A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (18), a Operação “Ilusão Digital” para desarticular um grupo suspeito de usar vídeos produzidos com inteligência artificial para aplicar golpes em vítimas de diferentes estados do país.
A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC/Decor), com apoio da Polícia Civil de São Paulo. Durante a operação, os investigadores cumpriram um mandado de busca e apreensão em Guarulhos (SP).
Segundo a investigação, os suspeitos utilizavam imagens, vozes e identidades de pessoas famosas, sem autorização, para produzir vídeos falsos com a técnica conhecida como deepfake. O conteúdo era divulgado principalmente nas redes sociais.
Nas gravações, os rostos e as vozes de cantores e jornalistas eram manipulados para simular relatos pessoais sobre supostos problemas de disfunção erétil. Em seguida, as vítimas eram direcionadas à compra de produtos apresentados como tratamentos naturais para o problema.
A polícia afirma que a estratégia buscava dar aparência de credibilidade aos anúncios e convencer os consumidores de que os produtos eram recomendados pelas próprias celebridades.
De acordo com a PCDF, a análise dos vestígios digitais e financeiros permitiu identificar um dos suspeitos de participar do esquema. As investigações também identificaram vendas e entregas dos produtos para vítimas em Brasília. A polícia alerta para o risco relacionado à comercialização dos itens, já que ainda não há informações sobre a composição ou possíveis efeitos à saúde dos consumidores.
Durante a operação, foram apreendidos diversos dispositivos eletrônicos. O material será encaminhado para perícia e poderá ajudar os investigadores a identificar outros envolvidos e esclarecer a estrutura do grupo.
Investigação
A PCDF informou que, conforme o avanço das investigações, os suspeitos poderão responder por crimes como estelionato qualificado praticado por meio eletrônico, comercialização ilegal de medicamentos e falsidade ideológica.
Segundo a polícia, considerando as penas máximas previstas para os crimes investigados, a soma pode chegar a 28 anos de prisão.
