Ceilândia tem virada épica sobre o Brasiliense e se classifica

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O futebol de Brasília escreveu uma de suas épicas páginas neste sábado (28/2), pela última rodada do Candangão 2026. Contra todo e qualquer tipo de prognóstico (por como o jogo se desenhou), o Ceilândia conquistou uma épica virada por 3 a 2 sobre o Brasiliense em pleno Estádio Serejão e se classificou às semifinais do campeonato.

Esta história nada tem a ver com os primeiros 85 minutos de jogo. Menos que isso, dentro de meia hora o Jacaré construiu uma boa vantagem com clara superioridade e dois gols. Destaque para Jean Pyerre, mostrando cada vez mais entrosamento com seus pares, ponto positivo que fica para a campanha da Série D. O segundo tempo seguiu todo um protocolo, com o time da casa administrando a vantagem e vendo como seu adversário nada realizava com posse, até que o dito impossível se fez. O Distrito do Esporte te conta, agora.

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Diretos e cruzados

O começo da partida compreendeu uma pressão com bola nos pés efetiva por parte do Jacaré. Logo ao segundo minuto o placar foi aberto: Vitor Marinho apareceu com boa trama por dentro, junto de Tarta, e serviu a Jean Pyerre, que finalizou com grande técnica, tornando inalcançável ao goleiro Vitor Hugo para abrir o placar. O time da casa seguiu girando muito bem a bola, de lado a lado, sem grandes dificuldades para chegar à área rival. Aos quatro, Vitor Marinho apareceu novamente para dar um novo passe de gol, mas Thiago Pereira não pegou bem de frente para a marca penal.

O resultado logicamente obrigava o Gato Preto a aplicar pressão, uma vez que agora apenas a virada importava. Entretanto, a coisa não andava bem com a bola no chão, com notado espaçamento entre os atletas do ataque. O primeiro experimento visitante aconteceu aos nove, com Cleiton Maranhão arriscando de fora da área, sem dificuldade para o goleiro Matheus Kayser. No minuto seguinte, o Ense reclamou pênalti em passe infiltrado de Jean Pyerre para Wallace Pernambucano, abraçado por Bosco, mas ignorado pelo árbitro Sávio Pereira Sampaio e pelo VAR, capitaneado por Rafael Martins Diniz.

A tentativa alvinegra era concentrada nas pontas, buscando jogar às costas dos laterais adversários, mas encontrando marcação dupla. Aos 14, Tarta testou de fora da área, mas parou em Vitor Hugo. Do outro lado, Marquinhos era a válvula de escape do Ceilândia, mas tinha ares de solidão ao parecer trabalhar sozinho diante do resto de companheiros que não muito faziam na fase ofensiva. Após os 20, passou a boa e efetiva pressão do Brasiliense do jogo, vendo o adversário trocar passes imprecisos e sem trazer sustos à sua meta.

Aos 27, Patrickão fez sua primeira aparição no jogo, vencendo em velocidade o zagueiro João Teixeira mas batendo fraco e rasteiro, em bola cruzada desde a esquerda, na área, sem dificuldades para Matheus Kayser. Aos 31, o Jacaré ampliou a conta. Após toque de mão de Badhuga na meia-lua da grande área, Tarta bateu falta primorosa, no ângulo do goleiro Vitor Hugo.

Sávio Pereira Sampaio decretou parada para hidratação em seguida, no que mais parecia o nocaute decretado do alvinegro. Coisa pouco funcional a um time ainda mais entregue após tomar o segundo golpe, enquanto o time amarelo cuidou da cadência com a bola e da vigilância na marcação até o fim da etapa inicial.

The Eye Of The Black Cat

Para o segundo tempo, o técnico Adelson de Almeida fez mudanças no meio campo, trocando Cleiton Maranhão e Cabralzinho por Henrique Vigia e Robert. Para cúmulo, com dois minutos Badhuga se lesionou sozinho e Pedrinho teve que entrar em seu lugar. Tudo disso para que nada mudasse na imprecisão alvinegra, mantendo uma das piores atuações da equipe em 2026. Coisa que, depois, de nada importaria. Apenas aos nove Marquinhos fez cruzamento perigoso, que Cardoso não completou para descontar, na primeira boa chance de todo o segundo tempo.

