Relatos de superação marcam solenidade em homenagem ao esporte amador do DF

Relatos de superação marcam solenidade em homenagem ao esporte amador do DF

Evento reuniu testemunhos de atletas de diversas modalidades, além de gestores públicos, que abordaram o esporte como ferramenta de transformação e cidadania

O auditório da Câmara Legislativa sediou, na última sexta-feira (10), sessão solene em homenagem ao esporte amador do Distrito Federal. Proposto pela deputada Doutora Jane (Republicanos), o evento reuniu atletas de diversas modalidades, os quais testemunharam histórias de persistência e superação; além de gestores públicos, que destacaram o esporte como ferramenta de transformação e cidadania

Doutora Jane contou ter praticado voleibol e atletismo em sua juventude e ressaltou a importância do esporte amador como instrumento de mudanças individuais e sociais. “O esporte amador nasce da coragem, da disciplina e da persistência; nasce dos sonhos de quem nunca desistiu, mesmo diante das dificuldades”, disse a parlamentar. Ela ressaltou que valorizar o segmento é “acreditar na juventude, incentivar hábitos saudáveis e promover inclusão”. 

Relatos de quem vive o esporte 

A solenidade deu voz a vários protagonistas do cenário amador. Praticante de jiu-jitsu, Débora Priscila Oliveira Arrais é assessora legislativa da Câmara dos Deputados, e relatou como a modalidade trouxe equilíbrio à sua rotina. “O esporte amador representa constância, persistência e superação diária. Não é sobre você ter a performance perfeita, é sobre continuar mesmo nos dias mais difíceis”, afirmou. 

Juliana Martins Alves Caixeta de Sá falou em nome da Associação Canomama, que reúne mulheres sobreviventes do câncer de mama que praticam canoagem. Ela descreveu o esporte como ferramenta de cura emocional e reconstrução de sonhos, relatando sua experiência pessoal: após mastectomia bilateral, teve limitações de movimento e depressão, e encontrou no remo o fortalecimento de que precisava. “Cada remada representa superação. É muito mais do que exercício físico: é terapia, é conexão com meu eu interior e com a natureza”, concluiu Juliana. 

A carateca Carla Andressa também compartilhou sua trajetória de superação por meio do esporte. Natural de Planaltina, a atleta enfrentou uma série de dificuldades: foi vítima de violência doméstica e chegou a participar de competições com fome. “Muitas vezes, fui para campeonato de barriga vazia; dividíamos um cachorro-quente entre cinco atletas”, lembrou. A carateca não desistiu e conquistou títulos nacionais e internacionais. Além disso, segundo informou, graças ao caratê conseguiu acessar o ensino superior e fazer mestrado. 

O esporte amador como forma de inclusão foi destacado pela presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Distrito Federal (Apae-DF), Erenice Natália Soares de Carvalho, que elogiou a realização das Olimpíadas Especiais das Apaes no DF, no final do ano passado. Ela ressaltou, também, que as práticas desportivas fortalecem o vínculo entre as famílias e os atletas. 

Representando os atletas com deficiência da Apae-DF, Catharina Brisola apontou que o esporte lhe proporciona disciplina e fé para vencer seus limites. Ela falou do orgulho de ser atleta de natação e atletismo e da gratidão que sente por seus professores e amigos: “Eles me ensinaram muitas coisas que me deixaram com muita fé e muita força para vencer”. 


 

Rotina pesada e disciplina 

Moradores do Paranoá, os irmãos Mateus e Felipe Elias enfrentam uma rotina exaustiva para conciliar a escola e os treinos de saltos ornamentais. “É muita correria, todos os dias, de 5h da manhã até 7h da noite, do colégio para o treino”, atestou o pai dos meninos, Arlen Elias. Ele avalia que a persistência dos jovens atletas, a despeito das dificuldades financeiras e de logística para viabilizar a participação em competições, tem dados bons resultados: medalhas em campeonatos brasileiros e sul-americanos. 

Políticas públicas e incentivo 

Diversos participantes da solenidade defenderam a necessidade de programas e de recursos públicos de incentivo ao esporte amador. Autor da lei distrital que criou o “Compete Brasília”, o deputado federal Julio Cesar (Republicanos/DF) enfatizou que, havendo investimento na base, o DF tem potencial para revelar diversos talentos de reconhecimento mundial, como Caio Bonfim, que é de Sobradinho e hoje é um dos maiores nomes da marcha atlética. 

O subsecretário de Esporte, Lazer e Espaços Esportivos da Secretaria de Esporte e Lazer do DF, Nivaldo Vieira Felix, registrou que mais de 5,7 mil atletas foram beneficiados pelo programa “Compete Brasília” no último ano. “Brasília hoje é a capital do esporte”, elogiou. O gestor ainda acrescentou: “As políticas de segurança, educação e saúde são muito mais eficientes quando andam ao lado da pasta do esporte”. 

Homenagens 

A solenidade foi encerrada com a entrega de moções de louvor a atletas e outros entusiastas do esporte amador do DF. O objetivo foi homenagear e reconhecer, publicamente, o trabalho e as conquistas dessas pessoas.

 

Agência CLDF de Notícias

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