A AgroBrasília 2026 segue até este sábado (23), no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no Distrito Federal, reunindo produtores rurais, empresas, pesquisadores e especialistas do setor agropecuário e o Jornal Opção Brasília marcou presença no evento. Com o tema “Agro de Resultado”, a feira chega à 16ª edição destacando o uso da tecnologia e da inovação para aumentar a produtividade, a eficiência e a sustentabilidade no campo.
Promovida pela COOPA-DF, a AgroBrasília se consolidou como um dos principais eventos do agronegócio no Centro-Oeste. Segundo o presidente da cooperativa, José Guilherme Brenner, a feira já é considerada uma das maiores da região, ficando atrás apenas da Tecnoshow, realizada em Rio Verde (GO). “A AgroBrasília hoje tem uma área de influência de cerca de 300 quilômetros de raio e atende uma região com agricultura muito tecnificada, diversificada e altamente irrigada. A feira tem um papel importante ao levar tecnologia e inovação para o produtor rural”, afirmou.
Brenner destaca que o perfil do produtor da região também contribui para o crescimento da feira. “O produtor daqui é muito aderente à tecnologia agrícola. A AgroBrasília oferece justamente isso: tecnologia, inovação e insumos para melhorar a produção no campo”, disse.
A área de abrangência da feira inclui importantes polos agrícolas do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais, como Cristalina, Unaí, Buritis, Formosa, Água Fria e São João d’Aliança. Segundo o presidente da COOPA-DF, essas regiões compartilham características como agricultura irrigada e produção de alto valor agregado. “Aqui se produz muita semente de soja e milho, além de trigo, café, vinho e hortaliças. Isso faz do Planalto Central uma região agrícola muito diferente de outras regiões produtoras do Brasil”, ressaltou.
Durante os cinco dias de programação, o público acompanha lançamentos, vitrines tecnológicas, debates e encontros técnicos que apresentam, na prática, alternativas para enfrentar desafios e ampliar resultados no campo.
Aplicativos do Senar-DF ajudam produtores na gestão e viabilidade do negócio rural
Entre as novidades apresentadas na feira está o aplicativo “Safra Blindada”, desenvolvido pelo Senar-DF para substituir a tradicional caderneta de papel utilizada pelos produtores rurais no controle financeiro da produção.
Segundo o desenvolvedor da ferramenta, Brendon Carvalho, o aplicativo permite registrar todos os custos fixos e variáveis da lavoura, como gastos com fertilizantes e outros insumos, além de reunir dados de receita e produtividade da propriedade. “A ideia é que o produtor consiga alimentar o sistema com todos os custos da produção e depois acompanhar as receitas, informando cultura, área plantada e expectativa de colheita”, explicou.
A plataforma que é oferecida gratuitamente aos produtores, também oferece simulações de mercado com base em dados atualizados da Conab e das bolsas de valores, trazendo em tempo real o preço da saca das commodities agrícolas.
Outro diferencial do aplicativo é a análise financeira da propriedade, incluindo o chamado “ponto de equilíbrio”, indicador que estima quanto da produção será necessário para cobrir os custos da safra. “O produtor consegue visualizar a saúde financeira do negócio e entender exatamente quanto precisa produzir para pagar os custos da operação”, destacou o Brendon.
Mesmo com a digitalização, o sistema também permite gerar relatórios em PDF para impressão, mantendo uma alternativa física para os produtores que ainda preferem o controle em papel.
O Senar-DF também apresentou um segundo aplicativo voltado à análise de viabilidade de propriedades rurais. A ferramenta utiliza geolocalização e cruzamento de dados ambientais e cadastrais para indicar quais atividades podem ser desenvolvidas em determinada área.
Ao delimitar uma propriedade no mapa, o sistema consulta bases como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e outras ferramentas de regularização para apontar possíveis restrições ou riscos para o empreendimento. “O aplicativo consegue indicar, por exemplo, se aquela área é adequada para plantar soja ou instalar uma granja, considerando aspectos ambientais e de localização”, explicou.
Segundo o desenvolvedor, um dos principais desafios ainda é a falta de regularização de parte das propriedades rurais, o que limita o acesso às informações necessárias para análises mais precisas.
Ele cita como exemplo produtores que desejam instalar apiários próximos de áreas agrícolas sem saber se propriedades vizinhas utilizam defensivos agrícolas que possam impactar a criação de abelhas. “Quando uma propriedade não é regularizada, ela fica fora da base de dados. Isso dificulta análises de viabilidade e pode gerar conflitos ou prejuízos para outros produtores da região”, enfatizou.
