Bispo Dom Agamenilton visita lar de idosos em Santo Antônio do Descoberto

* Por Luan Martins

A visita do bispo Dom Agamenilton da Diocese de Luziânia, ao lar de idosos de Santo Antônio do Descoberto foi marcada pela celebração de uma missa e pela inauguração da capela da instituição, que atende idosos em situação de vulnerabilidade no município.

Administrado há anos pela Igreja Católica em parceria com o poder público, o lar acolhe atualmente 29 idosos e se tornou uma das principais estruturas de assistência social da cidade.

De acordo com o padre Marcelo Heitor responsável pelo Santuário de Santo Antônio e pela instituição, o espaço passou por uma reestruturação profunda após um período de dificuldades na gestão anterior. “A municipalidade não conseguia ter uma gestão eficiente. Quando assumimos, encontramos um lar sem licenças, sem regularização, com problemas estruturais graves. Fizemos uma limpeza inicial que retirou caminhões de entulho, o espaço estava tomado por problemas sanitários e não oferecia dignidade para os idosos”, afirmou o padre.

Segundo ele, a atuação da Igreja envolveu não apenas a reorganização administrativa, mas também a regularização jurídica e a reconstrução da estrutura física do local. “Nós criamos toda a estrutura legal, organizamos o funcionamento, buscamos as licenças e, com a ajuda da comunidade, conseguimos construir uma nova sede que garantisse dignidade para essas pessoas”, disse.

Hoje, o funcionamento ocorre por meio de parceria com a prefeitura, que realiza repasses financeiros, enquanto a gestão e parte da manutenção ficam sob responsabilidade da paróquia, com apoio de doações. “O município contribui com o repasse financeiro e nós fazemos a gestão. A Igreja, com ajuda dos fiéis e da comunidade, complementa aquilo que é necessário para manter o atendimento com qualidade”, explicou.

O atendimento é voltado exclusivamente a idosos em situação de vulnerabilidade social, com encaminhamento feito pela assistência social. Segundo o padre, a procura por vagas é alta e inclui demandas de outros municípios, mas o acesso permanece direcionado aos casos dos mais necessitados.

A realidade do lar, segundo o próprio padre, reflete uma demanda crescente por assistência social na região. A partir desse contexto, a visita do bispo também abriu espaço para discutir a situação dos municípios do Entorno do Distrito Federal, marcados pelo crescimento populacional e pela pressão sobre serviços públicos.

Dom Agamenilton na capela em Santo Antônio do Descoberto. Foto: Michel Dornella

O Jornal Opção Entorno, entrevistou o Dom Agamenilton, responsável pela Diocese de Luziânia, que abrange os municípios de Luziânia, Águas Lindas de Goiás, Cidade Ocidental, Cristalina, Mimoso de Goiás, Novo Gama, Padre Bernardo, Santo Antônio do Descoberto e Valparaíso de Goiás, somam mais de 1,031 milhão de pessoas.

Luan Martins – Como o senhor avalia hoje a situação social dos municípios do Entorno?

Dom Agamenilton – Eu ainda estou em processo de conhecimento mais aprofundado da Diocese, são poucos meses desde que assumi, e há regiões que ainda não visitei. Mas, pelo que já pude perceber, existem realidades muito boas e outras que precisam ser olhadas com mais atenção. O Entorno é um lugar de chegada, diferente de outras regiões de onde vim, onde as pessoas saem. Aqui as pessoas chegam, e isso exige uma capacidade maior de acolhimento, de inclusão e de encaminhamento dessas pessoas para que tenham acesso a estudo, trabalho e condições dignas de vida.

Luan Martins – Esse cenário indica que a região está preparada para esse crescimento?

Dom Agamenilton – Eu vejo que existem esforços, movimentos no sentido de organizar melhor essa realidade, mas ainda há muito a avançar. Sempre pode melhorar, especialmente quando se trata de garantir condições adequadas para quem chega e precisa se integrar à cidade.

Luan Martins – A atuação da Igreja nessas áreas é complementar ou tem suprido lacunas?

Dom Agamenilton – A Igreja atua como parte da sociedade civil, com a missão de promover o bem comum. Nós temos diversas ações na área social, como atendimento a idosos, crianças, dependentes químicos, entre outros. Não vejo a Igreja substituindo o poder público, mas contribuindo, somando forças. É uma atuação que busca colaborar com aquilo que já existe.

Luan Martins – Até onde a Igreja consegue atuar sem apoio mais estruturado?

Dom Agamenilton – Há situações em que a Igreja sozinha não consegue dar conta, e da mesma forma há situações em que o poder público sozinho também não consegue. A promoção da dignidade humana exige essa cooperação. Nós precisamos do apoio da comunidade, do poder público e de outras iniciativas para que o trabalho tenha continuidade e alcance.

Luan Martins – Existe articulação estruturada com o poder público?

Dom Agamenilton – Eu ainda não consigo responder isso com total clareza, porque estou conhecendo melhor essa realidade. Sei que existem convênios em algumas paróquias, mas o nosso objetivo é fortalecer essa articulação, integrar melhor essas ações e potencializar o trabalho que já é realizado.

Luan Martins – Qual é a principal urgência social na região?

Dom Agamenilton – Um dos pontos que mais me chama atenção é a questão da moradia e da infraestrutura. Regularização fundiária, condições de transporte, saneamento, mobilidade… tudo isso impacta diretamente a vida das pessoas. Quando essas áreas não estão bem estruturadas, isso afeta a qualidade de vida, o acesso a oportunidades e o desenvolvimento das cidades.

Impacto social

Para o padre responsável pelo lar, o trabalho desenvolvido no local vai além da assistência material. “Muitas vezes, essas pessoas não têm mais nada, não têm quem olhe por elas. A sociedade, em muitos casos, acaba esquecendo desses idosos. Aqui, eles encontram cuidado, dignidade e acolhimento. E o mais impressionante é que, mesmo assim, eles nos devolvem tudo com carinho, com gratidão. Eles nos dão a oportunidade de servir todos os dias”, afirmou.

A instituição trabalha na ampliação da estrutura, com projeto de criação de um espaço voltado à reabilitação de idosos, buscando melhorar a qualidade de vida dos atendidos.

A visita do bispo, além da inauguração da capela, reforça o papel de iniciativas locais na resposta às demandas sociais de uma região em crescimento e com desafios estruturais ainda em consolidação.

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