O deputado distrital Fábio Félix (Psol) foi atingido por spray de pimenta durante uma confusão com policiais militares em um bloco de carnaval no Distrito Federal. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que o parlamentar conversa com policiais e, em seguida, é atingido diretamente no rosto.
Após o ocorrido, o deputado procurou uma delegacia e registrou ocorrência contra o policial envolvido. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele relatou que estava no local após organizadoras do bloco serem levadas à delegacia enquanto tentavam intermediar uma situação com a polícia. “Depois do ocorrido que vocês viram, eu tive que ir para a delegacia representar contra o policial militar por tudo que ele fez naquele momento de truculência, de violência”, afirmou.
Segundo o parlamentar, ele tentou atuar de forma pacífica para entender o que estava acontecendo. “Eu cheguei lá porque as organizadoras do bloco tentaram intervir numa situação e estavam tentando mediar com a Polícia Militar, mas foram levadas para a delegacia. Eu me apresentei como deputado distrital, como presidente da Comissão de Direitos Humanos, com toda tranquilidade e respeito. E tentei intervir, mediar, entender a situação.”
Ele também afirmou que houve agressividade por parte dos policiais durante a abordagem. “Eles foram extremamente agressivos, violentos, empurrando. E depois jogaram um spray de pimenta diretamente na minha cara, sem nenhum respeito.”
O deputado declarou ainda que pretende acompanhar a apuração do caso e cobrar providências. “Se eu, que sou deputado distrital e me identifiquei reiteradas vezes, sou tratado dessa forma, imaginem um cidadão comum. A gente não pode permitir que isso aconteça. Nenhuma instituição do Estado pode tratar as pessoas dessa forma.”
Ele disse que, apesar do susto, está bem. “Eu tô bem, tô super tranquilo. Claro, ainda tô um pouco inchado aqui, porque na hora você não sente direito. Depois o olho incha e dói bastante. Mas eu acho que o que eu não podia era ficar calado.”
Por outro lado, o major Brooke, da Polícia Militar do Distrito Federal, afirmou que a equipe realizava patrulhamento de rotina no evento quando cães farejadores identificaram a possível presença de drogas. “A Polícia Militar estava passando no local, fazendo patrulhamento normal, como estamos fazendo em todos os eventos de carnaval. Os cães têm um faro muito sensível e detectaram um cheiro de entorpecente.”
De acordo com ele, os policiais confirmaram a situação ao se aproximarem do local. “Ao se aproximarem, os policiais identificaram que se tratava de maconha. Eles pediram autorização para verificar e, ao entrar, flagraram dois indivíduos trocando entorpecentes. Foi dada voz de prisão aos dois.”
Segundo o major, uma produtora teria interferido na ação policial e também foi conduzida. “Uma segunda produtora apareceu obstruindo a ação policial. Ela também passou a incitar o público contra os policiais e foi conduzida à delegacia por obstrução.”
Ainda conforme a PMDF, o uso do spray ocorreu durante a movimentação. “Em algum momento apareceu o deputado que encostou em um policial, que teve que utilizar um instrumento de menor potencial ofensivo para evitar até o uso da força.”
O major explicou que esse tipo de recurso é utilizado para controlar situações de tensão. “Esse instrumento tem essa função, que é dispersar e impedir uma injusta agressão. Tudo será apurado. O policial tem a versão dele, o deputado tem a versão dele, e nós estaremos em busca da verdade.”
A Câmara Legislativa do Distrito Federal também se manifestou por meio de nota, criticando o uso do spray contra o parlamentar. O documento afirma que o deputado exercia sua função como presidente da comissão de direitos humanos ao tentar acompanhar a abordagem policial.
A nota destaca ainda que o parlamentar buscava dialogar e ajudar a conter a situação quando foi atingido. O texto é assinado pelo deputado Ricardo Vale, que estava no exercício da presidência da Casa, e informa que serão cobradas investigações para apurar o caso e responsabilizar eventuais envolvidos.
