Deslocamento entre Entorno e DF ultrapassa 200 mil pessoas por dia

Levantamento do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) mostra a dimensão do deslocamento diário entre as cidades do Entorno e o Distrito Federal, destacando desafios enfrentados por quem depende do transporte público para trabalhar e estudar.

Segundo os dados, cerca de 200 mil pessoas saem todos os dias das cidades vizinhas em direção ao DF para trabalhar. Desse total, aproximadamente 122 mil utilizam ônibus. A maior parte dos trabalhadores vem de municípios como Águas Lindas de Goiás, com mais de 55 mil pessoas, Valparaíso de Goiás, com mais de 42 mil, além de Novo Gama e Luziânia, ambos com mais de 24 mil trabalhadores.

No caso dos estudantes, aproximadamente 44 mil moradores do Entorno fazem o deslocamento diário para estudar no DF. Entre eles, cerca de 18 mil utilizam ônibus ou transporte escolar público. O maior número parte de Novo Gama, seguido por Águas Lindas de Goiás, Valparaíso de Goiás e Planaltina.

A pesquisa também aponta que a Periferia Metropolitana de Brasília reúne mais de 1,27 milhão de moradores e cerca de 571 mil domicílios na área urbana. Em relação aos meios de transporte, 61,6% utilizam transporte motorizado, enquanto 36,3% recorrem a veículos privados e cerca de 2% fazem o trajeto a pé ou de bicicleta.

Os dados ainda mostram diferenças no uso dos transportes entre homens e mulheres. No ônibus, as mulheres representam 41% dos usuários, enquanto os homens são 29%. Já no automóvel, os homens são maioria, com 31,5%, contra 20,7% das mulheres. No deslocamento a pé, a participação feminina é maior.

Além dos números, a rotina dos moradores revela dificuldades. Um estudante relata que precisa sair mais cedo de casa porque não há ônibus próximo, sendo necessário caminhar até uma via principal. O trajeto inclui troca de veículos e pode levar cerca de uma hora e meia por dia. Em dias de chuva, a situação piora, e, em alguns casos, há necessidade de pagar transporte por aplicativo para evitar atrasos.

Esse cenário de grande dependência do transporte público também foi impactado por um reajuste recente. No dia 12 de fevereiro deste ano, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou um aumento de 2,546% nas tarifas do transporte rodoviário interestadual semiurbano de passageiros do Entorno. A decisão foi tomada durante reunião da diretoria colegiada e teve como relator o diretor Alex Azevedo.

Com o reajuste, o coeficiente tarifário passou de R$ 0,170241 para R$ 0,174576 por passageiro por quilômetro. O novo valor entrou em vigor à zero hora do dia 22 de fevereiro de 2026. Na prática, o aumento representa acréscimos de poucos centavos no valor das passagens, variando conforme a distância percorrida.

De acordo com a ANTT, a atualização segue critérios técnicos previstos em norma e tem como objetivo garantir a continuidade do serviço. Como o sistema não recebe subsídio público, os custos da operação são pagos pelos próprios usuários, o que leva ao repasse dos reajustes para as tarifas.

O cálculo considera despesas como combustível, salários, manutenção de veículos e outros itens, com base em índices de instituições como IBGE, FGV e ANP. Pelas regras, os reajustes são feitos anualmente, sempre na segunda quinzena de fevereiro, com base nos dados acumulados do ano anterior.

A Agência também informou que o último reajuste havia sido adiado e só entrou em vigor em setembro de 2025, devido à tentativa de um consórcio entre o Distrito Federal e o estado de Goiás para gestão do sistema.

O aumento aprovado vale apenas para o transporte interestadual semiurbano do Entorno operado por autorização especial. Outros serviços seguem em análise própria.

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