O susto deu justificativa para mais mexidas do banco amarelo e assim deixar de apenas espreitar a ampla posse de bola do Gato Preto. Vieram a campo Erick Luís e Serginho, este vindo da Ponte Preta, com boa expectativa e no lugar do muito aplaudido Jean Pyerre, nome do jogo pelo manejo no meio-campo do Ense. Teoria que não seguiu na prática, uma vez que o Brasiliense pouco saiu ao ataque. Prova de tudo isso foi a falta de oportunidades geradas, tornando o jogo cada vez mais arrastado diante de um interessado com o resultado diante de um incapaz em mudar a realidade.

Aos 26, lance inusitado: Tarta bateu falta, mas Vitor Hugo não encaixou, deixando rebote para Serginho e ganhando no bote do meia. Na sobra, Erick Luís chutou em cima do companheiro de equipe e iria ao gol, mas foi claramente cortada sobre a linha por Fabinho. Numa confusão entre todo o quadro de arbitragem, Sávio Pereira Sampaio deu gol, impedimento, gol e finalizou com o correto impedimento de Serginho, que caiu em condição ilegal após dividir com o goleiro. Aos 28, Montanha faria seu último ato no jogo finalizando com perigo, ao lado da meta. Ele sairia depois da parada para reidratação, para entrada de Gustavo Xuxa. A fim de jogo, aos 33, Tarta saiu de três marcadores e bateu da entrada da área, com perigo e parando em grande defesa de Vitor Hugo.

É aqui que surge o começo do épico renascimento do Gato Preto. Aos 40, viria a descontar, após falha da defesa local em escanteio cobrado por Robert, com todos ficando pelo caminho e com Cardoso conferindo na segunda trave de cabeça. O anticlímax se consolidara aos 42, de forma despretensiosa. Vinicius Tanque achou lindo passe para Cardoso deslocar Matheus Kayser e empatar o jogo.

No mesmo tempo, o Gama viria a salvar o maior rival, com o gol de Michel contra o Capital no JK, mesmo com um jogador a menos, uma vez que, neste cenário, uma vitória tricolor eliminaria ambos das semis. Aos 44, Igor Carmino quase fez o gol salvador, batendo na área com o peito do pé e parando em mais uma grande defesa de Vitor Hugo.

A epopeia do Gato Preto se consolidou de novo com Vinicius Tanque encontrando novamente Cardoso em liberdade, nas costas de Igor Carmino. O camisa 7 iludiu Matheus Kayser em um bom drible e tocou para a meta vazia: delírio do banco, vaias e silêncio da arquibancada, com duras críticas à direção do Brasiliense após o jogo.

Ainda após o apito final, o elenco do Ceilândia esperou e explodiu de felicidade ao ver como o Capital, mesmo com dois a mais, não conseguia virar sobre o Gama, em pleno JK, confirmando a épica passagem às semifinais. Claramente abatido e sem saber de onde, fico com a memória da canção Eye Of The Tiger, do Survivor, que se tornou um sucesso na saga do resiliense pugilista Rocky Balboa. O Ceilândia conseguiu. Subiu a “escadaria” da Avenida Elmo Serejo como Sylvester Stallone subiu na Filadélfia. Logrou o impensado. A épica. Creia no que cada um creia, os deuses do futebol também tiveram algo de querer nesta classificação do Ceilândia às semifinais do Candangão 2026.

O que vem por aí

Classificado em quarto, a missão do Gato Preto será rever o Gama nas semifinais. Mandará o primeiro jogo no Estádio Abadião, no próximo final de semana, e terá de ir ao Bezerrão na volta, uma semana mais tarde. Já o Jacaré, que terminou a primeira fase do distrital em sexto, vai aguardar o início da Série D do Campeonato Brasileiro. Ainda com grupos indefinidos, a competição nacional começa no dia 5 de abril.

Brasiliense 2 

Matheus Kayser; Vitor Marinho 🟨, Igor Carmino, João Teixeira e Jhonathan Moc; Marcos Jr (Felipe Manoel), Tarta ⚽ e Jean Pyerre ⚽ (Serginho); Thiago Pereira (Júlio Vitor), Montanha (Gustavo Xuxa) e Wallace Pernambucano (Erick Luís); Técnico: Luiz Carlos Winck

Ceilândia 3

Vitor Hugo; Sávio, Willian Barão, Badhuga (Pedrinho) e Fabinho; Bosco 🟨, Cleyton Maranhão 🟨 (Henrique Vigia) e Cabralzinho (Robert); Cardoso ⚽⚽⚽, Marquinhos (Cebolinha) e Patrickão (Vinicius Tanque); Técnico: Adelson de Almeida

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