Economia detalha resultados fiscais do GDF, no 3º quadrimestre de 2025, em audiência na CEOF

Economia detalha resultados fiscais do GDF, no 3º quadrimestre de 2025, em audiência na CEOF

Relatório apresenta dados de arrecadação, despesas e indicadores fiscais do Distrito Federal no período

A Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF) da Câmara Legislativa realizou nesta quarta-feira (11) uma audiência pública para a apresentação do resultado das metas fiscais do terceiro quadrimestre de 2025 pela Secretaria de Estado de Economia do DF. A audiência – que obedece a uma determinação da Lei de Responsabilidade Fiscal – foi conduzida pelo presidente do colegiado, deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil).

Os dados expostos – que não incluem recursos oriundos do Fundo Constitucional – indicam crescimento da arrecadação, controle dos gastos com pessoal e cumprimento dos investimentos mínimos em saúde e educação, conforme determina a legislação.

Para Pedrosa, a prestação de contas sobre o orçamento é fundamental para o exercício da função fiscalizatória do Legislativo e para orientar a construção de iniciativas que gerem impacto social.

“Nós aqui da Câmara não temos apenas que propor leis e iniciativas, temos que entender também como torná-las viáveis. Isso passa por entender do orçamento público”, afirmou o distrital.

Arrecadação

Segundo a pasta, a receita total do DF até o terceiro quadrimestre de 2025 atingiu R$ 39,14 bilhões, o que representa 109,8% do previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) e um crescimento de 9,87% em relação a 2024. Desse montante, R$ 38,5 bilhões correspondem a receitas correntes — 98,45% do total — enquanto as receitas de capital somaram R$ 605 milhões, uma execução de 42,45% da previsão anual.

A principal fonte de arrecadação do DF continuou sendo a receita tributária, que totalizou R$ 27 bilhões, com avanço nominal de 8,84% sobre o ano anterior. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) manteve-se como o tributo de maior peso, com R$ 12,5 bilhões, equivalente a 46,6% do total e crescimento de 7,5%.

Também se destacaram o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), que cresceu 14,65% e somou R$ 5,6 bilhões, e o Imposto Sobre Serviços (ISS), que avançou 11,24% e gerou R$ 3,8 bilhões.

As transferências correntes, por sua vez, chegaram a R$ 3,7 bilhões, com destaque para o Fundo de Participação dos Estados (FPE), que somou R$ 1,4 bilhão (+9,38%), e para os repasses do SUS, que cresceram 15,9% e atingiram R$ 1,2 bilhão. Já o Salário‑Educação apresentou queda de 30,9%. Segundo os técnicos, o motivo da queda está relacionado à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) – ADPF 188 – que alterou critérios de distribuição nacional.

Em 2022, a corte decidiu que, a partir de 2024, os recursos do salário‑educação devem ser distribuídos somente conforme o número de alunos matriculados na rede pública, tornando inconstitucional o critério até então utilizado pelo FNDE, que também considerava o montante arrecadado em cada unidade da federação. A decisão representou redução na fatia do FNDE destinada ao DF.

A avaliação da secretaria com relação ao desempenho orçamentário é positiva. “As metas fiscais foram todas cumpridas. Os resultados orçamentários que se esperavam foram todos atingidos. Houve aplicação mínima das vinculações exigidas pela Constituição Federal”, destacou o secretário executivo de finanças, orçamento e planejamento Thiago Rogério Conde.

Despesas

No campo das despesas, o DF empenhou R$ 40,4 bilhões em 2025, o que representa 89,6% da dotação autorizada e aumento de 8,8% em relação ao ano anterior. As despesas correntes foram responsáveis por R$ 37,4 bilhões, sendo R$ 19,3 bilhões destinados a pessoal e encargos — 94% do previsto — e R$ 17,6 bilhões a outras despesas administrativas.

Já os investimentos alcançaram R$ 2,2 bilhões, uma expansão de 16,6% na comparação com 2024. Amortizações da dívida somaram R$ 655 milhões, enquanto juros e encargos atingiram R$ 445 milhões, com queda de 1,35% em relação ao exercício anterior.

A despesa líquida com pessoal apresentou elevação de aproximadamente R$ 2 bilhões, mas ficou abaixo do limite de alerta estabelecido pela LRF. A despesa bruta com pessoal no acumulado de 12 meses atingiu R$ 42,7 bilhões, com aumento de 7,3% entre servidores ativos, 9,85% entre aposentados e 6,2% entre pensionistas.

O relatório também mostrou resultados fiscais melhores que as metas aprovadas na LDO. O resultado primário – diferença entre as receitas e despesas do governo, excluindo os custos com juros da dívida – foi negativo em R$ 821,4 milhões, enquanto a meta autorizava déficit superior a R$ 2 bilhões. O resultado nominal – diferença entre as receitas e despesas totais do GDF – fechou o ano em R$ 839 milhões, igualmente mais favorável que a meta de déficit de R$ 2,1 bilhões definida para o período. 

A dívida consolidada líquida ficou em R$ 6,2 bilhões, o equivalente a 15,91% da RCL, distante do limite de 200% fixado pelo Senado Federal. As operações de crédito somaram 0,74% da RCL, ficando abaixo do teto de 16% permitido pela legislação federal.

Com relação aos gastos mínimos exigidos, o documento aponta que, na educação, o DF aplicou 25,29% da receita compatível — acima do piso de 25% — o que corresponde a R$ 7,1 bilhões. A disponibilidade líquida de caixa do Poder Executivo fechou em R$ 713,5 milhões.

Questionamentos

O presidente da comissão interrogou o corpo técnico da secretaria sobre alguns dados que, em sua visão, inspiram atenção. Pedrosa questionou de que forma o GDF tem trabalhado para fortalecer a capacidade fiscal do DF.

Para Thiago Conde, o ajuste orçamentário esbarra no cumprimento das despesas vinculadas, gastos com destinação definida e obrigatória por lei, como saúde e educação, amarrados a percentuais da arrecadação.

“A arrecadação não é totalmente gerenciável para que possamos equacionar as despesas do ente público. Por isso, a gente enfrenta alguns desafios. No final do ano passado, tivemos que fazer um esforço de caixa um pouco maior que o previsto para equacionar as contas de custeio dos serviços públicos e os benefícios sociais”, destacou o técnico da secretaria.

Outro ponto questionado foi o fato de as despesas correntes e as receitas correntes superarem o limite de 95% previsto pela CF. O parlamentar interrogou de que forma o governo avalia esse indicador e quais medidas podem ser tomadas para reduzir o grau de comprometimento estrutural do orçamento. Conde respondeu que a pasta tem monitorado esse índice para que não extrapole o limite sustentável.

Por fim, o distrital chamou atenção para o fato de o DF ser profundamente dependente da arrecadação oriunda de ICMS e IRRF. “Essa estrutura de receita não torna o DF excessivamente vulnerável a mudanças na economia ou na legislação tributária nacional?”, indagou.

O secretário executivo da pasta afirmou que essa discussão passa pelo debate da reforma tributária (Emenda Constitucional 132/2023), e que os técnicos da pasta acompanham de perto as mudanças impostas pela medida, que trarão impactos diretos no modelo de arrecadação e poderão representar melhorias para o DF. “Estamos esperançosos. As notícias até agora são que [a reforma] será positiva ao DF”, destacou Conde.

Os dados apresentados pela secretaria podem ser acessados na íntegra na página da CEOF.
 

 

Agência CLDF de Notícias

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