A transferência do banqueiro Daniel Vorcaro para a Penitenciária Federal em Brasília deve ocorrer nesta sexta-feira (06). A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação da Polícia Federal, que alegou necessidade de garantir a segurança física do custodiado.
A decisão foi tomada na noite de quinta-feira (05). No pedido apresentado ao Supremo, a Polícia Federal defendeu que Vorcaro deve permanecer em uma unidade de segurança máxima. O ministro entendeu que a solicitação está de acordo com a legislação e autorizou a transferência do investigado para a capital federal.
A operação de deslocamento ficará sob responsabilidade da Polícia Penal Federal, que organizou a logística de escolta aérea e terrestre. O procedimento prevê que o preso seja entregue inicialmente pela Polícia Penal de São Paulo e, em seguida, transferido por agentes federais em uma aeronave de pequeno porte da própria Polícia Federal.
Antes da decisão de transferência, Vorcaro havia sido levado para a Penitenciária de Potim, no interior de São Paulo, na quinta-feira (05). A unidade receberia o banqueiro para o período inicial de isolamento de dez dias, procedimento comum para novos detentos no sistema prisional.
Desde a prisão preventiva, realizada na Operação Compliance Zero, esta será a terceira mudança de local de custódia em apenas três dias. Antes de chegar ao presídio de Potim, ele também passou pela carceragem da Polícia Federal e pelo Centro de Detenção Provisória de Guarulhos.
A Penitenciária Federal em Brasília possui 208 celas individuais, cada uma com cerca de seis metros quadrados. Conforme as regras do sistema federal, o preso passa inicialmente por um período de adaptação de 20 dias em uma cela de nove metros quadrados, antes de ser encaminhado para a ala regular da unidade.
De acordo com decreto presidencial publicado em 2009, a transferência de presos para penitenciárias federais de segurança máxima ocorre quando o detento se enquadra em determinados critérios. Entre eles estão liderança ou participação relevante em organização criminosa, risco à integridade física no presídio de origem, submissão ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), participação em crimes com violência ou grave ameaça, condição de colaborador da Justiça com risco de segurança ou envolvimento em episódios de fuga, violência ou grave indisciplina no sistema prisional.
Daniel Vorcaro foi preso durante uma nova etapa da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura a possível prática de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, que teriam sido cometidos por uma organização criminosa.
Nesta fase da operação, as apurações indicaram a existência de um grupo chamado “A Turma”, descrito como uma espécie de milícia privada utilizada para intimidar e monitorar adversários. Segundo os investigadores, também foi identificado acesso ilegal a sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, do FBI e da Interpol para obtenção de informações sigilosas.
As investigações ainda apontam a suspeita de participação de dois servidores do Banco Central, que teriam recebido vantagens indevidas e repassado informações antecipadas ao Banco Master.
A defesa de Daniel Vorcaro afirma que o banqueiro sempre esteve à disposição das autoridades e nega qualquer tentativa de interferir nas investigações ou na atuação da Justiça. Os advogados também contestam as acusações e dizem confiar que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade da conduta do cliente, além de reafirmar confiança no devido processo legal e no funcionamento das instituições.
