Aruc abre o clima de Carnaval com desfile de rua no Cruzeiro

O Cruzeiro Velho volta a ser tomado pelo ritmo do samba neste domingo (8), a partir das 14h, com o tradicional desfile de rua da Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc). Gratuito e aberto ao público, o cortejo segue pela Avenida das Mangueiras e marca o início do clima de Carnaval 2026 no Distrito Federal.

Realizado de forma contínua desde 2015, o evento se firmou como símbolo de resistência cultural diante da ausência de desfiles oficiais de escolas de samba na capital. Mais do que uma apresentação festiva, o desfile representa a permanência de uma tradição construída coletivamente pela comunidade do Cruzeiro ao longo de décadas.

Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Fundada em 1961 e reconhecida como patrimônio cultural imaterial do DF, a Aruc é a maior campeã do carnaval brasiliense, com 31 títulos. Para o presidente da Aruc, Robson Oliveira Silva, manter o desfile de rua ativo é também preservar a própria história do samba local. “O desfile de rua da Aruc representa uma tradição que vem desde quando a gente era criança, praticamente desde a fundação da escola, e simboliza o comprometimento da ARUC com a sua comunidade”, afirma o presidente da instituição. 

Segundo ele, o Cruzeiro sempre foi um polo cultural importante da cidade. “O desfile de rua é resistência cultural. É a nossa luta cotidiana em defesa das escolas de samba do Distrito Federal e pela continuidade dos desfiles oficiais”, declara Robson.

A mobilização envolve diferentes frentes de trabalho e depende diretamente da participação popular. Harmonia, bateria, passistas, casal de mestre-sala e porta-bandeira, além das equipes de figurino e costura, atuam de forma integrada para colocar a escola na rua. “Não existe escola de samba sem comunidade. Mesmo com a dificuldade de muitos componentes não morarem mais perto da sede, eles continuam participando e colaborando em um grande trabalho coletivo”, destaca a organização.

Para o presidente do Instituto Aruc e produtor do desfile, Leonardo Santana, a realização anual do cortejo tem papel social decisivo. “O desfile de rua se tornou uma atividade de resistência cultural. Com a ausência dos desfiles oficiais no DF, ele ocorre todos os anos desde 2015, mantendo viva a tradição carnavalesca junto à comunidade”, explica.

Nos preparativos finais, os ensaios se intensificam. De acordo com o diretor de Carnaval da Aruc, Hélio Tremendani, a reta final envolve todos os segmentos da escola. “Os ensaios agora reúnem bateria, passistas, destaques, corte e harmonia com o carro de som”, diz.

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Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

A apresentação deste domingo contará com a bateria Carcará, alas populares, ala das baianas, comissão de frente, destaques, três casais de mestre-sala e porta-bandeira, carro de som completo e mais de 50 passistas — estrutura pensada para aproximar o público do espetáculo e reforçar a identidade da escola.

Além da Aruc, participam do cortejo as escolas Acadêmicos da Asa Norte e Bola Preta de Sobradinho, evidenciando a união das agremiações do DF em defesa da cultura popular e da ocupação dos espaços públicos pela arte.

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Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Para Nanda Classo, madrinha da escola, diretora do departamento de eventos e vice-presidente do Instituto Aruc, o envolvimento com o desfile ultrapassa qualquer função formal. “É uma mistura de orgulho, responsabilidade e muito amor. Não encaro como cargo, mas como missão: cuidar, proteger e fazer dar certo por amor à escola e ao Cruzeiro”, afirma. Com expectativa de reunir moradores, sambistas e admiradores do carnaval de rua, o desfile reforça o papel da Aruc como guardiã de uma tradição que resiste ao tempo e às dificuldades, mantendo vivo o samba no coração de Brasília.

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