O futuro onde o mundo afundou e os oceanos são ambientes desconhecidos e cheios de perigos escondidos. Esse é o cenário do RPG tático “A Tale of Silent Depths”, um jogo brasileiro da Crit42 Studio lançado durante o Brasília Game Festival, que aconteceu no Estádio Mané Garrincha entre os dias 15 e 17 de maio. O Jornal de Brasília conversou com um dos desenvolvedores do jogo para saber mais sobre essa história.
“O A Tale of Silent Depths é um jogo onde você explora o fundo do mar pós-apocalíptico. Nessa situação você controla um submarino. É um submarino gigantesco que eu venho chamando no jogo de arca. É um jogo que tem o aspecto contemplativo, de exploração e de combate tático muito forte”, afirmou Eduardo de Azevedo dos Santos, fundador e diretor criativo do projeto.
Na história, o mundo foi submerso e a humanidade passou a viver na arca. “Você tem toda uma sociedade nova que se estabeleceu, toda uma situação nova, uma nova realidade nesse mundo completamente diferente do nosso”, disse Eduardo. O jogo pode ser acessado através da plataforma Steam.
A realização do A Tale of Silent Depths foi possível por meio do edital Start BSB, um programa de incentivo ao empreendedorismo inovador do Distrito Federal. A iniciativa é promovida pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), com apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti).
Nascido e criado em Brasília, Eduardo também falou da importância de lançar o jogo em um evento dessa magnitude na capital. “Para mim é simbólico. Eu estive presente em todos os Brasilia Game Festival como expositor desde o primeiro. Então, desde então foi sempre um impacto muito grande, ver esse evento crescendo e estando cada vez maior. A comunidade desenvolvedora daqui do Brasil é muito firme há muitos anos, você vê o público gamer tendo consciência que isso existe. É uma honra muito grande, lançar o jogo aqui para mim é a melhor situação possível”, relatou.
Lançamentos como esse têm feito o cenário gamer ganhar força na capital, explicou Miron de Lelis, diretor de eventos da Associação dos Desenvolvedores de Jogos Eletrônicos do DF (Abring). O Brasília Game Festival também é um fator relevante nisso tudo. “Um dos melhores momentos para o estúdio indie é você poder testar os jogos. É onde você avalia como melhorar o jogo, como melhor direcionar, qual caminho seguir para ele ser um um jogo de um grande sucesso. Então ter essa multidão passando e podendo testar o seu próprio jogo é muito importante para o desenvolvedor indie”, destacou Miron.
Ele ressaltou também o potencial do mercado gamer. “A gente está no patamar de um momento da indústria em que a renda, o dinheiro que está sendo feito na indústria de games já superou o cinema e a música. Então, aqui é uma porta de entrada para provar que há interesse, seja governamental, seja da parte privada”, completou.
O mundo submerso
No A Tale of Silent Depths, o jogador assume o papel de capitão de uma Arca. A estrutura é uma gigantesca base submarina móvel que funciona como lar, fortaleza e último refúgio da humanidade. O oceano é gerado proceduralmente, com rotas mutáveis, ruínas esquecidas, destroços, criaturas hostis e facções rivais disputando recursos escassos.
As decisões nunca são neutras. Explorar mais fundo pode render tecnologias raras ou despertar ameaças irreversíveis. Negociar garante sobrevivência no curto prazo, enquanto ataques podem comprometer alianças futuras. Tudo acontece em um ecossistema vivo, sustentado por inteligência artificial que evita padrões previsíveis.
O combate acontece em batalhas táticas por turnos, nas quais posicionamento, alcance, terreno e recursos limitados fazem toda a diferença. Drones personalizáveis funcionam como linha de frente, enquanto o próprio oceano impõe riscos constantes.
Responsável por A Tale of Silent Depths, a Crit42 Studio é um estúdio independente brasileiro com foco em experiências autorais, rejogáveis e narrativas emergentes. O time já lançou títulos como Dreadstone Keep, Afterlight Catacombs e Oni Station.
