Pequenas empreendedoras do Sol Nascente — região que evoluiu de um simples aglomerado de chácaras para um dos maiores polos de expansão do Distrito Federal — estiveram reunidas na tarde da última quinta-feira, 12 de março, para uma roda de conversa com representantes do Sebrae no DF. O encontro, realizado na sede da Associação da Feira Livre, no Trecho 2, integrou as ações do Programa Empreenda Mulher, iniciativa fruto de uma parceria estratégica entre o Sebrae e a Secretaria de Estado da Mulher do DF e que tem como proposta converter o talento informal em negócios estruturados, posicionando o empreendedorismo como ferramenta essencial para a autonomia financeira e a ruptura do ciclo de dependência econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade.
Atualmente consolidada como uma das maiores e mais dinâmicas regiões administrativas do Distrito Federal, o Sol Nascente/Pôr do Sol carrega números que impressionam tanto quanto sua rápida expansão urbana.
De acordo com dados recentes da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) e do Censo do IBGE, a região já disputa o posto de maior favela ou assentamento precário do Brasil em extensão e densidade populacional, superando aglomerados históricos como a Rocinha, no Rio de Janeiro. Com uma população estimada que ultrapassa os 95 mil habitantes, a região possui uma economia pulsante e essencialmente local, onde o comércio de vizinhança e as feiras livres são os principais motores de subsistência. Essa característica torna ações de capacitação técnica fundamentais para organizar um território que cresce a passos largos, transformando a ocupação física em uma comunidade de oportunidades e produção de riqueza.
Rafaela Ferreira, gestora do Programa Empreenda Mulher no Sebrae no DF, acompanhou de perto as discussões, reforçando que o sucesso de qualquer política de fomento depende da capacidade de conexão real com o território. Para ela, o Sebrae precisa estar onde a vida acontece para compreender que o empreendedorismo feminino nessas regiões vai muito além da abertura de um pequeno negócio.
“Estar aqui, olho no olho, é fundamental para que possamos ouvir as dores reais de cada uma dessas mulheres, entendendo os obstáculos que as impedem de prosperar”, pontuou Rafaela.
“Muitas vezes, o que elas precisam não é apenas de técnica, mas de acolhimento e de uma escuta ativa que valide seus esforços. Quando ouvimos essas histórias de luta, conseguimos adaptar nossas ferramentas para que o Sebrae seja, de fato, a ponte que as levará da vulnerabilidade à autonomia financeira”, complementou ela.
Aos 22 anos e moradora do Sol Nascente há seis, Paloma Sousa foi um dos rostos presentes na atividade. Ela é idealizadora da Donna Vibe, marca de vestuário feminino que opera tanto na banca física da feira quanto no ambiente digital, e iniciou sua jornada há apenas cinco meses, movida por um desejo genuíno de empreender.
Embora já domine o atendimento presencial, Paloma encara agora o desafio de profissionalizar a gestão de seu negócio e vê no rol de soluções do Sebrae no DF o caminho para consolidar sua marca em um mercado cada vez mais competitivo e tecnológico.
“Tenho a expectativa é aprender a dominar novas plataformas e entender de vez como funcionam as planilhas e a gestão de um pequeno negócio. São aspectos sinto muita dificuldade no dia a dia. Quero ver a Donna Vibe crescer e com o apoio do Sebrae eu sei que estarei muito mais preparada e com o conhecimento necessário para fazer a minha marca decolar tanto aqui na feira quanto no digital”, contou Paloma.
Gleyciane Ribeiro, de 42 anos, foi outra empreendedora a marcar presença na roda de conversa realizada no Sol Nascente. Moradora da QNQ e figura presente na Feira do Sol Nascente aos sábados e domingos, ela cresceu vendo a mãe conseguir o sustento da casa vendendo em pequenas bancas e e em casa.
Após quatro anos mantendo um brechó em sua própria casa, Gleyciane decidiu expandir seus horizontes e, por meio da associação local, abriu um pequeno negócio batizado de Mimos da Beca — uma homenagem à filha Rebeca, de apenas 11 anos.
A proposta tornou-se um projeto familiar. Enquanto o marido, Reginaldo, apoia na logística, Rebeca já demonstra o talento herdado da avó e da mãe, confeccionando pulseiras e já até domina o processo de vendas com a desenvoltura.
“Aprendi a vender acompanhando minha mãe nas feiras e em casa. Hoje sinto um orgulho imenso ao ver minha filha de 11 anos seguindo esse mesmo caminho na nossa banca. O que eu busco agora no Sebrae é entender que empreender vai muito além de apenas vender o produto. Preciso dominar as redes sociais porque hoje a internet é o motor de tudo. Se a gente não se atualiza e não busca esse conhecimento, o negócio simplesmente não anda”, finalizou Gleyciane.
–
Créditos das Notícias Sebrae DF
