Um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, foi protocolado nesta segunda-feira (09) pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). A iniciativa foi motivada por uma suposta relação do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) repercutiu o assunto no plenário do Senado.
Durante a manifestação, o senador afirmou que o pedido foi apresentado com base em suspeitas levantadas no caso. “Estão todos aqui para dar entrada num pedido novo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes por indícios de corrupção, por obstrução de investigação de organizações criminosas, tudo respaldado, que é a primeira vez que um governador tem a coragem de entrar com pedido de impeachment”, declarou.
Além disso, o Partido Novo também protocolou uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República contra Alexandre de Moraes. Eduardo Girão informou ainda que apresentou uma representação no Conselho de Ética pedindo o afastamento imediato do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Segundo o senador, o motivo seria omissão institucional e abuso da prerrogativa do cargo. “Nós precisamos fazer um chamamento às pessoas de bem, para que de forma ordeira e pacífica participem desse processo, reivindicando aos seus parlamentares que se posicionem com relação ao que está acontecendo, porque é um silêncio ensurdecedor que acontece nessa Casa”, afirmou.
O pedido de impeachment foi apresentado após a divulgação de uma suposta troca de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro. As mensagens teriam sido encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro.
Segundo o STF, Alexandre de Moraes nega ter mantido conversas com Vorcaro em 17 de novembro do ano passado. Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal, foi informado que as mensagens não foram enviadas ao ministro, mas a outros contatos que constam na agenda do banqueiro.
De acordo com o comunicado, os prints das mensagens estariam vinculados a pastas de outras pessoas da lista de contatos de Vorcaro e não direcionados ao ministro. A secretaria informou ainda que os nomes desses contatos não serão divulgados por causa do sigilo.
Daniel Vorcaro foi preso no dia 4 durante a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master. Inicialmente, ele ficou custodiado na Penitenciária de Potim, no interior de São Paulo.
Na sexta-feira (6), o banqueiro foi transferido para a Penitenciária Federal em Brasília, presídio de segurança máxima. A transferência foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, relator das investigações da operação, após pedido da Polícia Federal. Segundo a corporação, Vorcaro poderia influenciar as investigações.
O ministro André Mendonça também autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar o vazamento de dados sigilosos bancários, fiscais e telemáticos do banqueiro. A decisão ocorreu após solicitação da defesa de Vorcaro.
De acordo com os advogados, os vazamentos teriam ocorrido depois que Mendonça autorizou o compartilhamento dos dados com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, que apura a suposta ligação do Banco Master com fraudes em empréstimos consignados de aposentados e pensionistas do instituto.
