Em “modo eleição”, Lula sobe tom contra adversários e busca base
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já está subindo o tom de seus discursos e entrando no “modo eleição”, dando amostras de como será a temperatura da disputa de 2026. O petista afinou detalhes de comunicação, está criticando adversários e planeja, para os próximos dias, iniciativas com grande apelo popular, mirando conquistar o eleitorado para a reeleição.
Lula em “modo eleição”
- Em meio ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente comandou uma reunião ministerial que, em grande parte, ficou concentrada em temas externos.
- Durante o encontro, foi divulgado o novo slogan da gestão: Governo do Brasil/Do lado do povo brasileiro.
- Já na próxima semana, o petista pretende turbinar as apostas para 2026, com o lançamento do Gás do Povo, que vai distribuir botijões gratuitos para a população de baixa renda, e a aprovação do projeto de isenção do Imposto de Renda.
- Em outra frente, Lula passou a tratar, abertamente, presidenciáveis como adversários, ao fazer críticas contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG).
No início da semana, o chefe do Planalto reuniu ministros para alinhar as prioridades na reta final de governo. Em discurso a auxiliares, o petista falou sobre assuntos internacionais, como a guerra na Ucrânia e o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em tom “patriota”, Lula e sua equipe usaram bonés que estampavam frase “O Brasil é dos Brasileiros”.
O governo também usou a oportunidade para apresentar o novo slogan da gestão: Governo do Brasil/Do lado do povo brasileiro. A ideia central do mote é transmitir valores ligados à soberania brasileira, justiça social e o cuidado do governo com a população. Na avaliação do Planalto, o lema antigo, que citava “união e reconstrução” cumpriu seu papel.
Leia também
-
Brasil
Lula tem plano caso não seja candidato à reeleição em 2026
-
Brasil
Lula provoca Tarcísio: “Sem o Bolsonaro, não é nada, ele sabe”
-
Brasil
Lula responde se vai assistir ao julgamento de Bolsonaro no STF
-
Brasil
Lula ataca Zema após críticas: “É um falso humilde”
Programas sociais
Agora, o Executivo trabalha para acelerar propostas que vão beneficiar diretamente a base eleitoral do petista. Na próxima quinta-feira (4/9), Lula vai a Minas Gerais para anunciar o lançamento do programa Gás do Povo, que vai substituir o atual Auxílio Gás. A iniciativa vai oferecer um voucher para a população de baixa renda retirar o botijão de gás nas distribuidoras de forma gratuita.
O local escolhido para lançar o programa é a comunidade do Aglomerado da Serra, considerada a maior favela de Belo Horizonte, capital mineira. A ideia é que o Gás do Povo chegue a 15 milhões de beneficiários até março de 2026.
Nos moldes atuais, o Auxílio Gás é pago a cerca de 5 milhões de famílias e oferece um subsídio de R$ 108 para custeio do botijão de gás. O valor corresponde à média nacional, calculada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Há, no entanto, estados em que a média fica em torno de R$ 140 — tornando o subsídio insuficiente. O novo programa, portanto, além de entregar o produto de forma gratuita, vai ampliar o número de beneficiários.
Imposto de Renda
Outra aposta do governo Lula para os próximos dias é a aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de lei que vai isentar o Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. Trata-se da principal promessa de campanha do petista. A expectativa é aprovar o texto até o final de setembro.
Na última quarta-feira (27/8), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir a votação do projeto.
O texto estipula que o IR seja zero para quem ganha até R$ 5 mil. O relator, deputado federal Arthur Lira (PP-AL), aumentou a redução parcial para quem ganha até R$ 7.350. Inicialmente, o Ministério da Fazenda propôs a redução para quem ganha até R$ 7 mil. A ampliação deverá beneficiar 500 mil pessoas a mais. Lira manteve a alíquota de 10% sobre quem ganha entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão por ano.
Ataques a adversários
Outro sinal de que Lula entrou em “modo eleição” foi a subida de tom em relação a possíveis adversários nas próximas eleições. Nesta semana, o chefe do Executivo fez fortes críticas públicas aos governadores Tarcísio de Freitas, de São Paulo, e Romeu Zema, de Minas Gerais — ambos cotados para disputarem o Planalto em 2026.
Em entrevista à TV Record, o petista acusou o mineiro de mentir e o chamou de “falso humilde”. “Ele [Zema] é um falso humilde. Tenta vender uma humildade que não tem. Tenta criar um comportamento que não condiz com a necessidade de um governo de Minas Gerais”, criticou o petista.
Zema, por sua vez, usou as redes sociais para rebater a declaração e acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de “destruir” Minas Gerais.
Lula também mirou a artilharia contra Tarcísio, afirmando que o governador “não é nada” sem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Ele vai fazer o que o Bolsonaro quiser. Até porque sem o Bolsonaro, ele não é nada, ele sabe disso”, pontuou o petista em entrevista à Rádio Itatiaia.
O titular do Executivo também deixou claro o desejo de disputar as eleições. Ele afirmou que será candidato se estiver bem de saúde, e, se concorrer, será “para ganhar”.