com menor gravidade, a estratégia ajudou a reduzir o tempo de espera nas UPAs | Fotos: Ualisson Noronha/IgesDF

Para a gerente de Regulação em Saúde do IgesDF, Lilian dos Santos, os números demonstram que o modelo trouxe ganhos importantes para o funcionamento das unidades e para a experiência dos pacientes.

“Os dados assistenciais já demonstram resultados relevantes, especialmente na redução do tempo de espera dos pacientes classificados como verdes. A equipe médica presencial passou a ter maior disponibilidade para se dedicar aos casos de maior gravidade, contribuindo para mais fluidez dos fluxos e melhor utilização dos recursos assistenciais”, afirma.
Mais do que tecnologia
Segundo Lilian, um dos principais aprendizados ao longo da implantação foi compreender que a tecnologia, sozinha, não sustenta a qualidade do atendimento. “A teleconsulta vai muito além dos equipamentos e sistemas. O modelo fortaleceu aspectos fundamentais da assistência, como escuta qualificada, acolhimento e ampliação do acesso ao atendimento médico. No Centro de Telessaúde, o profissional consegue dedicar integralmente aquele momento ao paciente, com atenção direcionada e maior disponibilidade para esclarecer dúvidas”, destaca.

A chefe do Núcleo de Telessaúde do IgesDF, Amandha Roberta Fernandes, afirma que a iniciativa consolidou uma nova forma de atendimento dentro da rede pública do DF. “O método alia inovação, acesso e acolhimento para garantir atendimento mais ágil e orientação qualificada. É um projeto construído diariamente com dedicação e integração entre diversas áreas do instituto. Tenho muito orgulho de conduzir essa operação, que também carrega o compromisso de oferecer uma assistência mais acessível e eficiente para a população”, ressalta.
Na UPA de Vicente Pires, primeira unidade a receber o serviço, o gerente Jackson Alves afirma que a teleconsulta deu um salto de qualidade no fluxo assistencial. “Houve maior agilidade nas condutas médicas e ampliação do acesso da população aos serviços de saúde. É uma ferramenta que fortalece a capacidade de resposta das unidades e acompanha as necessidades da população”, pontua.

Já na UPA do Recanto das Emas, onde o serviço funciona exclusivamente para o público pediátrico, a gerente Idê Ingrid Rodrigues relata que o modelo trouxe mais tranquilidade a pacientes e familiares, principalmente nos períodos de maior movimento.Atualmente, os principais motivos de atendimento registrados pela teleconsulta envolvem casos de gastroenterite, síndromes respiratórias e sintomas gerais

“A teleconsulta pediátrica otimizou o fluxo de acolhimento, especialmente nos períodos de maior demanda. Hoje, a população já reconhece esse fluxo como mais rápido e eficiente, o que fortalece a confiança no serviço”, afirma.

Expansão do serviço

Atualmente, os principais motivos de atendimento registrados pela teleconsulta envolvem casos de gastroenterite, síndromes respiratórias e sintomas gerais, demandas frequentes nas UPAs e que exigem respostas rápidas para evitar agravamentos e sobrecarga nas unidades.

De acordo com Amandha Roberta Fernandes, o instituto também trabalha na modernização da estrutura tecnológica do serviço. “Estamos realizando estudos para a aquisição de estetoscópios e otoscópios digitais, equipamentos que irão ampliar a capacidade de avaliação clínica remota e oferecer ainda mais segurança aos atendimentos. O projeto também prevê reforço das equipes médicas do Núcleo de Telessaúde e ampliação da oferta do serviço”, explica.
A presidente do IgesDF, Eliane Abreu, afirma que a teleconsulta representa um dos principais avanços recentes na modernização da assistência pública do Distrito Federal. “Celebrar um ano da teleconsulta nas UPAs é celebrar uma transformação importante na forma de cuidar da população. O IgesDF vem investindo em inovação sem perder aquilo que é essencial na saúde: o olhar humano, o acolhimento e o compromisso com cada paciente que procura nossas unidades. Estamos construindo uma rede mais preparada, ágil e conectada às necessidades do cidadão”, completa.

*Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *