Operação Big Fish desarticula esquema bilionário de jogos ilegais no PR e GO

*Por Cintia Ferreira

Valparaíso de Goiás entrou no radar de uma das maiores investigações recentes contra jogos ilegais e lavagem de dinheiro no país. O município do Entorno do Distrito Federal aparece entre os alvos da Operação Big Fish, que desarticulou um esquema criminoso responsável por movimentar mais de R$ 2 bilhões. O Jornal Opção Entorno teve acesso com exclusividade a detalhes da investigação que mobilizou 330 policiais civis.

A investigação conduzida pela Polícia Civil do Paraná, pelo Ministério Público em parceria com a Policia Civil de Goiás, teve início em março de 2023, a partir da apreensão de seis máquinas de apostas. Segundo o delegado Marcos Felipe da Rocha, chefe da 10ª Subdivisão Policial de Apucarana (PR), o caso revelou uma estrutura maior do que o inicialmente previsto. “Chamou muita atenção […] o tom intimidatório de um dos investigados, o que já demonstrava a estrutura e o tamanho da organização criminosa”, afirmou.

A partir desse episódio, as apurações ganharam força e evoluíram para a identificação de um “conglomerado de organizações criminosas voltadas para a lavagem de dinheiro oriundo de atividades ilícitas”, acrescentou o delegado. O grupo atuava principalmente com exploração do jogo do bicho e apostas online ilegais.

Embora o núcleo financeiro tenha sido localizado em Cianorte (PR), apontada como o “centro nervoso” da operação, a presença de ramificações em estados como Goiás evidencia o alcance nacional do esquema. Valparaíso de Goiás surge nesse contexto como uma das áreas de atuação da organização, reforçando o papel estratégico da região do Entorno.

De acordo com o Ministério Público, a estrutura criminosa utilizava mecanismos sofisticados para ocultar recursos. “A lavagem desse dinheiro era feita através de fintechs e empresas facilitadoras de pagamento”, explicou o delegado Marcos. Já o promotor de Justiça do MPPR Felipe Assis Coelho detalhou que os valores eram manipulados por meio de empresas de fachada e “laranjas”. “Havia a chamada ‘mescla’, com dinheiro lícito sendo misturado a valores ilícitos para viabilizar a lavagem”, disse.

A operação mobilizou grande aparato policial e foi dividida em duas fases para viabilizar o cumprimento das ordens judiciais. Ao todo, foram expedidos 85 mandados de prisão e 102 de busca e apreensão em residências e estabelecimentos comerciais. “São alvos sensíveis, o que exige cautela e planejamento”, afirmou o promotor.

Além das prisões, a Justiça determinou medidas patrimoniais expressivas para enfraquecer financeiramente o grupo. Foram sequestrados 132 veículos, avaliados em cerca de R$ 11 milhões, e 111 imóveis que somam quase R$ 33 milhões. Também houve o bloqueio de contas bancárias e a retirada do ar de 21 sites de apostas ilegais, mais de 100 cabeças de gado, somando cerca de R$ 43,9 milhões.

As autoridades destacam que a operação não se limita à repressão, mas busca impedir a continuidade das atividades criminosas. “O objetivo é descapitalizar e desarticular essas organizações”, afirmou o delegado Marcos.

Com a conclusão da fase ostensiva de retenção de documentos e provas, o material apreendido passa agora por análise detalhada. O próximo passo será o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público. “Temos uma extensa documentação a ser examinada para responsabilizar todos os envolvidos”, disse o promotor Felipe.

Números da operação Big Fish

R$2 bilhões – Movimentação pelo grupo criminoso em quatro anos
61 – Pessoas presas durante a operação
371 – Ordens judiciais expedidas no total
187 – Mandados de prisão preventiva e busca e apreensão
184 – Bloqueios de contas bancárias
2,6 terabytes – Dados analisados
330 – Policiais civis mobilizados
R$1,5 bilhão – Valores bloqueados judicialmente
27 – Cidades investigadas
520 mil – Operações financeiras rastreadas
57 – Quebras de sigilo bancário
15 mil – Pontos de jogos do bicho identificados

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