Night Lab propõe reflexão sobre novas formas de amar com Geni Núñez

No mês tradicionalmente associado ao romantismo, o Night Lab convida o público a ampliar o olhar sobre o amor. A 29ª edição do evento, que acontece nesta quinta-feira (18), no SESI Lab, terá como tema os afetos contemporâneos, abordando o amor não apenas como sentimento, mas como um conjunto de referências culturais que influencia escolhas, comportamentos e expectativas.

A programação reúne música, literatura e experiências criativas. Entre os destaques está a participação da escritora, psicóloga e ativista indígena Geni Núñez, conhecida nas redes sociais pelo perfil @genipapos, que soma mais de 380 mil seguidores. Autora de Descolonizando afetos: Experimentações sobre outras formas de amar, livro que já vendeu mais de 50 mil exemplares no país, ela será a convidada da Conversa Poética do Night Lab.

A reflexão proposta por Geni parte da ideia de que os processos de colonização continuam presentes nas formas como as pessoas se relacionam. Para ela, a descolonização não se restringe à disputa por territórios físicos, mas alcança também dimensões subjetivas da existência.

Segundo a autora, esse processo envolve compreender o território como algo que vai além da terra, alcançando o corpo, o pensamento e as formas de conexão entre as pessoas. “Eu tenho entendido que o processo de descolonização, ele é amplo e ele passa desde o direito ao território, né, que nossos povos buscam até hoje ter esse direito ao território, mas também entendendo o território como o nosso corpo, nosso pensamento, a maneira como a gente se conecta, se relaciona”, afirma.

Foto: Karime Xavier/ Divulgação

Essa perspectiva está no centro do conceito de “descolonizar os afetos”, tema que tornou sua obra uma referência para leitores interessados em repensar modelos de relacionamento. Para Geni, embora a colonização seja frequentemente tratada como um acontecimento do passado, seus efeitos continuam moldando imaginários, comportamentos e estruturas sociais.

“A colonização não acabou. Ela continua e se atualiza, seja no ponto de vista da invasão territorial, seja na invasão também do imaginário. Então, quando eu trago essa expressão onde descolonizar os afetos, é sobre reconhecer o modo como a colonização ainda impacta a forma como as relações acontecem e pensar outros caminhos para além do que eu chamo dessa monocultura do pensamento”, explica.

A autora relata que a motivação para desenvolver a pesquisa surgiu também da observação das dinâmicas de violência presentes nas relações interpessoais. Em sua escuta acadêmica e profissional, identificou a recorrência de modelos afetivos marcados por controle, possessividade e desigualdade.

“Junto da minha pesquisa acadêmica, algo que eu fui percebendo na minha escuta foi de que nós temos um contexto em que há um alto índice de violências, sobretudo nas relações interpessoais e que o modo como essa relação hegemônica normativa acontece costuma vir muito acompanhado de violência”, afirma.

Diante desse cenário, ela busca ampliar o debate sobre outras possibilidades de vínculo. “Eu queria também contribuir nesse debate na direção de trazer que existem outros modos de relação, outras maneiras de se encontrar, de se relacionar para além da ideia da possessividade, do controle.”

Inspirada pelas reflexões da escritora, a oficina de colagem propõe aos participantes pensar os afetos contemporâneos por meio da criação de publicações independentes. Já a atividade com flores convida o público a ressignificar o ato de presentear, deslocando-o das convenções românticas e de gênero.

Parte da repercussão do trabalho de Geni também está relacionada à sua presença nas redes sociais. A autora explica que a escolha por ocupar esses espaços digitais surgiu do desejo de tornar debates acadêmicos mais acessíveis ao público em geral.

“Eu tenho as publicações científicas, de tese de doutorado, de dissertação, artigos, mas eu também queria que uma parte desse debate chegasse a pessoas leigas, a pessoas que não necessariamente são pesquisadoras desses temas, mas que têm interesse nessa discussão. Então, essa presença nas redes foi a minha maneira de também tornar mais acessível essas discussões”, diz.

Além da conversa com Geni Núñez, o Night Lab terá apresentação do cantor e compositor Zé Ibarra, que sobe ao palco para mostrar seu trabalho mais recente. A programação inclui ainda a oficina Reorganizar Afetos, promovida pelo Clube de Colagem de Brasília, e uma atividade de design de arranjos florais desenvolvida pela FLO especialmente para o evento.

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Zé Ibarra. Foto Rodrigo Ferraz/ Divulgação

Os ingressos para a edição já estão esgotados, mas um lote extra será disponibilizado para venda presencial na bilheteria do SESI Lab no dia do evento, a partir das 17h.

Programação:

19h – Estúdio Bijari ocupa o painel de LED (Hall de entrada)

20h – Discotecagem com Trisal Batidão (Hall de entrada)

20h – Oficina Reorganizar Afetos, com Clube de Colagem de Brasília (Experimento Lab)

20h – Oficina Design de Arranjos Florais, com FLÔ (Espaço Maker) 20h30 – Conversa Poética com Geni Núñez (Túnel)

20h30 – Conversa Poética com Geni Núñez (Túnel)

22h – Show Zé Ibarra (Hall de entrada)

Serviço
Night Lab – Afetos Contemporâneos
Data: 18 de junho de 2026, das 19h à 0h
Local: SESI Lab – ao lado da Rodoviária do Plano Piloto
Classificação: 18 anos
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Lote extra com venda presencial na bilheteria do SESI Lab a partir das 17h do dia do evento.

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