Com direito a bonecos de Olinda, frevo, marchinhas carnavalescas, muito confete e um trem da alegria, o Galinho de Brasília foi uma das atrações da segunda-feira de Carnaval. A concentração aconteceu atrás da Caixa Econômica e a expectativa era receber em média 40 mil foliões.
Com mais de 30 anos de história, o Galinho tem como um dos fundadores Franklin Maciel Torres, que afirmou ao JBr que esse é um dos principais e mais tradicionais blocos de Carnaval de Brasília, junto com o Pacotão. “Nós abrimos o Carnaval para todos os outros blocos”, destacou.
A programação carnavalesca desta edição contou com shows musicais e a saída do bloco teve um percurso ao redor da quadra, para depois retornar ao estacionamento da Caixa Econômica com agitação dos foliões até 22h. Ele tem orgulho de fazer parte da história do Carnaval brasiliense. “Não só do Galinho, mas de todo o carnaval de Brasília, que eu conheço desde 1962”. Ele observou todos esses anos o quanto a folia cresceu no DF. “Lá na Esplanada mesmo, vários blocos com uma multidão chegando de transporte público. Muito interessante o quanto o Carnaval cresceu”.
A empresária e advogada Mariana Sarmanho, 38 anos, e o namorado Rodrigo Melonio, psicólogo, 41 anos, sempre fazem questão de comparecer ao Galinho desde que estão juntos. “A minha família sempre amou o Carnaval, eles são do Rio de Janeiro. E eu pessoalmente, amo o Carnaval de Brasília, por mais que as pessoas achem que não tem”, comentou Mariana. Para ela, o fato de a cidade ser ampla favorece que tenha muitos bloquinhos com fácil acessibilidade. Mariana estava com um look de vaquinha, combinando com o do parceiro. Os dois amam se produzir para a folia. “Nós temos caixas e caixas de fantasia, todo ano é uma nova”, comentou. Ela planeja o figurino com antecedência e monta as próprias fantasias.

O casal de pernambucanos Kátia Barros, 61 anos, bancária, e o empresário Joaquim Barros, 64, resolveu conhecer o Galinho de Brasília. Nesse bloquinho, os dois buscaram matar a saudade de Recife, já que estão na capital federal há seis meses. Eles decidiram explorar o Carnaval brasiliense após passarem por outros polos da cidade. “Viemos curtir o Carnaval de lá aqui, procurando polos onde a gente possa se enturmar e aproveitar”, contou Kátia. Para o casal, o diferencial do Galinho é a fidelidade às marchinhas tradicionais de Carnaval. “A referência é a música de Carnaval. Em outros lugares que passamos, ouvimos de tudo, mas a gente prefere o que é tradicional”, completou Joaquim. Para ele, a “vibe” do frevo e as referências ao Galo da Madrugada foram o que os conquistaram de vez.

A criatividade para as fantasias foi vista no bloquinho. Uma das roupas que mais chamaram a atenção foi a do servidor público Bruno Correa, de 55 anos, e sua esposa, que estavam fantasiados de Papa-Léguas e Coiote. Bruno também é pernambucano, mas mora no quadradinho e mantém viva a tradição de confeccionar as próprias fantasias ao lado da esposa. “Todo ano é diferente. Ano passado fomos de Fred Flintstone e Vilma, com carrinho e tudo”, lembrou. Bruno acompanhou a história do Galinho que faz parte da história de sua própria vida. “Eu morava na 203 Sul quando o bloco nasceu. Conheço a família que idealizou tudo e sou do começo do bloco.” Para ele, esse evento é uma extensão da cultura de Recife.
O bloco foi dominado por pernambucanos que vivem na capital federal, assim como a enfermeira Jaciara Ribeiro, 59, que frequenta o bloco todos os anos. Para ela, o Galinho é uma “lembrancinha” necessária de sua terra natal. “É onde a gente ameniza a falta que o Carnaval de lá faz quando não podemos ir para lá”, disse. Este ano, Jaciara recebeu em sua casa parentes que vieram de Recife e os levou até o bloco para conhecer. Eles se surpreenderam com o vigor do frevo no Planalto Central. Raquel Ribeiro, dentista, 41 anos, aprovou a experiência: “É a primeira vez que venho. Achei animado tanto quanto o de lá, com os ritmos que a gente gosta”.

O casal de namorados Ivo Reseck, 52 anos, geógrafo, e a enfermeira Iris Vinha, 42 anos, também escolheram o Galinho para celebrar a união e a folia. Os dois já acompanham o Carnaval de Brasília e amam a festa na capital, e aproveitaram para vir em um bloquinho que ainda não conheciam. “O Galinho é famoso desde 1990, mas é a nossa primeira vez aqui”, revelou Iris. Devidamente caracterizados com uma fantasia com referência inspirada no filme “O Agente Secreto” e na nostalgia urbana da Telesp dos anos 70, os dois estão na torcida para que a produção leve o Oscar de melhor fantasia. Foram dois dias para confeccionar o orelhão. “Porque envolve esperar secar e pintar. A gente se empenhou com isso”, afirmou Ivo.
