Por Cintia Ferreira
Em Cidade Ocidental, crianças e adolescentes enfrentam diariamente lama, poeira, buracos e falta de estrutura para conseguir chegar à escola. A realidade registrada por moradores do bairro Estrela Dalva 1, escancara problemas de infraestrutura urbana que seguem sem solução em bairros da cidade.
As imagens mostram ônibus escolares tentando atravessar ruas sem pavimentação adequada, em meio a poças d’água, barro e trechos praticamente intransitáveis. Em períodos de chuva, a situação se agrava e aumenta os riscos para estudantes e motoristas.
Além das condições precárias das vias, os alunos aguardam o transporte em locais improvisados, sem calçadas, cobertura ou pontos apropriados. Crianças permanecem expostas ao sol forte, à poeira e à chuva enquanto esperam pelo transporte.
Moradores afirmam que a situação já faz parte da rotina da comunidade e criticam a falta de prioridade para problemas considerados básicos. “O dinheiro que contratou o show do Hungria dava pra ter resolvido esse problema aí”, comentou um morador.
Outro relato aponta indignação com investimentos em eventos enquanto bairros convivem com dificuldades estruturais. “Enquanto isso a prefeitura tá colocando asfalto onde já tinha asfalto”, escreveu um internauta.
As reclamações aumentaram após o município divulgar concursos de decoração de ruas e eventos festivos ligados às celebrações juninas e da Copa. O que mais chamou atenção dos moradores foi o contraste entre as exigências do regulamento do concurso e a situação enfrentada em diversos bairros da cidade.
Entre as regras estabelecidas pela própria organização estão itens como preservação do asfalto, limpeza urbana e segurança da população. O regulamento proíbe, por exemplo, danificar ruas e calçadas ou comprometer a circulação de veículos e pedestres.
Ao mesmo tempo, moradores denunciam vias tomadas por buracos, lama e ausência de infraestrutura mínima para circulação de crianças e ônibus escolares. “Como fica a população? E as crianças sofrendo pra irem à escola?”, questionou uma moradora.
Outra crítica que ganhou repercussão envolve a realidade enfrentada por moradores em áreas essenciais do município. “Em meio a concursos de ruas mais bonitas decoradas da Copa e eventos de apresentação de resultados da gestão, moradores passam por situação de marmita de arroz com ovo nos hospitais, enquanto crianças não conseguem acesso digno ao transporte para chegarem às escolas”, diz o relato de uma moradora da cidade.
As premiações anunciadas no concurso também geraram questionamentos. A rua vencedora receberá troféu, 50 quilos de carne, barris de chope, refrigerantes e carvão para confraternização comunitária.
Para parte da população, porém, o momento exige outro tipo de prioridade. “A população não quer carne e chope. Quer condições de vida melhores”, afirmou um morador.
As críticas também levantam dúvidas sobre o crescimento urbano da cidade e a capacidade do município de acompanhar a expansão habitacional com serviços básicos de qualidade.
Moradores afirmam que a chegada de novos conjuntos habitacionais aumenta a preocupação sobre infraestrutura, mobilidade, saúde pública e segurança para quem vive nos bairros mais afastados.
Até o momento, não houve anúncio oficial de obras para recuperação das vias citadas pela comunidade. A prefeitura foi procurada para responder às críticas, porém, até o fechamento da reportagem, não houve manifestação.
