O Festival do Patrimônio Brasileiro começa nesta sexta (20), na Praça da Juventude, em Ceilândia, e continua no sábado (21), reunindo artistas, mestres da cultura popular e manifestações reconhecidas em diferentes regiões do país. Com entrada gratuita, o evento articula apresentações musicais, rodas tradicionais, homenagens a bens culturais, seminário e feiras, em uma programação que propõe aproximar o público de práticas que atravessam o cotidiano de diversas comunidades. A iniciativa parte de um entendimento ampliado de patrimônio, tratando essas expressões como práticas vivas, em constante circulação, que se atualizam a partir dos encontros entre territórios, gerações e linguagens culturais.
A proposta do festival se organiza a partir da ideia de conexão entre diferentes manifestações, reunindo expressões que compartilham elementos simbólicos e históricos, ainda que tenham origens distintas. Em vez de segmentar as atrações, a programação aposta no diálogo entre tradições, criando uma experiência contínua para o público ao longo dos dois dias. Essa construção orienta tanto a curadoria quanto a disposição das atividades, estruturadas para que as apresentações se relacionem entre si e ampliem o entendimento sobre o patrimônio cultural brasileiro.
Diversidade cultural como eixo da curadoria
A curadoria parte do reconhecimento de bens culturais registrados nos últimos anos e da tentativa de aproximar essas manifestações em uma mesma narrativa. Em entrevista ao Jornal de Brasília, a presidenta do Instituto Rosa dos Ventos, Stéffanie Oliveira, explica que o processo envolveu identificar relações entre diferentes práticas culturais e traduzi-las em encontros concretos na programação. “A maior dificuldade foi tentar contemplar todos esses bens, mas também entender como essas expressões se encontram. A gente pensou na musicalidade, nos saberes, nos tambores e nos encontros possíveis entre essas tradições”, afirma.
Segundo ela, o festival foi desenhado a partir de conexões entre linguagens e gerações, buscando evidenciar como essas práticas dialogam. “A gente pensou no encontro das gerações, no encontro dos patrimônios, no choro encontrando as marujadas, no samba de roda encontrando outras tradições. Foi um trabalho de entender como essas culturas se conversam”, explica. A proposta é mostrar que o patrimônio cultural não se limita a registros formais, mas se manifesta de forma dinâmica, sendo constantemente recriado a partir dos encontros.
A escolha de Ceilândia como sede do evento reforça essa perspectiva ao posicionar a cidade como um espaço de convergência cultural. Formada por fluxos migratórios e marcada por processos de resistência, a região reúne manifestações diversas que ajudam a compreender a pluralidade brasileira. “A Ceilândia é um encontro dos Brasis. É uma cidade onde a cultura pulsa a partir da resistência. A gente entende que a cultura é o maior instrumento de sobrevivência do povo brasileiro”, afirma Stéffanie Oliveira. O território aparece, assim, como parte ativa da construção simbólica do festival.

Programação articula encontros e homenagens
Nesta sexta (20), a programação começa às 16h com a abertura das feiras de artesanato e gastronomia e o funcionamento do Espaço Pela Vida Delas, voltado ao acolhimento e orientação de mulheres. Às 18h, grupos do Distrito Federal realizam uma roda de mamulengo, seguida, às 19h, pela cerimônia de homenagem a bens culturais imateriais brasileiros, reunindo manifestações reconhecidas em diferentes regiões. Ao longo da noite, os encontros musicais ampliam essa proposta, com o Encontro de Maracatu de Baque Virado às 20h, apresentações que conectam o choro às marujadas às 21h e grupos de samba de bumbo paulista às 22h.
Encerrando a programação do primeiro dia, às 23h, Japão, do Viela 17, recebe Criolo em um encontro que aproxima o hip hop das suas raízes culturais, conectando trajetórias e territórios. A construção dessas apresentações reforça a ideia de diálogo entre diferentes expressões, evidenciando a continuidade e a transformação do patrimônio cultural brasileiro a partir das relações entre artistas, comunidades e públicos.
No sábado (21), a programação recomeça às 16h com a abertura das feiras e a realização do seminário Mestres e Mestras – Patrimônio e as Leis de Incentivo, que reúne representantes do setor cultural para discutir políticas públicas, financiamento e estratégias de preservação. Em entrevista ao Jornal de Brasília, o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, destaca a importância desse espaço. “Esses espaços de debate são essenciais para garantir a continuidade das tradições culturais. A troca de experiências e o fortalecimento de redes ajudam a manter esses saberes vivos”, afirma.

A programação musical segue às 18h com apresentação da Orquestra Marafreboi e Márcio Marinho, seguida, às 19h, pelo grupo Beco da Rainha com participações convidadas. Às 20h, o Forró Cobogó promove um encontro de gerações do gênero, seguido, às 21h, pelo diálogo entre Nenzin MC e Rapadura. Às 22h, a Orquestra Alada Trovão da Mata recebe o Maracatu de Baque Solto Galo Dourado, e o encerramento acontece às 23h com o encontro entre o grupo Filhos de Dona Maria, Mariene de Castro, o grupo Nicinha Raízes de Santo Amaro e o Jongo do Cerrado.
Serviço – Festival do Patrimônio Brasileiro
Quando: 20 e 21 de março, das 16h à 0h
Onde: Praça da Juventude, QNN 13, Ceilândia
Ingressos
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Entrada gratuita
