ETB Mix reúne projetos tecnológicos de estudantes e aproxima formação técnica do empreendedorismo | ASN Distrito Federal

Sistemas digitais desenvolvidos para atender demandas reais de pequenos negócios, aplicativos voltados à conexão e à segurança de mulheres, projetos de robótica e soluções criadas a partir dos conhecimentos adquiridos em sala de aula ocuparam os espaços da Escola Técnica de Brasília (ETB) no último sábado, 4 de julho. Ao longo do dia, estudantes apresentaram ao público como conteúdos de informática, eletrônica, eletrotécnica e telecomunicações podem ganhar aplicação prática antes mesmo da conclusão da formação profissional.

As iniciativas integraram a 44ª edição da ETB Mix, tradicional feira cultural e tecnológica promovida pela instituição de ensino. Com o tema “Elas na Ciência”, o encontro reuniu quase 30 projetos desenvolvidos por estudantes da própria escola e de instituições convidadas, além de atividades como Escape Room, jogos colaborativos e demonstrações de robótica e programação.

A ETB realiza a feira ao final de cada semestre, permitindo a participação de estudantes em diferentes etapas da formação. Alguns trabalhos apresentados já correspondem aos projetos de conclusão de curso, enquanto outros começam a ser estruturados nos primeiros módulos e seguem em desenvolvimento à medida que os alunos avançam nas disciplinas.

Segundo o diretor da instituição, Jackes Ridan, esse processo permite que ideias inicialmente mais simples sejam aprimoradas com os conhecimentos técnicos adquiridos ao longo do curso. Atualmente, a ETB reúne cerca de 1,5 mil estudantes nos turnos matutino, vespertino e noturno, além de aproximadamente 80 professores efetivos e 20 docentes temporários.

“Muitos alunos já chegam à escola com uma ideia e, no decorrer do curso, recebem um aporte de informações que permite melhorar aquilo que vinham pensando ou desenvolvendo. Ao final do semestre, independentemente de estarem no primeiro, segundo, terceiro ou quarto módulo, eles podem apresentar na feira algo construído dentro das disciplinas”, explicou.

Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem

O Sebrae no Distrito Federal apoiou a edição e participou da programação com atividades de gamificação voltadas ao desenvolvimento de competências relacionadas ao empreendedorismo. Jogos colaborativos propuseram desafios envolvendo raciocínio, comunicação, tomada de decisão e trabalho em equipe, ampliando a programação destinada aos estudantes e também às crianças e famílias que visitaram a escola.

Para o analista da Assessoria de Políticas Públicas e Ecossistema de Negócios (APEC) do Sebrae no DF, Fernando Leite, a participação na ETB Mix permite aproximar a educação empreendedora de estudantes que já estão transformando conhecimentos técnicos em projetos e soluções.

Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem

“Quando esses estudantes desenvolvem uma solução, testam uma ideia, identificam um problema e pensam em como resolvê-lo, já estão mobilizando competências diretamente relacionadas ao comportamento empreendedor. A presença do Sebrae busca ampliar esse contato de forma prática, mostrando que conhecimentos técnicos podem gerar produtos, serviços, novos negócios ou melhorias para empresas que já existem. A gamificação também permite trabalhar essas competências em uma linguagem acessível e participativa”, destacou.

Tecnologia aplicada a demanda do pequeno negócio

Entre os trabalhos apresentados estava o Sistema de Agendamento e Gestão – Inovação Tecnológica Aplicada ao Empreendedorismo Feminino Local, desenvolvido como projeto de conclusão de curso por um grupo de seis estudantes. A solução nasceu a partir de uma necessidade identificada em um salão de beleza localizado em Vicente Pires.

O grupo desenvolveu um sistema web customizado para organizar a rotina do estabelecimento, permitindo gerenciar agendamentos, horários dos profissionais, informações de clientes, produtos comercializados e itens de estoque. O projeto também incorpora recursos para apoiar o acompanhamento do fluxo financeiro da empresa.

Foto: Samuel Andrade | Focus Produção de Imagem

A construção seguiu etapas de engenharia de software, passando pela modelagem de requisitos, desenvolvimento de back-end, estruturação do banco de dados, criação da interface e implantação da solução. O trabalho apresentado na ETB Mix já havia ultrapassado a fase de protótipo: o sistema entrou em uso no salão atendido pelo projeto.

Integrante do grupo, Guilherme Lima explicou que a proposta foi construída a partir da observação da rotina do empreendimento e das dificuldades enfrentadas na organização das informações. “A ideia foi desenvolver uma solução que realmente pudesse ser utilizada no dia a dia do salão, e não apenas criar um sistema para apresentar como TCC. Trabalhamos para reunir em um único ambiente informações que antes precisavam ser controladas de outras formas, como os agendamentos, os horários dos profissionais e dados relacionados aos produtos. O sistema já está funcionando e começou a ser utilizado pelo próprio negócio, então conseguimos acompanhar uma aplicação concreta do que desenvolvemos durante o curso”, relatou.

Projeto propõe rede digital voltada às mulheres

Outro grupo levou à feira o GPS Feminino – Caminhos que Conectam, projeto desenvolvido por estudantes do terceiro semestre e que deverá avançar no próximo período como trabalho de conclusão de curso. A proposta prevê a criação de uma plataforma digital para reunir, em um mesmo ambiente, informações sobre oportunidades profissionais, cursos, saúde, direitos, segurança e redes de apoio para mulheres.

O projeto também está inscrito no Desafio Liga Jovem, iniciativa do Sebrae voltada ao desenvolvimento de soluções inovadoras por estudantes. Na ETB Mix, o grupo apresentou protótipos das versões desktop e mobile e detalhou as funcionalidades previstas para a futura aplicação.

Segundo a estudante Patrícia Lima Cardoso, a intenção é desenvolver uma ferramenta capaz de direcionar as usuárias conforme suas necessidades. Entre os recursos planejados estão comunidades para troca de experiências, conteúdos relacionados à saúde feminina, informações sobre direitos e mecanismos de acesso a serviços de proteção.

“A mulher poderá entrar no aplicativo e encontrar diferentes caminhos de acordo com aquilo que precisa. A proposta é ter uma inteligência artificial que ajude nesse direcionamento, além de comunidades para troca de experiências, uma área de saúde e recursos de segurança. Se uma mulher estiver sofrendo violência, por exemplo, poderá acessar informações sobre seus direitos, as leis que a amparam e os serviços que podem auxiliá-la”, explicou.

O grupo agora busca parceiros e patrocinadores para avançar da etapa de prototipagem para o desenvolvimento da aplicação. “A gente não quer fazer um projeto apenas para apresentar no TCC ou no Liga Jovem. Queremos desenvolver a solução, colocar para funcionar e fazer com que chegue às mulheres”, acrescentou Patrícia.

Desafios colocam conhecimentos técnicos à prova

A programação também incluiu atividades desenvolvidas pelos próprios professores da ETB. Uma delas foi o Escape Room coordenado pelo professor de eletrotécnica Sérgio Argido. Na dinâmica, equipes precisavam resolver uma sequência de enigmas para desativar um cronômetro regressivo em até 25 minutos.

As pistas indicavam as funções de diferentes fios do sistema: enquanto um poderia interromper a contagem, outros eram capazes de acelerar ou desacelerar o cronômetro, ativar o dispositivo ou simplesmente não produzir efeito. Para avançar, os participantes precisavam reunir informações, interpretar as cartas escondidas no ambiente e tomar decisões coletivamente.

Os desafios eram adaptados conforme a área de formação dos participantes, com conjuntos específicos para estudantes de telecomunicações, eletrônica, eletrotécnica e informática. Entre os enigmas, também havia uma questão relacionada ao Sebrae, inserindo informações sobre a instituição na sequência de pistas a ser solucionada pelas equipes.

Projeto vencedor terá acesso ao Empretec

Como parte do apoio à iniciativa, o Sebrae no DF disponibilizou à Escola Técnica de Brasília uma vaga para participação no Empretec. A instituição de ensino definiu que a oportunidade será destinada ao projeto classificado em primeiro lugar na ETB Mix.

Os trabalhos foram avaliados por professores da escola e, como parte dos projetos é desenvolvida coletivamente, os integrantes do grupo vencedor deverão definir por sorteio qual estudante utilizará a bolsa.

A iniciativa acrescenta uma etapa de formação empreendedora à experiência dos estudantes que já desenvolvem soluções técnicas durante os cursos. Segundo Fernando Leite, a conexão entre conhecimento especializado e competências de gestão pode ser determinante para projetos que demonstram possibilidade de continuidade fora do ambiente escolar.

“Há estudantes aqui com soluções que podem avançar para o mercado, atender empresas, gerar novos serviços ou até dar origem a negócios. O conhecimento técnico é a base desses projetos, mas, quando existe interesse em levá-los adiante, também entram questões como identificação de oportunidades, validação, relacionamento com clientes e capacidade de tomar decisões. A aproximação com o Sebrae permite apresentar esses caminhos e mostrar aos estudantes que uma ideia desenvolvida durante a formação pode ter continuidade depois da feira”, concluiu o analista.

Créditos das Notícias Sebrae DF

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