Clínica onde incêndio matou cinco homens no DF funcionava sem alvará

O Instituto Terapêutico Liberte-se, onde um incêndio matou cinco pessoas e deixou 11 com sintomas de intoxicação por fumaça, funcionava sem alvará. As chamas consumiram a casa na madrugada deste domingo (31/8), no Paranoá (DF), onde havia dependentes químicos em recuperação.
O proprietário e diretor da clínica, Douglas Costa de Oliveira Ramos, 33 anos, confessou em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que solicitou o alvará, mas a autorização não foi expedida ainda. O instituto também não obteve aprovação de licenciamento do Corpo de Bombeiros, que sequer fez a vistoria no local.
A clínica clandestina funcionava há cinco meses, segundo o dono. O tratamento oferecido consistia na internação de dependentes químicos por seis meses, com visitas mensais e ligações semanais.
O que se sabe sobre o caso
- O Instituto Terapêutico Liberte-se, casa de reabilitação de dependentes químicos no Paranoá (DF), pegou fogo na madrugada deste domingo (31/8), por volta das 3h.
- Cinco pessoas morreram e ao menos 11 ficaram feridas.
- Darley Fernandes de Carvalho, José Augusto, Lindemberg Nunes Pinho, Daniel Antunes e João Pedro Santos morreram no local.
- Atualmente, a clínica contava com 46 internos. Não se sabe ainda, porém, quantos deles estavam no local no momento do incêndio.
- As causas do início do fogo são desconhecidas. A 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) investiga o caso.
- O Corpo de Bombeiros conteve as chamas e levou as vítimas aos hospitais regionais de Sobradinho (HRS) e da Região Leste, no Paranoá (HRL).
Veja imagens feitas após o incêndio:
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Além das cinco vítimas que não resistiram, 11 foram ao hospital com suspeita de intoxicação por inalação de fumaça
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Casa estava trancada no momento do incêndio
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Local pegou fogo neste domingo (31/8). Cinco pessoas morreram
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Clínica fica no Paranoá
Francisco Dutra/Metrópoles
Testemunhas contaram que os internos tiveram dificuldade de deixar o local quando as chamas tomaram de conta da casa porque a residência estava trancada com cadeado e tinha janelas com grades de ferro.
Funcionário do instituto, Sérgio Rodrigo Rodrigues Gomes, 38, disse à polícia ter recebido a chave do cadeado da porta de acesso principal de um outro empregado.
No depoimento, Gomes revelou que o fogo já havia se alastrado pelo ambiente de forma intensa e que o cadeado estava muito quente, chegando a queimar a mão dele.
O homem contou que, “após muita dificuldade”, conseguiu liberar a porta. Ele disse que arrombou grades e quebrou vidros das janelas para retirar algumas pessoas. O Instituto Terapêutico Liberte-se tinha 46 internos.
A causa do incêndio ainda não foi revelada. A PCDF investiga o caso.
Feridos
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) informou que encontrou corpos de cinco homens durante a etapa de rescaldo, etapa na qual os profissionais eliminam os focos remanescentes para evitar novo incêndio.
Outras 11 pessoas foram levadas a hospitais próximos da região com sintomas de intoxicação por inalação de fumaça.
Os feridos têm entre 21 e 55 anos. Somente as iniciais e a idade foram divulgadas. Veja:
D.S., 24 anos;
L.G., 21 anos;
L.S., 21 anos;
M.D., 28 anos;
J.G.S.J., 30 anos;
R.S., 44 anos;
M.S., 24 anos;
E.G.S., 33 anos;
R.F.M., 33 anos;
G.S.D.S.Q., 34 anos; e
R.Q., 55 anos.
O que diz o GDF
A Administração Regional do Paranoá informou à reportagem que não detém competência legal para conceder, de forma isolada, o alvará de funcionamento, nem para autorizar a operação definitiva de estabelecimentos. Ao órgão, cabe apenas o deferimento da viabilidade locacional, de forma que a continuidade do processo de autorização de funcionamento depende obrigatoriamente de vistorias e autorizações posteriores emitidas pelos demais órgãos competentes.
Segundo a administração, a licença de localização da casa de recuperação foi deferida na quinta-feira (28/8). No entanto, essa licença não equivale ao alvará de funcionamento, sendo tão somente a primeira fase do processo. Ou seja, não se trata de documento apto a autorizar a prestação de serviço que estava sendo realizada no local.
A administração lamentou o trágico incêndio. “Manifestamos nossa solidariedade às vítimas, familiares e a toda comunidade impactada pelo ocorrido, e nos colocamos à disposição dos órgãos competentes para colaborar no que estiver ao nosso alcance”, ressaltou, em nota enviada ao Metrópoles.