MDB e Celina Leão retomam diálogo após crise política no DF

O clima de rompimento entre a governadora Celina Leão (PP) e a cúpula do MDB do Distrito Federal durou pouco tempo. Depois da tensão provocada por declarações públicas e articulações nos bastidores, o cenário político voltou a ser recalibrado para preservar, ao menos publicamente, a aliança entre os grupos que comandam o Distrito Federal.

A própria Celina Leão afirmou acreditar que o MDB seguirá ao lado da direita nas eleições de 2026 e minimizou a possibilidade de uma separação definitiva entre os partidos. “Não tem como o MDB não estar junto conosco. É bom para a aliança e é bom para o partido também”, declarou a governadora.

Nos bastidores, a avaliação é de que o movimento de distensão ocorreu após a repercussão negativa do embate entre aliados históricos do grupo político liderado pelo ex-governador Ibaneis Rocha (MDB). A crise havia sido intensificada depois de reuniões do MDB que indicavam a possibilidade de lançamento de uma candidatura própria ao Palácio do Buriti.

O presidente do MDB-DF e da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Wellington Luiz, tratou de reduzir a temperatura do conflito. Em entrevista, o distrital afirmou que o desgaste entre Ibaneis e Celina é “administrável” e não representa uma ruptura definitiva.

Experiente articulador da política local, Wellington assumiu papel de conciliador e afirmou que divergências eram esperadas diante dos perfis dos dois líderes políticos. “O governo tem que ter a cara dela, é natural, como nos últimos sete anos teve a do Ibaneis. A gente tem que respeitar isso e respeitar, também, a história do que ele fez, independentemente do que estamos vivendo agora”, afirmou.

Autonomia

Apesar do discurso de reaproximação, os bastidores do Palácio do Buriti apontam que Celina Leão continua reforçando sua autonomia administrativa e política. Integrantes do MDB avaliam que a governadora busca consolidar uma marca própria de gestão, sem depender diretamente do grupo de Ibaneis Rocha.

Um dos sinais dessa independência veio nesta sexta-feira (22), com a exoneração da secretária de Desenvolvimento Social, Jackeline Couto Canhedo, indicada pelo ex-governador. A mudança foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF).

A pasta é considerada estratégica dentro do governo por concentrar programas sociais e políticas de assistência no DF. Durante a gestão Ibaneis, a secretaria teve forte influência da então primeira-dama Mayara Noronha Rocha, quando atuava na gestão da pasta.

Para o lugar de Jackeline, Celina nomeou Giselle Ferreira, que até então comandava a Secretaria da Mulher. Professora da rede pública do DF, Giselle já ocupou a Secretaria de Esporte e Lazer entre 2020 e 2022 e estava à frente da pasta da Mulher desde janeiro de 2023.

Mesmo com a tentativa de pacificação entre MDB e PP, aliados admitem reservadamente que a relação entre Celina Leão e o grupo político de Ibaneis atravessa um momento de redefinição de forças — cenário que deve continuar influenciando os movimentos para as eleições de 2026.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *