Antes de existir uma fábrica de sorvetes, uma marca conhecida no Paranoá e uma empresa que hoje produz cerca de cinco mil picolés por semana, existia apenas uma pequena loja de madeirite. Era ali que Sandra Regina Alves, hoje com 51 anos, e o marido, Joselito de Sousa da Silva, 52, trabalhavam durante o dia, fabricavam sorvetes durante a madrugada e dormiam no chão, sobre pedaços de papelão.
“Não tínhamos cama. Forrávamos o chão com papelão e dormíamos ali mesmo. Depois conseguimos comprar alguns fardos de açúcar e eles viraram a nossa cama improvisada”, recorda Sandra.
A história da Sorveteria Freeway começou em 1993, quando Joselito recebeu um convite para sair de Planaltina e se tornar sócio de uma sorveteria no Paranoá. O casal, que estava junto desde a adolescência, decidiu apostar na mudança. Sandra tinha apenas 19 anos e passou a ajudá-lo no negócio, embora naquele momento ainda não recebesse salário.
A rotina rapidamente se transformou em uma sucessão de jornadas longas. Durante o dia, atendiam os clientes. À noite, quando as portas se fechavam, começava a fabricação dos sorvetes, trabalho que se estendia até cerca de três horas da manhã. Depois de poucas horas de descanso, tudo recomeçava bem cedinho.
Em 1994 nasceu a primeira filha do casal. Pouco tempo depois, Sandra e Joselito passaram a morar em um pequeno barraco de madeirite construído nos fundos da sorveteria. No ano seguinte veio o segundo filho, que morreu ainda bebê em decorrência de uma infecção hospitalar após uma cirurgia. Em 1996 nasceu a terceira filha, enquanto a família seguia dividindo o tempo entre o trabalho e a criação dos filhos.
O primeiro grande passo aconteceu em 1999. Depois de economizar durante anos, Joselito comprou uma máquina de fabricar picolés. O casal conseguiu adquirir freezers com fornecedores que já conheciam e alugou uma segunda loja no Paranoá, endereço que permanece até hoje como sede da Sorveteria Freeway.
Durante algumas semanas, os dois mantiveram as duas operações funcionando simultaneamente. Mas um desentendimento com o antigo sócio mudou completamente os planos. “Cerca de vinte dias depois de abrirmos a nova loja, meu marido foi acusado injustamente de estar roubando. Ele preferiu sair sem levar nada. Recomeçamos praticamente do zero, apenas com a loja que já estava no nosso nome. Foi ali que nasceu, de fato, a Sorveteria Freeway“.

Os anos seguintes foram marcados por períodos de crescimento e também por muitas dificuldades. Como acontece com boa parte das sorveterias, o faturamento sempre acompanhou as estações do ano. “No calor as vendas são excelentes. Já no frio é muito difícil. A gente costuma dizer que trabalha como a formiga: junta durante o verão para conseguir atravessar o inverno”, disse Sandra.
Nem sempre as contas fechavam. Em alguns momentos, as dívidas com fornecedores se acumularam, mas Sandra afirma que a credibilidade construída ao longo dos anos foi determinante para manter o negócio funcionando. “Houve épocas em que ficamos devendo fornecedores, mas sempre honramos nossos compromissos. Eles conheciam a nossa história e continuaram acreditando na gente até conseguirmos nos recuperar”.
Com o crescimento da produção, a Freeway chegou a manter cerca de 30 carrinhos de picolé espalhados pelas ruas do Distrito Federal. Muitos dos vendedores eram aposentados que encontravam na atividade uma forma de complementar a renda da família. “Até hoje encontramos alguns deles e mantemos amizade. Era uma relação muito próxima. Hoje essa realidade mudou bastante e os jovens já não demonstram o mesmo interesse em trabalhar vendendo picolé nas ruas”.
A produção também deixou de acontecer nos fundos da sorveteria. Depois de adquirir um lote no Itapoã, a família construiu uma fábrica própria, onde atualmente produz, em média, cerca de 500 litros de sorvete e cinco mil picolés por semana. Além da loja no Paranoá, os produtos são revendidos em estabelecimentos de cidades como Itapoã, Sobradinho e Planaltina.
Sandra acredita que essa relação com o comércio começou ainda na infância, quando ajudava o pai no pequeno bar da família. “Depois da escola eu passava a tarde atendendo clientes e observando como tudo funcionava. Acho que foi ali que aprendi a lidar com as pessoas”.
Ao longo dessa trajetória, a capacitação passou a fazer parte da rotina do negócio. Sandra participou de cursos de atendimento ao cliente, fluxo de caixa, marketing e consultorias de gestão oferecidos pelo Sebrae no Distrito Federal. No início dos anos 2000, um consultor da instituição também desenvolveu a identidade visual da Sorveteria Freeway, incluindo o mascote que até hoje identifica a marca.

Além da própria formação, Sandra também passou a incentivar os colaboradores a participarem de capacitações voltadas ao atendimento ao público, buscando aprimorar continuamente os serviços oferecidos pela empresa.
Hoje, enquanto Joselito dedica-se integralmente à produção na fábrica, Sandra permanece todos os dias na loja, acompanhando o atendimento e a rotina do negócio que ajudou a construir desde o primeiro freezer. “Quando olho para trás e vejo tudo o que vivemos, desde dormir no chão de uma loja de madeirite até construir uma empresa que completa 33 anos, sinto muito orgulho da nossa história. Nada foi fácil, mas sempre trabalhamos com honestidade, dedicação e muita vontade de crescer. Acho que foi isso que nos trouxe até aqui’’, finalizou.
Serviço – Sorveteria Freeway
Endereço: Quadra 12 conjunto 6 lote 3, Paranoá, Distrito Federal
Contato: (61) 99343-2391 | (61) 33696161
Redes sociais: @sorveteriafreeway, no Instagram
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Créditos das Notícias Sebrae DF
