BRUNA FANTTI
FOLHAPRESS
Nesta terça-feira (17), a Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro recebe quatro desfiles que atravessam a ancestralidade africana e a história do samba do Brasil.
A Paraíso do Tuiuti apresenta o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, inspirado na tradição religiosa afro-cubana conhecida como santería, de matriz iorubá. A escola propõe um mergulho na história dos orixás cultuados em Cuba e destaca as conexões espirituais e culturais entre o país caribenho e o Brasil, evidenciando a herança africana comum e os caminhos de resistência preservados por meio da fé e da oralidade.
“A gente começa de uma forma mais espiritual, contando a criação do mundo, a criação do universo, a criação da natureza e a criação dos homens para justificar a existência, a importância do Ifá para as nossas vidas. Então, a gente faz essa introdução e aí a gente, no primeiro setor, fala da chegada do Ifá na Terra em Ifé, que é a primeira cidade da humanidade pela cultura iorubá, onde os primeiros homens, as primeiras mulheres vêm à Terra, são criados e ganham vida”, disse o carnavalesco Jack Vasconcelos.
A Unidos de Vila Isabel leva para a avenida “Macumbembê, Samborembá: Sonhei Que Um Sambista Sonhou a África”, enredo que homenageia o compositor e artista plástico Heitor dos Prazeres, um dos pioneiros do samba carioca. A proposta resgata a influência africana na formação do gênero e destaca a trajetória de Heitor como personagem central na consolidação do samba como expressão cultural urbana do Rio de Janeiro, além de valorizar sua contribuição para as artes visuais e para a memória musical brasileira.
“A intenção da escola, ao propor essa homenagem ao Heitor dos Prazeres, é justamente direcionar o seu olhar para os fundamentos do samba, para a história do próprio samba, exaltando a vida e a obra de uma personalidade fundamental para a compreensão das raízes sambistas da cidade do Rio de Janeiro” afirmou o carnavalesco Leonardo Bora, que trabalha com o também carnavalesco Gabriel Haddad.
Já a Acadêmicos do Grande Rio apresenta “A Nação do Mangue”, com foco no movimento Manguebeat, surgido no Recife nos anos 1990. Liderado por artistas como Chico Science e a banda Nação Zumbi, o movimento combinou ritmos regionais, como maracatu, com rock, hip-hop e música eletrônica, propondo uma renovação estética e social a partir da realidade pernambucana.
Encerrando a noite, o Acadêmicos do Salgueiro apresenta “A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora Que Não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e Nem do Pirata da Perna-de-Pau”, em homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães. Reconhecida por sua erudição e inventividade, Rosa construiu desfiles marcantes e conquistou diversos títulos no sambódromo.
CONFIRA OS HORÁRIOS DOS DESFILES:
22h – Paraíso do Tuiuti
23h30 – Unidos de Vila Isabel
1h -Acadêmicos do Grande Rio
2h30 – Acadêmicos do Salgueiro
