A CAIXA Cultural Brasília sedia neste final de semana o Festival Bailão no Cerrado. Realizado pelo grupo brasiliense As Fulô do Cerrado, o encontro gratuito celebra a cultura popular brasileira e promove o intercâmbio de saberes, memórias e tradições entre mestres, grupos tradicionais e expoentes das novas gerações com representantes do Distrito Federal e de Pernambuco.
A iniciativa atua na preservação e na difusão das manifestações populares do país ao incentivar o diálogo entre a tradição e a contemporaneidade. O evento é diretamente fruto da convivência e do aprendizado direto com as referências da arte tradicional. “Nós existimos porque conhecemos nosso mestre há dez anos atrás, se não fosse por Mestre Zé do Pife, não teríamos nos apaixonado pela cultura popular e suas manifestações e não teríamos vivido todos os encantamentos que vivemos com as Fulô”, conta Jéssica Carvalho, integrante das Fulô do Cerrado.
Ao reunir no mesmo palco diferentes gerações da música e das artes tradicionais, a proposta central envolve abrir espaço para que os detentores dessa memória viva contem suas trajetórias. “É muito importante dar visibilidade, palco, espaço para essas pessoas que detém tantos saberes mostrarem sua história em formato de música, histórias, danças, e tanto mais; torná-las conhecidas, elas são essenciais para a manutenção da nossa cultura, mantém viva tradições que formam a identidade de quem somos”, completa Jéssica.
A programação abrange música, dança e diversas expressões culturais, buscando valorizar as conexões profundas entre cultura, território, memória e o meio ambiente local. “A relação com o cerrado é muito importante pra nós do grupo, é um dos nossos pilares, é o lugar de onde viemos, nossa casa, nossa natureza . O cerrado é uma inspiração pra gente, é uma temática presente em muitas das nossas composições, acaba sendo uma forma de dar visibilidade e valorizar o bioma”, explica a artista.
Encontro de territórios e linguagens
Representando a produção cultural do Distrito Federal, participam o Boi de Seu Teodoro, o Vereda dos Mamulengos, as Sambadeiras de Roda, o grupo Ventoinha de Canudo e o coletivo Tawá Tingá. Do lado da tradição pernambucana, marcam presença os mestres João do Pife e Vitória do Pife, além do Coco Raízes de Arcoverde. Nos intervalos entre as apresentações, a trilha sonora fica a cargo da DJ Beira Mundo.


Além dos shows, a dimensão formativa do festival oferece quatro oficinas gratuitas e acessíveis para diferentes públicos no sábado (05/09). As atividades incluem desde o ensino artesanal e instrumental do pífano até vivências de percussão e dança:
- Oficina de Fabricação de Pife (10h às 12h): Com Mestre João do Pife e Vitória do Pife (PE), no Centro Tradicional de Invenção Cultural. Ensina a confecção artesanal do instrumento, do preparo dos materiais ao acabamento (20 vagas; classificação: 14 anos).
- Oficina Coco Trupé (10h às 12h): Com Coco Raízes de Arcoverde (PE), na CAIXA Cultural Brasília. Vivência coletiva sobre a história, a dança e a percussão dessa manifestação tradicional (25 vagas; classificação: Livre).
- Oficina de Toques de Pife (14h às 15h50): Com Vitória do Pife (PE), na CAIXA Cultural Brasília. Foco na técnica, sonoridade e repertório tradicional das bandas de pífanos (15 vagas; classificação: Livre).
- Oficina de Percussão no Forró (16h30 às 18h30): Com As Fulô do Cerrado (DF), na CAIXA Cultural Brasília. Prática de xote e baião com triângulo, zabumba e pandeiro, trabalhando ritmo, coordenação e improviso (25 vagas; classificação: Livre).
As inscrições para as atividades formativas são gratuitas e devem ser feitas previamente via link.
Apresentações e horários
No domingo (06/09), o estacionamento do espaço cultural recebe a sequência de apresentações artísticas:
- 15h: Vereda dos Mamulengos
- 15h40: Cortejo Tawá Tingá
- 16h40: Sambadeiras de Roda
- 17h40: Mestre João do Pife e Vitória do Pife
- 19h: Boi de Seu Teodoro
- 20h: As Fulô do Cerrado
- 21h: Ventoinha de Canudo
- 21h40: Coco Raízes de Arcoverde (A DJ Beira Mundo toca nos intervalos entre as atrações)


Serviço
Festival Bailão no Cerrado
Data: 05 e 06 de setembro de 2026
Locais das Oficinas (05/09): CAIXA Cultural Brasília (SBS Quadra 4 – Lotes 3/4 – Asa Sul) e Centro Tradicional de Invenção Cultural (Setor de Embaixadas Sul – SES, Quadra 813)
Local dos Shows (06/09): Estacionamento da CAIXA Cultural Brasília
Entrada e Inscrições: Gratuitas (retirada de ingresso pelo link)
